sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Votos para o Ano Novo

Ilustração de Antoine de Saint-Exupéry 
para o seu livro "O Pequeno Principe"



Que o Ano Novo,
qual revoada da Paz,
seja passarinho


                                        © Jairo Ramos Toffanetto

                    

sábado, 25 de dezembro de 2010

Um Feliz Natal para o resto de nossas vidas


       É Natal quanto nossa alma está preparada para dar e receber harmonia, entrando, pois, num grande concerto dos mais diferentes instrumentos, e o que se ouve, como resultado de nossas ações, é música.

       Em geral, tudo começa no fim do mês de novembro quando por todo canto se ouve “Gente do céu, já é Natal”. Pois esta “gente do céu” entra em dezembro se preparando para a data marcada. As expressões de paz, harmonia e felicidade enchem-se de força, a força de uma outra energia que vai para o ar e todos dela se beneficiam.

       Enfim, não é uma data, mas um processo que nos leva a um ponto de chegada, um ponto de encontro das mais sinceras e ternas emoções. O ponto da verdadeira essência humana que poderia, ou deveria, estar movendo todos os dias de nossas vidas.

       Natal não é uma data que passa, mas uma data a ficar em nossos corações, uma marca a nortear nossas vidas, e de modo a torná-la melhor, pois quanto melhores nos tornamos, melhor tornamos o meio, e até, finalmente, fazemos deste mundo Um Mundo Bem Melhor.

       Agradeço o nascimento do Menino Jesus, do Mestre que se fez Cristo para, através dele, desejar um Feliz Natal para o resto de nossas vidas.

Jairo Ramos Toffanetto

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

KIT PARA A VIDA


Ontem eu recebi um "KIT PARA A VIDA" da minha colega de trabalho e amiga Tânia Rezzaghi, e que me tocou o coração, e tanto, que estou a compartilhá-lo com os amigos

KIT PARA A VIDA

Este é um kit para acompanhá-lo(a) para sempre. Nele você poderá encontrar o indispensável.

1 ELÁSTICO: Para lembrar do seu círculo de amizade. Ele poderá ficar grande ou pequeno, conforme a capacidade e desejo de se relacionar e também para lembrar de ser flexível já que nem tudo acaba saindo do jeito que queremos.
1 CLIPS: Para juntar todos os ensinamentos e experiências positivas.
1 BORRACHA: É melhor apagar os “mau entendidos”, ela representa o perdão, um coração aberto, cheio de amigos, sem preconceitos, sedento de justiça, e nos lembra que todos nós cometemos erros.
1 BAND AID: Para curar as suas feridas e das pessoas próximas a você.
1 ALGODÃO: Para amortecer as quedas...
1 LENCINHO DE PAPEL: Para enxugar as lágrimas de alguém sofrendo.
1 PEDAÇO DE QUEBRA-CABEÇA: Para lembrarmos que fazemos parte de algo muito maior.
1 PEDAÇO DE BARBANTE: Para amarrar tudo junto quando seu mundo parecer estar caindo aos pedaços.
E MAIS: Mantenha sempre uma BALINHA para adoçar a sua vida e a do próximo.
Leve este KIT para toda a vida, pois ele é FUNDAMENTAL.


TENHA UM ÓTIMO NATAL, COM MUITO AMOR, SAÚDE E MUITA PAZ.
TÂNIA 2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Os sinos de Natal - Parte 2 (continuação da postagem de 13 de dezembro de 2010)


Sugiro começar pelo mais difícil, isto é, pelas coisas boas. Aquelas que te fizeram feliz e, especialmente, as que geraram paz nos diferentes meios em que você esteve agindo para um mundo melhor.

Disse que eram as mais difíceis de relacionar porque são coisas das quais nem nos damos conta. Então... comece arrolar quantos corações você tocou neste ano.

Olhe para traz, veja as marcas que você deixou pelo seu caminho. Um rasto de estrelas? Quem me dera ter certeza disto... Tenho mais trezentos e sessenta e cinco dias para me tornar melhor do que fui neste ano. 


Quero os sinos de Natal soando dentro de mim, permanentemente, e quem sabe fazer soar o mesmo sino que há nos corações das pessoas, pois eu digo que no decorrer deste ano, mais do que nunca, meu coração foi tocado por muita gente que vieram até à minha família soando este sino.

Nota: Esta postagem é em continuação à postagem de 13.12.2010; http://poemas-de-sol.blogspot.com.br/2010/12/os-sinos-de-natal-parte-1.html


Jairo Ramos Toffanetto

Natal Bama


Desejo compartilhar com os amigos a mensagem de Natal da empresa onde, com muito orgulho, presto serviço em treinamento corporativo

Adicionar legenda

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Cartão de Natal



Compartilho com todos o cartão que recebi de Maricílio. 
Faço minhas as palavras do amigo: .


domingo, 19 de dezembro de 2010

Um Petit Raconte de Noël


“À tous lês enfants du monde. Soyez heureux!
Que lês rêves plus beaux et chers arrivent chez vous!”


       - Je vais prendre les étoiles là-haut; a dit la mère à son fils.
       - Laisse-moi porter la lune; a dit lê petit garçon.
       En parlant ainsi, légèrement, bien légèrement, comme en flottant au dessus du sol, ils ont suivi par la rue claire et scinttilante avec de gros sourires, plein de bonheur.
       Devant chez moi, je suis resté en regardant le ciel étoilé… et en imaginat si ils retourneraiente par le même chemin.
       Peut-être, ils ont pris du siège sur une étoile filante qui a croisé les cieux…
       J’ai demandé au garcon:
       - Oú est la lune?
       - Elle s’est cassée.
       - Et les étoiles?
       La mere a repondu:
       - Elles sont bien gardées dans mon sac.
       J’ai voulu les voir, mais… j’étais déjà aveugle avec tant de lumière.

À pedido de minha mulher, Maria regina, a Sra. Carmem Cruz,, professora de francês,
gentilmente traduziu o meu livro "Continho de Natal".
carmencruzz@hotmail.com
(11) 4607-1971 e 9522-8992
 
Em tempo, o livro "Continho de Natal" foi publicado no ano de 2007 com apoio cultural da Placacentro Masisa - Casa do Marceneiro. Texto e ilustrações (capa e miolo) de JRToffanetto. Preço: R$ 10,00 o exemplar. 
 
Também tenho alguns exemplares do Livro "Menino de Deus", publicado em 2008 (motivo natalino) e nas mesmas circunstâncias do anterior. Preço: R$ 10,00 o exemplar. 
 
