quarta-feira, 22 de novembro de 2017

1. Uma roseira me disse (foto e texto JRT)





1.
A roseira, por sentir o prelúdio dos seus botões velados, segue em cândida e laboriosa meditação à rosa de quem se diz aprendiz. 

Dela  auscultei o declame aos que se prendem a um botão de rosa. Nela está a metafísica do belo até pelos seus espinhos.

Disse-me do Jardineiro, o Mestre da Luz, e me contou uma história fabulosa, só conhecida por ela e o Jardineiro.

O Jardineiro é aquele que ensina as pessoas a retirarem rosas do coração, são seus aprendizes, e quando o conseguem, tornam-se poetas da rosa a cada gesto poético. Quando também artistas, poemas escrevem.

Elegantemente, ela se apresentou assim:
- Entre as flores, a rosa é rainha. O Jardineiro é seu consorte. Eu sou filha desse Amor Divino que todos os dias os vê casando-se na Luz.

2.

Disse a roseira:

(JRToffanetto)

terça-feira, 21 de novembro de 2017

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Voo Noturno em Crônica _fotoJRToffanetto


O vento gerado pelo movimento do carro vinha farfalhando as asas da mariposa presa no vidro, e o trânsito não me permitia parar para libertá-la. Na Rua "Jota-Jota" finalmente a peguei pelas asas com dois dedos. Arremessei-a pro alto e ela saiu voando, foi quando me dei conta de que estava de frente ao extenso e famigerado "Escadão", cheio de histórias difíceis de explicar e que foram se perdendo ao longo.  Enfim,

...talvez ela, procurando abrigo contra seu predador natural, foi traída pelo vidro escuro do carro. E tanto desejou ali se esconder que acabou prendendo sua patinha direita, foi o que a salvou.  Isto é tudo o que posso contar até a soltar em frente da escadaria da casa dela. Mas, pra que escada pra quem sabe voar? A mariposa ainda deve estar por lá para confirmar este relato. (JRToffanetto)

Thelonious Monk _Green chimneys

Desenhista: Francisco Vilachã

ELZA SOARES - TENHA PENA DE MIM





domingo, 19 de novembro de 2017

Céus em altos brados (texto e foto JRT)

Encontrando-se com a terra,
os céus em altos brados

Andei pelo meu bairro às escuras depois da tempestade de ontem.
Silêncio, tudo parado, sentido

Trovões sussurravam ao longe.
Tirei os chinelos

Vidraças bruxuleando luz de velas,  calçadas desertas.
Relâmpagos tremeluziam

Ainda me perpassava a sensação de chuva deitada contra a janela,
vento e ribombos

Pneus cantavam avançando pela avenida ainda molhada das nuvens.
Faróis assaltando a escuridão

Frescor da enxurrada descendo o bairro junto da guia da calçada.
Dimensão do tempo e espaço

Depois de vários quarteirões, voltei pra casa sem passar por viva alma, um boa noite que fosse

A Regina me esperava junto ao portão aberto, abracei-a.
Chão de estrelas sobre céu encoberto

Na mão de um dos braços da Via Láctea,
não estamos sozinhos

(JRToffanetto)

Sábado à tarde em 21 de fevereiro de 2015, Jundiaí