domingo, 30 de janeiro de 2011

... e pezinho do bebê é de lã


Criatividade é dar Luz
(M. Regina B. Toffanetto)

Alguém disse corretamente que o pensamento nos diferencia dos animais, mas sem uma mão capaz de se articular habilmente com a mente, eu não poderia digitar este texto.

O pensamento encontra limites e necessidades a serem superadas muito além do que os instintos nos possam levar. Ele domina a energia instintual e a direciona de modo a alcançar o que precisamos com o menor esforço físico-mental possível. Se somos o que pensamos, constituímo-nos muito mais do abstrato, da não matéria, do que possamos imaginar. Transformar idéias em matéria, é o que nos torna especiais, únicos, criativos. Nosso espírito é puramente inventivo e de labor ativo.

Então, qual a razão do espírito fundir-se ao corpo biológico afeto ao mundo tridimensional da matéria? Obviamente para dominá-la. A matéria só é dominada quando trabalhada com leis universais da física, da química, da matemática... mas, sobretudo, obedecendo princípios filosóficos eternos, afinal, somos puro espírito.

A humanidade ainda não construiu um Mundo Bem Melhor porque cada passo evolucional tem levado mil anos, e é assim que inexoravelente caminhamos de volta para a casa do Pai. Galáxias inteiras não param de ser criadas,
mas a humanidade...
vai "só no sapatinho"
dando um passinho

Só não contaram para ela que a fase do sapatinho de lantejoulas acabou, mas o que fazer se o breu ainda é preciso como luzes da ribalta!

Somos pura idéia. Espírito essencialmente criador. Somos a criatividade que está em nome do Pai. Somos filhos da luz.



...e o pezinho do bebê é de lã.


Jairo Ramos Toffanetto

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

IDÉIAS versus CRIATIVIDADE

 
 “Criatividade é dar luz”

Ma Regina B. Toffanetto,

especialista em criatividade




A imagem  acima foi extraída da Internet

Muito se fala sobre a criatividade no trabalho. Certos especialistas dizem que ela se deve à paixão pelo que se faz. Mas a paixão é um fogo que se consome rápido, e a rotina, por mais dinâmico que seja o profissional, pode acabar com ela. Já o amor é um estado em permanência, e nele reside inúmeras virtudes que o tornam uma fortaleza: a paciência, a perseverança, a temperança, a humildade...


É egocêntrica a ação do apaixonado, e sua visão é unilateral. No afâ do que faz, ele só saberá o que criou depois que seu fogo apagar. Paixão se consome rápido demais e, no fim, necrosando seu objeto de criação com perda de tempo, materiais e dinheiro, perde o emprego.

Amar o que faz é se desenvolver com equilíbrio dentro de um processo de altos e baixos, ou seja, na alegria e na tristeza. O apaixonado, preso em seu mundo de idéias brilhantes, só trabalha para si mesmo e, no fim, acaba por se confundir com a massa acinzentada em cima do muro e a reclamar dos que estão em campo para marcar o gol.

Quem ama compreende. Só quem compreende pode ser útil no ponto em que o meio mais precisa, e é nesta razão que a criatividade responsável está. No estado de amor ao trabalho, e que significa amor à vida, é que se chega ao mundo das idéias para fundí-las em benefício do trabalho de todos e, em decorrência, em benefício da empresa. Idéias trazidas ao mundo das formas exequíveis, integrando-as à realidade comum do dia-a-dia onde se abre novos espaços, ares e cores e, sobretudo, demonstrando que - sim - é possivel dar a luz em razão do amor ao trabalho, um processo com começo, meio e fim.

Obs.: Esta postagem se deve em contribuição ao tema apresentado com o título "A Era do Conhecimento"

Jairo Ramos Toffanetto

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A Era do Conhecimento


O trabalho na sociedade do conhecimento. Trata-se de uma nova sociedade? Que valor a criatividade e o pensamento têm nesta sociedade? Podemos falar de novos modelos de negócio, novas formas de criar e se apropriar de valor, em resumo, uma nova forma de se trabalhar? Assista ao programa editado exibido na TV Cultura.

domingo, 23 de janeiro de 2011

O Passarinho Despertador ou........ Coincidências?