 

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

"As pessoas infelizes são perigosas" ou ............ "Só vai ao encontro do outro quem pode reinar sobre si mesmo""


Não é das pessoas perigosas - as infelizes - que desejo pensar e escrever, mas, sim, das pessoas sãs e felizes, mesmo porque o contrário é verdadeiro.

Pessoas felizes são as que se importam com tudo o que ocorre ao seu redor. Interagem com o mundo e o fundo se sentirem que sua ajuda é possível para tornar o mundo bem melhor e, sempre que possível, fazem-no de modo a não serem notadas, afinal, a fase da libertação do “ego” foi resolvida há muito tempo, e aí está uma das razões da sua felicidade. 

A felicidade destas pessoas é um processo em expansão, pois quem é feliz quer ver a felicidade do outro. Só vai ao encontro do outro quem pode reinar sobre si mesmo.

As pessoas felizes caminham silenciosamente como o rio que pacientemente contorna um monte, uma montanha ou uma cordilheira, e mesmo como uma simples corredeira enchem um abismo para, enfim, seguirem seu inexorável caminho pro mar, todavia, seu seguir em frente, sua atitude positiva, o ‘sim’ que sempre dão para a vida, incomoda uma legião de obstinados matadores de sonhos.

As pessoas felizes tem esta mania de ter fé na vida e estendem a mão para todos aqueles que com elas queiram caminhar junto para algo maior que sua própria vida. Se não assim, perguntam-se elas, que sentido teria a sua curta passagem pela vida na Terra? 


Jairo Ramos Toffanetto

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Os sinos de Natal (parte 1)


Neste mês de dezembro estou relacionando as coisas boas e nem tão boas ocorridas comigo de janeiro para cá, separando-as, fazendo uma média, computando o resultado, todavia, o cérebro não quer se dar este trabalho, e achando que tudo sabe, apronta um resultado, afinal, ele vive antenado a um mundo ligado no automático, exigente de respostas extremamente rápidas, cada vez mais velozes. É preciso um pouco de paciência, forçar-se a pensar. E ele me apresenta miríades de cenas vividas como que me dizendo que não há como lutar com ele.

Silencio-o isolando uma a uma, e nelas busco o sentimento de hoje, e que é bem diferente do sentimento original da cena. É quando você constata seu crescimento desde então. Mas se o sentimento da cena passada é o mesmo de agora, significa que você nada evoluiu. O seu cérebro lhe diz para não se importar com aquilo. Relega-a como um lixo mental, mas se realmente fosse lixo, o inconsciente já teria apagado a cena. A cena persiste porque há uma carga emotiva a ser esvaziada. Olho-me bem. Pergunto-me se ainda preciso daquilo tipo de experiência.

Enfim, você só saberá da superação daquela cena quando tiver a paz como resultado de uma situação semelhante àquela. Enquanto não gerar paz é porque o desafio continua de pé, prestes a te dar mais uma rasteira. Enfim, uma oportunidade que sempre aparece para a superação daquilo que te incomoda, mas é preciso estar atento porque ela chega sorrateiramente. Se você não estiver preparado para reconhece-la, pode, num zás, por tudo a perder. Procuro acertar para não falhar mais uma vez comigo mesmo e com as pessoas em redor, especialmente com aquelas que realmente gostam de você. O vencer de tais desafios abre espaço para que o novo possa ocorrer, e é o que torna mais visível o caminho que te leva aonde se quer chegar, do contrário, estaremos parados, congelado no tempo, sonhando numa estação de trem.

Jairo Ramos Toffanetto

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

De Lao Tsu


De Lao Tsu

Eles o chamam de ilusório, e dizem
que querem vê-lo
mas ele nunca aparece.
Dizem que, realmente, é disperso,
que querem ouvi-lo
mas ele nunca produz um som.
Sutil, eles o chamam e dizem
que o alcançam
mas nunca conseguem agarrá-lo.
Essas três mágoas se juntam
em uma só,
além de toda a compreensão.
Ao nascer, ele não ilumina.
Ao se pôr, a escuridão não o sucede.
Estende-se para bem longe, lá atrás,
para aquele inominável estado
antes da Criação.
Descrevem-no como forma ainda informe,
como esboço inesboçado,
ou digam que é vagamente confuso.
Se o encontrarem, verão que não tem rosto.
Se o seguirem, descobrirão que não tem fim.

Poem From “The Way Of Life” by Lao Tsu. A New Translation of Tao Te Ching by Raymond B. Blakney. Copyright © 1955 Raymond B. Blakney. Tradução para o português: no LP Forgotten Fantasies de David Liebman - Richard Beirach - 1975 - Horizon

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Pôxa! Chega de terrorismo na mídia

(Imagem extraída da Internet)

Não financie o crime, financie o bem.


Quanto mais falamos sobre o crime, mais força damos a ele e, especialmente, ao MEDO. Ele está em letras garrafais nos jornais de todo país, e o bem comum, aonde está? Em algum canto, e sem nenhum destaque, em letras de tamanho mínimo.

A mídia, especialmente a televisão, fez da ocupação nas favelas do Complexo do Alemão no Rio de Janeiro um dantesco espetáculo. Até parece que a prioridade nacional é a banalização da crime. Enfocam o nocivo, o danoso, a perdição. Destaca-se o desalmado, a crueldade, a violência. Ora, na sociedade, no trabalho, nos lares, o foco deveria estar no acerto, no positivo, no bom juízo e não na violência, na luta entre bandidos e mocinhos. Dá a impressão que vivemos no pior dos tempos.

Está na hora de cultivarmos a SUSTENTABILIDADE DE NOSSAS EMOÇÕES, DE NOSSA MENTE, DO NOSSO ESPÍRITO. O que é valorizado é imitado. Vamos valorizar o crime ou o bem? Que tal passarmos a inverter a prioridade? A mídia promove um terrorismo brutal no inconsciente das pessoas. Devemos proteger nossos filhos valorizando a alegria contagiante sempre presente nas crianças, incentivar coragem aos adolescentes que iniciam sua luta para vencer na vida, dar-lhes a mão, ficar perto para ajudá-los sempre que precisem, financiar-lhes o bem. Estimular-lhes a criatividade, apresentar-lhes opções culturais, incentivar-lhes a leitura para que melhorem sua comunicação com o mundo. É preciso confiar na conquista da felicidade individual para que possamos expandí-la ao nosso redor e, deste modo, construir um mundo bem melhor que o apresentado pelos meios de comunicação de massa.