“Os poetas são os pássaros”
João Dias Carrasqueira (um mestre da flauta)
em sua composição ‘Os Pássaros e a Bruxa Chorona’

Na terça-feira (18.01.11) me levantei junto à barra clara do dia, na primeira luz sobre o que estava sob o manto escuro da noite. Desci do terraço depois de recompor um “lá-lá-lá”que me veio à mente assim que saltara da cama, uma intervenção coralística em uma velha canção dos anos setenta.

Fiz um café enquanto ajustava minha vocalização daquele trecho musical. Havia dificuldade nisto porque um outro coro fazia suporte ao coral principal, enfim, eu concebia uma espécie de recriação. Ao me sentar na soleira da porta da cozinha com a xícara na mão, vi-me assobiando aquele divinal "lá-lá-lá" quando, no meio da execução, ocorreu um incidente musical: um joão-de-barro soltou três sons canoros.

Escrevendo sobre isto na boca da noite do dia seguinte (quarta-feira), ao digitar a palavra "passarinho" ouço novamente o mesmo trinar canoro. Até ouvi-los (o da manhã anterior e o desta tarde), não tinha observado nenhum outro pássaro a gorgear.

Eu sempre senti estes cantares como beijos dados na manhãzinha, bem na face do dia, na benção vinda à luz. Agora eu sabia: o canto dos pássaros são beijos da manhã passado adiante. Oh, aquele passarinho me concedera a oportunidade de receber um beijo destes, reverente à luz da manhã. Logo viria o arrebol e, depois, raios dourados de sol a cintilar cores da terra. O dia é vida terrena, bela como ela só. A noite é vida celeste, eternamente bela.

Naquela manhã, a sincronia do meu assobio com o alvissareiro canto, fez-me sentir em fusão com a natureza, uma energia de integração. A consciência daquele instante mágico, poético, divinal, desconectou-me daquele estado fenomênico para me gerar um sentimento de profunda gratidão e que se estendeu até o sol a dois dedos acima da linha do horizonte, enfim, um sentimento que eu podia carregar pelo dia todo e, como o Joãozinho Despertador, passá-lo adiante, e até os confins do cosmo.

Em tempo:
Assobiei o referido trecho musical para o meu filho Yuri depois de lhe perguntar em que disco do "Yes" ela estava, pois nada mais me lembrava dela. Ah como é bom ter um estudante de música em casa, e especialmente com a memória de um canceriano. De pronto ele me disse o nome no LP e a faixa. É a "South Side Of the Sky" do disco "Fragile" do grupo "Yes". Pois ele buscou na Internet a partitura do tal "lá-lá-lá", e pede para avisar que são notas ao piano de apenas uma parte dela.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Vista celeste

No fim da tarde de segunda feira (17Jan11), a Regina e eu voltávamos pra casa pela avenida Fernando Arens quando, entre as esquinas com a Rua Major Lacerda, pararmos no meio da rua para contemplarmos o que se desenrolava no céu a partir do horizonte leste. Um fato suave e belo, raro de se ver e que, dado à emoção gerada, inscreveu-se em nossos "eus".

Ao olhar para o lado esquerdo à procura do céu a horizonte leste, surpreendi-me com a lua cheia sobre um delicado fundo azul. Ainda sob a luminosidade do dia, a vibração de sua cor era a mesma das nuvens adjacentes a ela. Ao mostrá-la pra Regina, notei que um avião se aproximava. Alertando-a sobre ele, disse-lhe que algo pouco comum estava prestes a ocorrer. Esperamo-lo por um instante e pronto: o avião passou sobre a lua ao fundo. 

Parados no meio da rua e com os carros se desviando de nós, ficamos ali, bebendo daquele céu, e até que a Regina, tão extasiada quanto eu, exclamou um "Uau!"

Eu só poderia fotografar aquele instante se já estivesse com a máquina preparada na mão, mas não precisava não. Alguns registros de imagens só pertencem ao coração. Ocorrem quando estamos em estado de graça, ou ao que podemos chamar de felicidade. O avião continua passando por aquela divinal vista celeste, continua encontrando-se ad aeternum com a lua. Não é uma imagem que ficou, mas um estado de delicadeza que se expandiu em nossas almas.

Em tempo:
1. Na rua em referência, a Major Lacerda, e as quatro esquinas formadas com a Av. F. Arens, há uma árvore na esquina sul que a batizei pelo nome de Maria Regina (ver postagem “Quarta-feira, 21 de julho), e o surpreendente foi que ao rolar a tela à procura da data desta postagem, vi que a foto da postagem “Sentimento do Belo” (Domingo, 08 de agosto) também foi tirada na R. Major Lacerda, no quarteirão entre a Av. F. Arens e a Av. S. Paulo.
2. Ilustrações extraída da Internet com ajuda na caça de imagens pelo meu filho Yuri N. Toffanetto (19).

Jairo Ramos Toffanetto

sábado, 15 de janeiro de 2011

A peneira de Sócrates

Há uma parábola chinesa que diz estarmos numa ponte rasa junto à superfície de um rio. Um rio que traz muitas coisas, e que ali você pode pegar o que mais precisa. Todavia, nesta ponte rasa pegamos quase tudo que chega às nossas mãos, inclusive os desafetos, por exemplo. Tem gente que, pegando tudo o que pode, junta tanta tralha que não consegue mais sair dali porque o peso sobre as costas é muito grande.

Sócrates gostava de ir à feira só para constatar o tanto de coisas que ele não precisava para viver, e quando vinham com conversa mole prá cima dele, usava a metáfora das três peneiras (veja-a na Internet). Ele não iria para a ponte rasa do citado rio, mas entrava nele com o nível da água não além da altura das canelas, ou até onde pudesse ver os pés no chão, e ali passava a única peneira que tinha. Afinal, a verdade está em águas calmas, calmas e claras.

Ele sabia o que retirar do rio:
a Verdade que ele ainda não conhecia.

A Verdade não está nas profundezas ignotas dentro de uma arca recoberta por musgos e com um tesouro dentro, mas em seu movimento desde a fonte até o mar, renovando-se sempre. Absoluta e fluídica como a Verdade é, ela sempre passaria por sua peneira, assim como a sempiterna Bondade.

Você não pode pegar a Verdade para ficar só com você. Ela não passaria pela por aquela metafórica peneira: as nossas verdades pessoais, e Sócrates era um filósofo, não um sofista. Se a peneira pegasse algo muito igual à Verdade ou muito igual à Bondade, não poderia ser nenhuma das duas, porque elas estão integradas uma dentro da outra. A Verdade é lei universal até os confins do cosmo. A Bondade a plenifica, é a Paz. Uma é o uno, a outra é o Todo. 

Dar Utilidade a estes princípios eternos significa cumprir a razão do porque viemos à vida na Terra. Uma questão de conduta filosófica. Enfim, Sócrates de tanto bater peneira no rio, tornou-se o rio: puro espírito que dança.

Mas se você está sobre a ponte rasa, é preciso, pelo menos, saber porque ainda lá estás.

Jairo Ramos Toffanetto

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

BLAU-BIAL-BLAU

Deu branco na cor da vergonha.
Esta que já era pouca, um esmaecido rouge, se não desapareceu de vez, virou artigo em desuso. O que pega é a moda dos desavergonhados. Impera a exploração da condição humana, e quanto pior, mais indígna, mais audiência tem. È como uma febre, uma pandemia nacional. É de assustar o tamanho do mórbido desejo de invadir a intimidade dos outros. Como a televisão brasileira pode importar esta doença?   
E os valores, a vergonha... blau-blau!!! 
Viva a preguiça mental.

Um novo bando de beócios estão aí para, mais uma vez, rebolar na frente de câmaras de televisão com um copinho de uisque nas mãos, enquanto no país, uma população do tamanho do da França continua a passar fome e toda sorte de necessidades. Uns na espuma da champagne, vivendo a decadência sem antes alcançar o patamar da civilição, e outros morando junto à espuma de córregos fétidos. Tem gente com fome, crianças sem futuro, famílias se desmoronando na penúria...

Alguém pode me dizer se algum dos vencedores - os virtuais heróis nacionais - destinou para alguma ação social pelo menos uma pequena parte do dinheiro ganho na frescura? Parece que o dinheiro é um prêmio para fortalecimento do ego de uma minoria estúpida: capa da Playboy, papel em novela, badalações da hora e a vez... Definitivamente, programas como o BBB e congêneres (A Fazenda) só descontróem.