Enfim, o século XX foi pródigo em fazer guerras e mais guerras em busca da paz, e a conseguiu? O que vimos na favela do alemão foi guerra, e não um exercício da paz. Devemos fazer do nosso trabalho, da nossa família, da nossa sociedade, um permanente exercício da paz. Ponho em discussão o uso do terrorismo de plantão por parte da mídia. O que sei é que a maioria do povo brasileiro trabalha pela paz, e que lutam, lutam muito na vida, e que não merecem espetáculos do pânico, do MEDO, mas da fé em acreditar na vida. Como diz uma canção de Milton Nacimento "Queremos o amor, não queremos a guerra não".

Jairo Ramos Toffanetto

domingo, 28 de novembro de 2010

O rei está na barriga

1.

Era uma vez uma distante nação continental que vivia num mundo do faz de conta e, por isto mesmo, não sabia aonde queria chegar.

Originalmente, era um extenso país agrícola e, como ninguém, sabia viver de forma poeticamente lúdica, mas signatários da nação de um certo Tio Sam, foram pra lá propondo ao seu rei que, em vez de ir de bicicleta, sua nação chegaria mais rápido se fosse de automóvel e até deixaram uma limusine com ele. Daí por diante, prevaleceu um antigo provérbio “Se você não sabe aonde quer chegar, qualquer caminho serve”.

Como aquela nação continental ainda era um meninão, foi pega de calças curtas, e o seu sucessor foi um atrapalhado professor de gramática que não soube “por o pingo i”. Um novo rei foi eleito. Conta-se que ele foi deposto quando se recusou a colocar o pingo no “i” do EUAmér“i”ca. Então, um herói de guerra tomou o poder para acabar com a bagunça deste negócio de “pingo no i”. Seu desejo era que aquela nação encontrasse o seu próprio ideário nacional, mas isto era um vôo alto demais e, naquelas alturas, foi abatido em pleno vôo.

Foi assim que nunca mais se ouviu falar de um ideário nacional, a não ser idéias postiças e, até hoje, montado em modernos e velozes carros, não se chega a lugar algum, daí o fato deste conto de fadas não ter um final feliz, mesmo porque nenhum de seus reis conseguiram reinar sobre si mesmos, coisa que a psicanálise explica que se resolve ao fim da adolescência e, não o conseguindo, só reinam para si mesmos, e o resto empurra-se com a barriga, afinal, e rei está na barriga.


Jairo Ramos Toffanetto
P.S.: Preciso de um revisor da ortografia, da sintaxe, e que goste de semântica.

domingo, 21 de novembro de 2010

O chão é de estrelas, mas...

Poesia não é um privilégio dado aos poetas, mesmo porque muitos destes nem a conhecem. Ela está para além do poema. O que disto cabe em prosa e verso é arte, a arte de trabalhar idéias essenciais através de palavras/símbolos. Um poema não é a Poesia e a utilidade dele está em criar um estado de atração para Poesia passar, o que também é prerrogativa dos filosófos. Da Poesia, só se expressa o tanto que dela se pôde integrar. Todos nós somos um poema em processo para além da escrita. O chão é de estrelas, mas... quem anda por ele?

© Jairo R. Toffanetto

domingo, 14 de novembro de 2010

Haicais de Guilherme de Almeida




Esta postagem é uma pequena homenagem ao poeta que tocou o meu coração pela sua extrema delicadeza.

Alguns haicais do livro "Poesia Vária" :



INFÂNCIA

Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se "Agora".

TRISTEZA

Por que estás assim,
violeta? Que borboleta
morreu no jardim?

CARIDADE

Desfolha-se a rosa.
Parece até que floresce
O chão cor-de-rosa.

QUIRIRI

Calor. Nos tapetes
tranquilos da noite, os grilos
fincam alfinetes.

AQUELE DIA

Borboleta anil
que um louro alfinete de ouro
espeta em Abril

O texto abaixo foi extraído do internet http://www.kakinet.com/caqui/ga.htm :
Guilherme de Almeida começou a escrever haicais em 1936, ano de seu encontro com o cônsul japonês no Brasil, Kozo Ichige. Em 1937, publicou o artigo Os Meus Haicais, em que sistematizava as suas idéias sobre o que seria o haicai em português: um terceto com 5-7-5 sílabas, dotado de título, sendo que o primeiro verso rima com o terceiro, além de contar com uma rima interna no segundo verso, entre a segunda e a sétima sílabas. Seus haicais foram publicados no livro "Poesia Vária", de 1947. Dada a sua influência sobre outros poetas, pode-se falar de uma escola "guilhermina" dentro do movimento haicaísta brasileiro. Guilherme de Almeida foi um dos fundadores e primeiro presidente da Aliança Cultural Brasil-Japão.

Vejam o artigo Os Meus Haicais no site
http://www.terebess.hu/english/haiku/almeida.html


Jairo Ramos Toffanetto

domingo, 7 de novembro de 2010

República das bananas ou dos bananas?

(Tiririca, o Dep. Federal de maior votação destas eleições,
cujo slogan de campanha foi "Pior do que tá não fica")

No domingo passado, a Dilma se pronunciou como a presidente eleita. Apesar de achar uma chateação qualquer discurso lido, prestei atenção nas suas palavras à nação brasileira, mas não me iludo, palavras não passam de palavras, contudo, como foram palavras estudadas e lidas num momento histórico, afigura-se como um compromisso formal e que poderá ser cobrado, mesmo porque, a menos que eu esteja enganado, ela não apresentou nenhum plano de governo, portanto, vale o discurso, e é só o que temos.

Enfim, ela deu a impressão de que quer, sinceramente governar, mas governar como se ela disse que sempre estará batendo à porta do ex-presidente Lula, e não é para menos, pois como ela poderá lidar com a carranca daqueles que estão implantados na braguilha do chefe, um caudilho, e já viciados a molhar a mão. Ora, ao invés de ir bater a porta daquele, porque ela não abre as portas do palácio a expressões irreprocháveis da sociedade brasileira, como a OAB, e só para dar um exemplo. Sua declaração parece significar que, mais uma vez, não haverá governo do povo, mas do “povoeiro” do PT.

Por outro lado, se tal declaração foi uma terna reverência ao Lula, até parece que ele é um santo. Um anjo cercado de pecadores, e que não teve poder ou coragem de impedir os tais bandidos a se locupletarem às custas do dinheiro do povo, e que foram pegos até com as cuecas na mão. Ou será que foi medo dalguma culpa no cartório? Santo santo, só se for para os que vão na corda do poder. Agora se ele é santo para o povo, é porque este, coitado, ainda está naquela “engana-me que eu gosto”.

É inconteste que o Lula continue no poder. Não foi à toa que os correligionários do partido à frente do palanque da nova presidente gritavam “Lula-Lula-Lula...” Pareceu-me, no mínimo, uma cachorrada, todavia, depois de tanta sordidez com o dinheiro gasto na campanha dela (será se foi dinheiro do povo, heim?), e da perfídia em que ela e o Serra se envolveram quando em campanha, não há dúvida que tal baixaria lhe foi de merecimento, afinal, aclamavam o nome daquele que reinou bem abaixo do que podemos chamar de patamar de civilização. O Lula será lembrado mais pelas baixarias suas e dos espertalhões de plantão em seu governo, do que por um chefe de estado. É inacreditável que ele não tenha se sujado no meio do que fedeu do começo ao fim dos seus oito anos de governo. É este tipo de governo que pôde merecer sucessor?

E o Serra, heim? O campeão do “trololó”, cujo único plano (de vôo) era para as luzes da ribalta, também  fez discursou naquele domingo, e só pisou em sua máscara de “politicamente correto”que já estava no chão e, finalmente, vestiu a cara que o PT tinha antes de entrar no poder e adotar o sorrisinho botox. Trombudo, afigurou-se como o mais forte líder da oposição. Dissesse que faria oposição para o aperfeiçoamento democrático e ganho da nação, ainda que não desse para se acreditar, revelaria, pelo menos, algum tamanho. Não, não teve tamanho para, ainda que de passagem, saudar a nossa (também a dele)  nova chefe de estado. Uma gafe imperdoável. Além de rei do trololó, tomou o cetro do rei da gafe, o virtual sucessor do Lula. A tendência é de lhe crescer o bico tucanês que se preze e, assim, comportar o tamanho da língua, sua ferramenta de trabalho.

O Serra aparenta querer que o governo da Presidente Dilma vá pro fundo do poço, pois assim ele poderá ascender mais facilmente ao poder. É o que dá para depreender dos seus gestos, e até pela falta deles. O amor que o Serra tem pelo poder é grande pra cachorro, e nisto, ele não é diferente da Dilma ou de qualquer outro político. Que tal o Serra começar sua propalada oposição ao Partido dos Trabalhadores buscando, através do PSDB, a valorização daqueles que trabalham e lutam por uma vida mais digna e justa e, depois, se novamente candidato, apresentar novas e justas conquistas?

Torço para que a presidente Dilma reveja os seus conceitos, tenha força própria para governar esta nação, e que entre para a história não como a primeira presidente mulher deste país, mas como a estadista de que a nação precisa.

Jairo Ramos Toffanetto

sábado, 30 de outubro de 2010

O breu é a luz da ribalta



(Imagem extraída da Internet e negativa para edição)

       Há três dias das eleições para Presidente da República, vejo o pessoal com quem trabalho – umas trinta pessoas - e nenhuma referência sobre a decisão dos destinos do país. Também não é de futebol que estão falando, ou das novelas, ou de qualquer tema que domine o cenário nacional. Se é que disto posso tirar uma mostra em grande escala, só reafirma a minha impressão de que vivemos uma época sem paixão. A indiferença graça.

       Uma amiga contou-me que nos tempos de colegial vividos por ela na cidade do Rio de Janeiro, sua turma se dividia em preferência entre Drummond e Bandeira. Na mesma época, aqui em Jundiaí, os professores de minha escola pública fizeram um convite para que as classes se juntassem aos sábados à tarde com jornais, revistas, livros e discos, e com a recomendação de que abríssemos uma discussão livre do que se passava no país e no mundo, especialmente para o exercício da opinião própria e da oratória, formando, assim, uma comunidade de indivíduos mais fortes e imunes a comum alienação da realidade de então. Isto se passava na década de setenta, e a presença dos alunos foi marcante, especialmente pelo entusiasmo daquele encontro e, como resultado, mudou o perfil das herméticas rodinhas de recreio.

       Através dos meios de comunicação e da interação entre amigos, tentávamos entender tudo o que estava em torno. A revista “Realidade” tinha peso entre nós, adolescentes. Vivíamos os tempos de movimentos como a “tropicália”, o “flower-power”, o “black is beautiful”, do rock n’ roll, dos cinemas italiano e francês. O temerário psicodelismo, a contracultura, tinham o contraponto, além da escola, da roda de violões nas praças, esquinas, e em torno da fogueirinhas que se fazia nas noites de lua.

       No “Estadão” (Jornal o Estado de S.Paulo), eu, particularmente, acompanhava a coluna editorial de Fernando Pedreira e os ensaios de Octávio Paz. Colecionava disco de MPB, Jazz, rock e música erudita. Nem Ravi Shankar escapava do meu interesse. Era fâ tanto de João Gilberto, Jorge Bem, Cae e Gal, quanto de Thelonious Monk a Hendrix. Curtia a poesia jovem dos anos setenta, como a do Chacal, p.ex., mas fã mesmo, eu era de Mário Quintana, e o sou até hoje. Também amava a embriagues declamante dos versos de Castro Alves, de Pablo Neruda. O ponto máximo era repetir seus versos de frente ao mar, ou de procurar a melodia deles ao caminhar descalço pela areia da praia.

       Os anos foram passando, e ao reencontrar os remanescentes daquela turma, ainda discutíamos vividamente os posicionamentos políticos de um Ulisses Guimarães, de um Teotônio Vilela, de um Arthur da Távola, e para não perder o costume, ainda abríamos novas áreas de interesse com Rimbaud, com Nietzche, a música dodecafônica, e assim por diante. Já sentíamos o esvaziamento daqueles bons tempos vividos nas escolas e pelas esquinas da cidade. A mocidade, vivia um período extremamente depressivo em escatologia mundial. Bem diferente da entusiasmada geração dos tempos da brilhantina, a da bossa-nova, beatlemania, MPB. Despedíamos-nos dos últimos estertores de um sentimento poético que esteve misturado no ar e que esvaecia. No começo da década de oitenta ainda tivemos um último estertor da MPB e que surgiu em alto astral para sumir com o assumir da música brega. Nada ficou. A breganização tomou conta da década de noventa, inclusive com a música eletrônica, e esta, sem pé nem cabeça. Uma pandemia da bossalização, e creio, foi que abriu passagem para temos o presidente que temos em pleno século XXI.