Ontem, segunda-feira, no chamado horário nobre da televisão, apareceu um BBB à frente das câmaras se anunciando capaz de tudo para ser o vencedor do programa que começa hoje. Depois de dizer bandalheiras próprias de desavergonhados, conclui que se encostaria na mais "feinha" para ganhar pontos com a audiência que decide, e a chamaria de linda, de meu bem. Devo me parecer muito antigo, ultrapassado, para denunciar a total falta de respeito para com o próximo. Este é o perfil dos candidatos e do programa. Depois desta, desliguei a máquina do lixo da condição humana e me voltei para a leitura do livro "A História Sincera da República", de Leôncio de Basbaum.

Não se fala de sonho, não se fala de ideal, mas...
o que esperar do vai e vem das alcovas
E Viva, Viva a banalidade!
Ninguém merece, mas a televisão brasileira vai de banlidade a banalidade e, por isto mesmo, ajudando que se perca o sentido da vida.

Que história é esta de responsabilidade social nas novelas?   
Só fachada.
A TV é uma irresponsável
contadora de histórias. 
Uma criminosa máquina de iludir que nossas crianças e nossa juventude não merece.

A imagem acima não é a de um televisor, mas do que a televisão se
tornou: uma máquina de derreter cérebros. 

Jairo Ramos Toffanetto

domingo, 9 de janeiro de 2011

A presença de meu velho e bom pai.

(Continuação da postagem de 1º de janeiro de 2011) 

       Curioso como meu pai sempre achava bolinhas de borracha em diferentes tamanhos pelas ruas por onde passava. Alegremente ele as entregava aos netos, pois sabia que a diversão era garantida, seja pelos saltos espetaculares e demais diabruras da bolinha, seja pela criatividade de jogos inventados pelos meninos e também pelas inúmeras possibilidade de desenvolvimento da coordenação motora.

. . .

       Dois dias antecediam o almoço de Natal. Conforme combinado com minha mãe, levava-lhe um peru para descongelamento e preparo. De bicicleta e com o peru dentro de uma mochila, na verdade uma enorme pedra de gelo às costas, e que me obrigava revezar as mãos como um anteparo de proteção. Já nos primeiros cem metros – eram nove quilômetros a percorrer sob um sol à pino – pensei em voltar para tomar um ônibus, mas me ocorreu que deveria haver alguma boa razão para aquilo. Eu tinha uns quarenta minutos para encontrá-la pelo caminho. Enquanto a buscava, recordava-me dos natais celebrados com minha família na casa dos meus pais enquanto ele, o Sr. Orlando, estava vivo.

       Era a primeira vez que eu levava um peru de festim para a casa dos meus pais. Das outras, como num ritual, eu cuidava de levar a champagne e o refrigerante. A Regina aprontava a maionese e a sobremesa. Os meninos levavam jogos para brincarem com o “vô”. Que o fato de eu levar o peru pudesse significar a representação da ausência do meu pai, parecia-me uma razão óbvia demais.

       No último – quatro anos atrás – foi a minha mãe quem nos abriu o portão. Entrei pela casa à procura do meu velho e bom pai. Fui encontrá-lo no andar de baixo, na cozinha, de avental, fatiando o peru de natal. No dobra da escada o chamei por pai, e ele me sorriu com um semblante divino, estampado de bondade. Ele estava iluminado, parecia brilhar felicidade. Todos os seus gestos, tudo o que fazia ou dizia, tudo, tudo ritualesco, um sacerdócio.

       Pedalando a bicicleta e remontando as imagens daquele dia de celebração, tive para mim que aquele fora um dia perfeito para ele. A Regina, sentindo algo parecido, disse-me na volta para casa:

       - Jairo, tive a impressão de que o seu pai estava se despedindo.

       - Como foi esta impressão?

       - Ah! senti isto desde que o vi, mas especialmente quando no fim da tarde o chamei para provar o bolo com cobertura de maracujá que acabara de tirar da geladeira.

       Por causa dos meninos, meu pai, como num ritual, sempre reservava ou um pote de sorvete para depois dos almoços de domingo, de modo que a sobremesa sempre é deixada para a despedida, É nesta hora que nos Natais deixamos para abrir a champagne. Como os meninos preferiram o sorvete, e a Regina lhe dizendo que a sobremesa havia sido feita para ele, meu pai, tomando a sério estas palavras, numa sentada, comeu quase todo o bolo.

O vovô e o netinho
O meu pai e o Yung quando ainda bebê.
       Tentei distrai-lo perguntado sobre o seu Corinthians, mas ele, pela primeira vez, não demonstrou nenhum interesse em conversar sobre futebol. Falecera trinta e três dias depois, um dia após seu aniversário, e sepultado no dia do aniversário da Regina.