       Hoje, o que temos? Há alguma poética no ar que escapa dos meus cinqüenta e seis anos? Na literatura nacional, p.ex., quero que alguém me mostre algo de novo desde a geração pós-modernista? Claro, houveram grandes escritores, como o argentino Julio Cortázer. Para mim, depois de tantas e tantas, o “realismo mágico” não me basta. Cadê os grandes livros de época, como uma Margarite Yourcernar, um Humberto Ecco, e até um Fernando Namora.

       Não, meus amigos, nada temos de novo a nível nacional ou mundial. Vivemos a época mais escura e triste de todos os tempos. Todavia, é no escuro que está o botão velado e que brota através de princípios eternos, e é através destes princípios que Um Mundo Bem Melhor vem sendo construído na extensão do coração de gente que vieram para outra coisa.

       No domingo decidiremos por Serra ou Dilma, que pena... não vejo esperança em nenhum dos lados. A verdade está em outro lugar, um lugar inteiramente novo. Seja quem for o eleito, que pena, será o presidente lá do fim do mundo. Só me resta lamentar por esta sorte do Brasil, e o resto do mundo não fica nenhum pouco atrás. O breu é a luz da ribalta.

Jairo Ramos Toffanetto

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Túnel do Tempo



OP. 319
(A pedido do amigo Caio Jupert Fraga, haicais criados para o evento “Túnel do tempo”)

Op. 319.1

Do botão velado
pétala a pétala se abre
à luz da Verdade


Op. 319.2

Ao botão velado
vinga na terra a Coragem
da haste de espinhos


Op. 319.3

À luz da Justiça
abre-se o botão velado
acima dos espinhos


Op. 319.4

“Liberdade”
Por espaços abertos
na luz, vôo livre da Paz,
néctar a néctar


Op. 319.5

Ao Mestre da Luz,
Mundo Bem Melhor é sede
de sentimentos harmônicos


Op. 319.6

Fenda no espaço/tempo,
um laço, um túnel mágico
do Amor que vem

© Jairo Ramos Toffanetto

domingo, 17 de outubro de 2010

A Borboleta de Atacama


O televisor mostrava o momento em que o sr. Franklin Lobos, de cinqüenta e dois anos de idade, preso a dois meses numa mina de cobre começava a ser içado para a superfície. Creio que desde a descida da Apolo 11 na Lua, nada mobilizara tanto a atenção mundial quanto este desmoronamento que deixou trinta e tres mineiros presos a setecentos metros de profundidade.

Até chegar à superfície, enquanto a cápsula percorria tal distância por um buraco laboriosamente aberto entre rochas, os reporteres contavam que Franklin, junto de um colega, dirigia um caminhão dentro da mina, e quando ele viu o inusitado de uma borboleta branca tão longe da luz do dia, reduziu a velocidade do veículo para melhor admirarem aquele feito surpreendente e, em sequencia, ocorreu um desmoronamento à sua frente. Não fosse a borboleta e a atenta desatenção deles, isto é, se mantivessem o veículo na velocidade em que era dirigido, certamente estariam soterrados sob toneladas de rocha. Coincidência?

Tudo que se sucedeu no Chile, especialmente o exemplo de respeito, solidariedade e amor ao próximo, inscreveu-se em meu coração e, certamente, no de milhões e milhões de pessoas. Um testamento da verdadeira história da humanidade, ou pelo menos no que se pode acreditar do que seja a nossa história, afinal, o mundo nunca esteve, por toda parte, tão violento, cruel e sórdido como nos dias de hoje.

Ai a borboleta do deserto de Atacama... que maior símbolo, senão o poético, poderia representar tão exemplares e nobres esforços em favor da vida, e nos encher de confiança para com o melhor que temos dentro. O Chile deixou para o mundo uma grande lição de esperança, determinação e equilíbrio em meio a uma luta sem tréguas atrás de um objetivo. Podemos nos orgulhar com aquela nação vizinha, pois a humaninadade retomou o patamar de onde nunca deveria ter deixado escapar, o patamar da civilização.

Jairo Ramos Toffanetto

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Viemos para trazer e compartilhar o belo.

Do íntimo do inverno seco,
eis a primavera.

Tudo são cores brilhantes, preciosidades ao vento gelado. Céu azul, nuvens passantes sob cirros, desenho animado do eterno presente.

Teu coração veste o manto verde da campina. Em oferenda, flores se abrem e a intimidade do cosmo se revela no ar.

É primavera em teu coração. É a natureza divina que bate em teu peito. O inverno só garantiu as flores. A primavera as abriu e já apronta os frutos para o verão.

No agora estão todos os dias que se foram e os que chegarão. Estamos sob a luz do dia eterno. A Terra é uma promessa, a garantia de uma nova estação. Resta-nos trabalhar o belo.

Viemos para trazer e compartilhar o belo.

Jairo Ramos Toffanetto

domingo, 10 de outubro de 2010




Op. 422

Grilo salta pra ver
os versos que pirilampo alumia


Op. 423

Cai a tarde e as estrelas
só para ouvir o grilo

Op. 424

Toda noite os grilos
contam as estrelas do céu,
estrídulo a estrídulo


Op. 425

Vaga-lume guia a volta
 do grilo que se perdeu das estrelas

© Jairo Ramos Toffanetto

Verbo “pessoar”




Pessoa tanto sentia a outra pessoa que se repessoava nela. Como bom português que era, Fernando tinha muito a velejar de sua cadeira diante da mesinha. Detinha-se apenas o bastante em cada porto ou só até incorporar o continente. Sua cadeira, vazia de si mesmo, era uma nau onde tudo cabia enquanto essência. Vivia em profundidade oceânica e, neste caldo original, paria-se rente à pele, sem esforço. “Criar é preciso”, disse ele. Hipócritas ou fingidores são estéreis, pastam o desamor na dimensão dos desalmados.

© Jairo Ramos Toffanetto

sábado, 9 de outubro de 2010

Há uma borboleta em cada mariposa




Enquanto cativos da escuridão e portadores de raiva, nenhum morcego conhecerá o sabor das borboletas porque estas vivem na radiação luminosa. Se as cores da poesia sinalizam grave indigestão – algumas espécies de borboletas também vagam na noite escura. Por temerem o arco-íris, cativos da escuridão acreditam que as belas borboletas lhes envenenem o sangue, alterando sua natureza.

Pois caçam mariposas por causa da atração destas por radiação luminosa. Mariposas preferem queimar-se na lâmpada ou morrerem exaustas tentando entrar no globo do que cair nas garras de cavernosos disseminadores da raiva, ainda que imunes a ela, não permitem que lhes machuquem o eu.

Enfim, em ensolaradas montanhas nasce uma borboleta para cada mariposa que escapa da boca das trevas ou tomba tentando passar para a luz. É de lá que elas vem até à cidade para nossos olhos se encontrarem com elas.

Jairo Ramos Toffanetto

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Trinta anos atrás

                                            (Foto de Yung Gautama Toffanetto)

Eis a tela de 1980 citada na postagem anterior.






A caixa + instalação elétrica para lâmpada fluorescente tubular.




Na tampa trazeira da caixa.

Jairo Ramos Toffanetto



domingo, 3 de outubro de 2010

Habitando nos quatro elementos


                                                                        (FotoVisão)

Sempre gostei de desenhar. Uma diversão. Mas quando fui para a tela de pintura, de pronto percebi algo sério, maior que eu. A partir dali tudo mudou, p.ex., parei de brincar de escrever, mas não de brincar, nem de escrever. Se a minha pintura ia de encontro aos cânones da arte ou não, digo que isto não tem importância alguma para o estar em movimento criativo. 

Comecei a fazer pintura sobre tela em 1978. A tela acima foi uma das primeiras, criada no carnaval de 79. Eu tinha em casa um tecido chamado amorim, daqueles que eram usados para se confeccionar faixas que se colocava nas ruas da cidade, hoje sáo os ditos "banners". Passei o serrote numas ripas, preguei-as, estiquei o pano e nele passei cola que fiz com farinha de trigo, de secagem rápida, coisa que aprendi na meninice.

Ainda me lembro do som do serrote, do martelo sobre os pregos, assim como da explosão lux sobre o terraço da casa de meus pais. Pois foi daquelas iluminação, que achei de cobrir a tela com um profundo tom roxo em tinta a óleo, e era sob aquele sol magnânimo que ela deveria ficar para secar, em pé, para a tinta escorrer indelével, pois ali imaginei que, das micro rachaduras sem tinta, algo como "craquelê",  poderia escapar luz se a tela fosse adaptada numa caixa com uma lâmpada dentro. Na fim da tarde de segunda- feira de carnaval, ela já estava totalmente seca.

Com a tela entre as mãos, o desejo de estar entre tintas e pincéis começou a me pegar mais forte. Não daria tempo de construir a caixa e, depois, pareceu-me incerto reproduzir o efeito do sol que eu via por traz da tela, o que demandaria muitos experimentos técnicos. O processo preparatório, a criação do estado da criação estava em transformação, em curso. Exigia novas soluções. Uma coisa era certa, eu sentia que ainda naquele dia eu teria a tela finalizada. Estreitava-se o momento de fechar o ciclo, o ciclo do velado substrato para o mundo das formas. Estar no meio daquele processo dava-me um sentido, o da aproximação extraordinária. A conclusão dele só poderia se dar da mesma forma, sentia eu. A idéia viria na hora. Preparava-me para expressar o que não sabia, e com absoluta certeza de a expressar.  

 Faria, pois, do meu quarto uma caixa escura para lâmpada. Pois, então, abri um buraco no fundo de uma lata de palmito vazia e nela adaptei uma lâmpada de vinte e cinco velas. Coloquei-a sobre o guarda-roupas, junto ao ângulo reto formado pelas paredes. O foco de luz voltado para a confluência dos cantos das paredes e teto. Tudo pronto para começar a pintar, mas o estado de criação artística, pronto para a execução, ainda não acontecia. Nada mais eu tinha que fazer para construir aquele estado. Era só esperar. De vez em quanto eu abria a porta e lá ficava por um pouco, sem nada pensar a respeito, apenas sentindo.

Depois da meia-noite,finalmente entrei no quarto e tranquei aporta. Notei o silêncio da casa. À meia-luz, e que só não bruxuleava porque não era de velas, percebi que não daria para usar tinta a óleo. Sai pela casa à cata de folhas de jornal com as quais forrei o assoalho e coloquei a tela descansando em cima. Como eu tinha uma porção de frasquinhos de tinta acrílica para tecido usados em outros experimentos, escolhi-os através do que a fraca iluminação me permitia, algo meio intuitivo. Só faltavam os pincéis, mas preferi deixá-los no escuro, e pintar com o que me viesse às mãos.

Foi assim que pintei a tela à cima e, depois de trinta anos deste feito, o nome que ficou para esta tela é "Habitando nos quatro elementos".

Obs. 1.: Se alguém clicar sobre a tela, poderá ver a minha assinatura. Nas telas daquele tempo eu assinava Oriaj, e que é Jairo de trás para frente. Para vê-la, clique na foto e, depois, no canto inferior direito.
Obs. 2: Em 1980 eu pintei uma tela com tinta acrílica executada com iluminação por traz, o que me levou a construir a tal caixa com iluminação em seu interior. Onze anos depois eu pintei uma outra tela à óleo e que depois de pronta pode ser vista como uma releitura daquela. Esta tela à óleo é a que está estampada na página inicial deste meu blog.

Jairo Ramos Toffanetto

sábado, 2 de outubro de 2010

O molde do coração

Para colocar o cosmo em nosso íntimo, o Poeta Maior precisava de um molde, um molde que pudesse conter tal dádiva. Abriu nosso peito e, sem o fechar, ali deixou, no altar da amizade, um botão de rosa para que o eterno se abrisse em toda a sua beleza e, no seu olor, revelasse a intimidade da sua origem até os confins do cosmo. E foi assim que nos tornamos poetas do sentir, poetas do coração, aqueles que podem ler a Poesia escrita nas pétalas das flores, desde o botão velado. Eis a filosofia: pura Poesia

Jairo Ramos Toffanetto

domingo, 26 de setembro de 2010

Um peito de aço

Coração que titila como copo de cristal,

é sedoso como pétala de flores,

e sendo tão leve como pluma,

pássaros vem pousar.

Por tanta delicadeza, um peito de aço o protege para que arestas pontiagudas de corações de pedra não o arranhem. Mas é preciso manter este peito aberto para que a Poesia passe por este coração - cantando -, e siga seu caminho até os confins do cosmo.