       De volta à antevéspera do Natal, nos quinhentos metros restantes para chegar com o peru à casa de minha mãe, parei com as reminiscências e deixei a mente livre para que o significado daquela Natal em especial se apresentasse. Faço algo parecido quando sinto uma vontade enorme de escrever um poema, só que não tenho idéia nenhuma a respeito, e apenas a certeza absoluta de expressar aquilo que eu nada sei a respeito, e quando isto ocorre, geralmente por um incidente qualquer, é inominável o prazer que isto me proporciona.

       Abandonei a calçada e atravessei a rua em perpendicular à avenida para, à frente de um canteiro sombreado, refrescar-me um pouco. Aproximava-me dele quando notei reflexos de luz ao chão. Um raio de sol atravessara a copa da árvore incidindo sobre um objeto redondo. No exato momento em que o identifique, exclamei com a imagem do pai sorrindo em minha mente.

       - Ah, mas é uma bolinha de borracha!!!

       - Ah, mas é uma bolinha de borracha!!!


A presença do meu pai era, pois, o significado daquele Natal. Um presente para mim. Para ele, o maior presente sempre foi o da “união” da família.

Meu pai, obrigado pela tua passagem em nossas vidas.

Em tempo:
Ao encontrar a bolinha de borracha, e antes que meu cérebro pudesse identificá-la como tal, o que primeiramente vi foi um refração de luz. Agachei-me para pegá-la. Ao me levantar foi que percebi estar de frente a uma esquina por onde começa o cemitério do Parque dos Ipês, e onde o corpo do meu pai foi sepultado.


Jairo Ramos Toffanetto

Procuro um(a) revisor(a) da ortografia e sintaxe para os textos deste blog.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Natal na casa da vó - fotos do Yung

Disse para o Yung:
- Passarinho só toma um pouquinho de champagne.
Judiação... foi bobagem minha... a champagne, isto é, um vinho de maçã, era sem álcool!!! Não sei porque pai tem esta predileção para ser chato.

Ninguém sabe o quanto é difícil fotografar um passarinho.

Pois ele, pegando a taça,
pediu licença e subiu para a
a sala de estar, e lá
fotografou-se tomando 
só um pouquinho de champagne,
como um passarinho.

De volta ao repasto, ele fotografou a concentração
sobre o abençoado pavê de morango da vó. 
Olha aí o passarinhão bondboca que, sozinho, devorou meia tijela.
Também, foram contar para ele que havia mais outra na geladeira!!! 



 Enfim,
foi um dia de Natal tão leve quanto feliz.
O meu pai, Sr. Orlando, já falecido, também esteve presente neste Natal, mas isto já é uma outra história que, se der, conto-a ainda hoje.


Que a chama do Menino Jesus possa se manter acesa no coração de toda a humanidade.
Um Feliz 2011 para os homens de boa vontade.

Jairo Ramos Toffanetto

sábado, 1 de janeiro de 2011

Um sonho feito do pó das estrelas















 

Sob o manto escuro da noite a barra clara do dia escapa da pálpebra. Do violáceo aos lilases, passarinhos anunciam um sonho da idade do eterno.

A íris é um arrebol vivo como sangue. Raios de sol escapam da pupila do sempiterno. Delicados fios de ouro a tecer a manhã, obrar o dia quintessencial.

O dia é bebê, pula do berço, brinca e rola no vale das almas. Sol menino corre pelas relvas se resvalando por flores do campo ainda úmidas de sonho. Sobranceiro e fecundo, alcança o meio do céu e toca o outro lado da montanha.

Aos beijos do sol, o horizonte se mancha com o batom da boca da noite. O Sol entra em confraria estelar, há um grande sonho, laboração. 

A íris crepuscular se fecha, a pupila se expande, a poesia descansa no presente eterno. A filosofia que, para além do firmamento vem, agora, sob a luz prata da lua em manto de estrelas. O sagrado se expande. Os confins do cosmo está aqui.

Somos uma idéia estelar, cores e canto, espírito do sonho. Sonho num grãozinho de terra, do pó das estrelas, e que um Poeta Maior nos ensinou nominar: "Um Mundo Bem Melhor"

Jairo Ramos Toffanettos