Jairo R. Toffanetto

sábado, 25 de setembro de 2010

Haicais do sempre

A Presença Infinita é tátil,
tecida com pétala das flores.

No coração brilha uma estrela,
a de onde viemos.
                 
                  Jairo Ramos Toffanetto

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

"Cadê a Serra do Japi" (2)

       Na última semana de agosto, fotografei a cidade sob um “smog” inusitado, afinal, ventava sobre a cidade e, em geral, o “smog” ocorre quando há uma inversão térmica. Era o que eu não compreendia. Cadê a Serra do Japi? Foi o título que dei à minha postagem de 04 de setembro. Pois ela ardia em chamas. Infernais linguas de fogo engoliam 600 hectares de mata nativa e, com ela, a fauna, os insetos polinizadores....
        Nestes quase trinta anos depois do  "Tombamento Ecológico Paisagístico" (1983), ainda se associa ponta de cigarro aceso com época de estiagem. Ainda se fala das velhas queimadas. E porque não se coloca em questão a especulação imobiliária, ou melhor, sob investigação? Por outro lado, se também há suspeita de piromaníacos, a ineficiência na captura destes ou das respostas às perguntas que estou fazendo, é vergonhosa.


       A Serra do Japi e sua flora e fauna estão em extinção tanto quanto homens como um Aziz Ab'Saber, o geógrafo responsável pelo estudo do referido tombamento, e que, em defesa dos princípios da civilidade, não tinha a língua presa para denunciar o que sabia. Infelizmente, homens como ele, cuidando da coisa pública, estão em extinção. ´
       Lembro-me do comandante do Corpo de Bombeiros em 1983, o então tenente Carreiras. Ele dizia a que a Serra é dos jabotis, dos lobos-guará, das cobras, dos macacos...

         Na foto, um jaboti que sofreu queimaduras no casco. Outros animais fugitivos do fogo estão sendo encontrados na cidade. Na foto abaixo, o guará-guará capturado pelo Corpo de Bombeiros e depois solto na serra.


O lobo guará (acima) foi capturado na movimentada avenida Frederico Ozanan.

       A cidade é rica, muito rica. Porque não um helicóptero para rondas diárias sobre a serra, e para além dos limites do nosso município, e independentemente do governo do estado? A Serra do Japi deveria abrir uma vocação do cuidar. Muita coisa vem sendo feita, mas ainda é pouco, a serra precisa de muito mais. Mais fiscalização, cuidados, e atitudes com pulso forte.


A propósito: quem é que deveria estar enjaulado no lugar do lobo? 

Jairo Ramos Toffanetto

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sucesso Profissional versus Sacrifício Pessoal


       Antonio Carlos Martins – Carlão para uns, Carleto para outros - trabalha com vendas e é bem sucedido em cumprir metas a curto prazo, e diz gostar que seja assim porque tudo é muito variável e intenso.
       -  Preciso de respostas e atitudes rápidas. 
       Assim, todo dia, ele sai atrás dos seus objetivos como um piloto de caça, e acrescenta:
       - Se gostasse de estabilidade e rotina, talvez trabalhasse em vendas internas.
       ...Mas para quem gosta de viver no limite, a direção de um jumbo lhe seria estafante.



      -   Depois da agitação de um dia de trabalho, vou para minha horta onde cultivo mudas e sementes, e também paciência e prazer. Quando uma semente brota, uma muda que vinga, tenho um sentimento de gratidão por acompanhar a vida em processo de desenvolvimento

             - Na minha horta as horas parecem mais longas. É neste tempo que não passa que eu gosto de receber os amigos e ficar jogando conversa fora sob um caramanchão de maracujá ou sob um caramanchão de xuxú. Ali, as mesmas falas ganham um sentido diferente, mais natural e amplo. O que eu gosto - mesmo - é de sentir que o outro se sente bem naquele pedacinho de terra.


 - Olha o tamanho desta folha de almeirão!
- ... a delicadeza deste pé de tomate!


       - Com o meu hobbie, sinto-me participando da vida, e recomendo que cada um encontre o seu. Há uma infinidade de coisas que, extra-profissionalmente, vale a pena fazer.
       E conclui:
       -  Tenha um hobbie, cultive o prazer, e depois sinta a diferença que isto pode fazer para o sucesso de sua vida profissional.

Enfim, esta postagem é um adendo à postagem "Empresas fazendo a diferença" (Parte 1 - quarta-feira, 11 de agosto de 2010)

Jairo Ramos Toffanetto

sábado, 11 de setembro de 2010

Quando perdidos no inferno...


(Imagem da Internet)

O princípio da covardia é o desamor

Todo desalmado é covarde.
Todo medroso é egoísta.
Todo homem que tem medo de amar ataca.
Todo homem que não sabe amar é suicida.
Quem envenena a vida do outro está morto por dentro.

O cachorro grita por carinho, por isto late tanto.
Uivar pra lua não é nada romântico.
É de uma solidão que nenhum cão merece.

O Amor é a maior força do universo. 

Quando perdidos no inferno, matamos focas e homens a pauladas.

Jairo Ramos Toffanetto

domingo, 5 de setembro de 2010

In memoriam a um bom corinthiano


Apesar de gostar de futebol, não imaginava escrever sobre este tema, e muito menos em referência ao arqui-rival do meu Palmeiras Futebol Clube, o Sport Club Corinthians Paulista, até que à meia noite de primeiro de setembro, uma queima de fogos me acordou. O Corinthians era no novo campeão brasileiro (2010) e, imediatamente me veio a imagem do Sr. Orlando Toffanetto, meu bom pai, o maior corintiano que conheci.

Para se ter uma idéia do quanto ele era apaixonado pelo seu time, certa vez, em uma sala de espera onde aguardava passar por uma pequena cirurgia, dores atrozes lhe obrigava sentar-se de lado, quase deitado, com uma perna no chão e a outra tomando conta do resto do sofá. Observando-o em silêncio, ora ele me parecia em profunda circunspecção, ora um sorriso feliz e, de vez em quando, com o rosto franzido, soltava um gemido quase mudo. Eu, que sofria pela dor dele, perguntava-me em que ele poderia estar pensando, mesmo porque, seu olhar parecia seguir cenas do passado. “Oh meu pai... meu paizinho...”.

Num repente estonteante para mim, eis o que ele me pergunta :

- Jairôo... será se o Corintians ganha do Palmeiras hoje?

“Ah, ele deveria estar relembrando cenas de jogo do seu saudoso Corinthians. Quem sabe se não era o Cláudio cruzando uma bola para o cabeceio fatal do Cabeção? ou seria um passe magistral de Roberto Belangero? dribles de Luizinho, o "pequeno polegar"? a raça de Idário? ou alguma defesa fantástica de Gilmar? Mas estávamos no ano de 1993 ou 1994. Época em que o Palmeiras formou um time insuperável. Pela sua pergunta, entrevi que, na imaginação dele, o seu time estava bombardeando o meu. Respondi-lhe com suas próprias palavras, textualmente:

- Pai, "clássico é clássico, não tem favorito" e "um time grande não perde três clássicos seguidos contra um outro grande time".

A resposta o anestesiou. Vi sua expressão de dor se transformar em sorriso. Pareceu-me que ele sofria mais pelo seu time do que a dor física que deveras o importunava. Entrar num “centro cirúrgico”, naquela altura do campeonato, parecia-lhe de menos. Ai meu pai..., meu paizinho... Naquele domingo fui um “corintiano orlandense”. Torci, e muito, pelo sr. Orlando, meu velho e bom corintiano, e que viria falecer uns quinze anos depois.

Eu tinha tudo para torcer pelo mesmo time dele. Quando lhe perguntavam "qual a idade do seu menino", ouvia-o responder "Ele nasceu quando o Corintians foi campeão do IV Centenário da Cidade de São Paulo", e colocando o outro no calendário corintiano, concluía com um sorriso maroto "Agora é só você fazer as contas".

Tenho outras histórias sobre este pai corintiano que jamais questionou a minha alvi-verde preferência, ou fez alguma zombaria do meu time, nem do time dos outros. Ele gostava mesmo de futebol, e até a escalação do ataque dos times do Rio de Janeiro ele sabia de cor.

Certa vez, ele me levou ao Estádio Municipal do Pacaembu para eu ver o Garrincha, um legítimo representante do futebol-arte brasileiro, em jogo contra a sempre perigosa Portuguesa de Desportos. Lembro-me bem daquele jogo, um duelo do futebol espirituoso, admiravelmente galante, mas isto é assunto para uma nova postagem.


Por hora, no centenário do "alvi-negro da fazendinha" , deixo esta minha sincera homenagem a todos os bons torcedores deste time histórico e, em especial, in memoriam ao melhor corintiano que já conheci: o meu pai, cujo coração era tão grande quanto o futebol brasileiro.

Jairo Ramos Toffanetto

sábado, 4 de setembro de 2010

Cadê a Serra do Japi?


Última semana de agosto. Sol do meio dia. Ao atravessar o viaduto que liga o Bairro da Ponte São João com a Vila Arens, parei a minha MacLaren para melhor observar o 'smog" sobre a cidade. Cadê a serra do Japi em contorno da linha do horizonte da cidade?  Virei-me pro lado esquerdo e...

... cadê o Morro do Murça? Perdemos nossos horizontes?
Aquele foi um dia em que Maísbela perdeu o horizonte.* 

A primeira semana de setembro foi mais clara. Voltei para aquele viaduto e tirei fotos para se comparar com as do efeito 'smog".

A Serra do Japi ao fundo.

O Morro do Murça ao fundo.

Eu e a McLaren.

* Maísbela: Postagem de 8 de julho de 2010.

Jairo Ramos Toffanetto

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Pata de vaca


Madrugada de 27 ou 28/08/2010. Tudo, tudo estava parado. Silêncio absoluto. Eu estava no meio da casa, imóvel no escuro, e em lugar algum. Não fazia sentido dar um passo pra lá ou para cá. Não havia o dentro ou o fora, só o nada. Nada a abstrair.

O nada não é um sentimento ou uma sensação, nem a ausência de pensamento ou de imagens mentais, é apenas o nada vezes nada, nem o tempo se transcorre nele.

Se o nada me incomodasse, talvez eu prosseguisse em meu caminho ao pote de água, depois ligaria o fogo para  um café, e em busca da lua eu subiria ao terraço com a xícara nas mãos. Ao voltar, abriria as janelas da casa pra renovar o ar e talvez regasse as plantas ao som da música de Shubert, por exemplo.

Enfim, como vivo em permanente vontade criativa, e ela não estava comigo, perguntei-me, de sobressalto, se o Belo havia se apartado de mim, o que significaria uma espécie de morte, e ouvi o vento arrastando uma folha seca contra a calçada do outro lado rua. Eu sabia. Era uma pata de vaca retorcida pelo tempo, e que resistia ao assopro invernal se agarrando ao chão com suas pontas aduncas.

Depois de tomar água, liguei o fogo para o café. Quando a água começou a roncar na caneca, eu rascunhei num papel que “O inverno espectral está de partida. A primavera, ainda velada, apronta o broto. O Belo canta a morte e também a vida.”

No terraço, tomei café sob a luz prata da lua decrescente. Desci-o e passei reto do rascunho. Enquanto o note estava sendo ligado, voltei-me à escrita e... “A primavera está compreendida no inverno. Pólos de uma só energia. O nada é um campo de força”.

Foi Chopin que me veio à mão. Coloquei o “cd” para rodar e voltei ao lápis e papel. “O Todo em cada verso é música e não um poema, um poema sinfônico. Pura Poesia.”

Finalmente, ccm o computador ligado, abri o editor de texto. Na página em branco (o nada), finalmente a consecução da prática criativa. A madrugada, o nada, a folha seca sendo arrastada pelo vento na calçada, os preâmbulos sonambulicos, o café sob a luz prata... Chopin.... agora, a composição´poética.

Sem nada saber, e apenas com a certeza absoluta da criação artística, com as mãos paradas sobre o teclado, pensava em procurar, à luz do dia, a incidental folha seca para fotografá-la e juntá-la aos versos a compor. No final da tarde, depois de ver centenas delas, encontrei uma que se integrava tão perfeitamente àquela madrugada, ao  poemeto então composto, que mais uma vez me vi só como um instrumento.

Folha seca
Oh, quero cantar,
e canto, canto co’a voz,
a voz que canta em mim

Terminado o rascunhão do texto daquela madrugada, novo incidente: uma mariposa inteiramente preta entrou pela janela. Novo tema para nova postagem que há de vir.

A árvore (pata-de-vaca) em foto no fim de tarde, e tirada do terraço da minha casa


Jairo Ramos Toffanetto