quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sentimento desta manhã

Acordo e olho para a janela fechada. A luminosidade que nela chega é diferente. Pulo da cama e me encaminho ao terraço da casa. Já nos primeiros degraus da escada de acesso, um gotejáo choca-se contra minha testa. Segue-se uma repentina chuva grossa.

Ligo o computador e ponho água pra esquentar. Daí para o café, penso em como expressar o que acabara de sentir. O incidente do gotejão... A sensação de receber a primeira gota dentre um milhão delas... os sentimentos que se seguiram...

Ao me sentar para digitar, ouvi um trovão distante. Foi o primeiro a se ouvir por todo o inverno. Anunciava a primavera. Dizia-me dos botões velados, da proximidade da primavera, como um prólogo antecedendo a obra. A chuva no telhado... o ruído das rodas dos automóveis espalhando a água do asfalto... tudo potencializava o sentimento que eu me preparava para expressar.

A natureza... o belo é sempre um fenômeno, um estado de movimento contínuo, permanente. Penso no Criador e a geração da vida, inclusive a da nossa existência. Uma decorrência da sua Bondade infinita, incomensurável para nós.

Enfim, naquele gotejão estava a oração de Francisco de Assis, ou São Francisco de Assis, e isto é tudo:

ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO ASSIS


SENHOR, fazei de mim um instrumento de vossa Paz.

Onde houver ódio...................... que eu leve o amor.

Onde houver ofensa................... que eu leve o perdão.

Onde houver discórdia............... que eu leve a união.

Onde houver dúvida................... que eu leve a fé.

Onde houver erro....................... que eu leve a verdade.

Onde houver desespero.............. que eu leve a esperança.

Onde houver tristeza.................. que eu leve a alegria.

Onde houver trevas.................... que eu leve a luz.



Ó Mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado,

compreender, que ser compreendido,

amar, que ser amado.



Porque é dando que se recebe,

e perdoando que se é perdoado,

e é morrendo que se ressuscita

para a vida eterna. Amém.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Nara Leão - O Barquinho

Composição de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli


Nara, a musa da bossa-nova.

Julio Cortázar - "Papéis Inesperados"


(Este texto foi extraído de um catálogo que Cortazar escreveu para a exposição de Otano, 1949)

“Coisa boa é pintar, se servir para despintar-nos da má pintura que cobre a realidade ensinada e nos deixa com a alma polida a Duco.

… Temos muitíssimas pálpebras, e, no fundo, e perdidos estão os olhos. A lista de pálpebras – que continuo descobrindo e classificando – inclui a instrução primária, o contrato social, a tradição, o culto aos antepassados sem discriminar entre os meritórios e os idiotas, o realismo ingênuo, a esperteza, o ninguém vai e engambelar, a necessidade de combinar com o guarda-roupa provençal, o cinema e Vasari. As pálpebras são muito úteis porque protegem os olhos; tanto, que afinal não os deixam despontar para beber o seu vinho de luz. Otano, com grandes alicates, começou a arrancar pálpebras. Ai, dói; e como. Parece que faz ver estrelas.

Os olhos são para ver estrelas. “

Julio Cortazar, papéis Inesperados, 2010, ed Civilização Brasileira

Em tempo:
Cortázar é considerado um dos autores mais inovadores e originais de seu tempo, mestre do conto curto e da prosa poética, comparável a Jorge Luis Borges e Edgar Allan Poe. Foi o criador de novelas que inauguraram uma nova forma de fazer literatura na América Latina, rompendo os moldes clássicos mediante narrações que escapam da linearidade temporal e onde os personagens adquirem autonomia e profundidade psicológica inéditas.

Seu livro mais conhecido é Rayuela (O Jogo da Amarelinha), de 1963, que permite várias leituras orientadas pelo próprio autor.

Cortázar inspirou um grande número de cineastas, entre eles o italiano Michelangelo Antonioni, cujo longa-metragem Blow-up foi baseado no conto As Babas do Diabo (do livro As Armas Secretas).

Belisque-me para ver se estou acordado

No domingo que passou

Em geral eu acordo com a barra clara do dia. Deixo a água esquentando para o café e vou para o terraço ver o que estava sobre as sombras da noite. Esperando o arrebol, ligo o leptop, acordo os meninos, faço a barba, e sempre atento ao céu da manhã, aos pássaros com seu canto beijando a manhã, e os ruídos que me chegam da rua, dos saltos batendo apressados na calçada, do trânsito já nervoso... enfim, com uma xícara de café às mãos, fico lá... diante dos primeiros raios de sol nascendo dentro de mim. Com o corpo na posição de estrela, inicio uma respiração, na qual, com os braços para o alto, toco o céu com as palmas das mãos.

Às vezes sou surpreendido com alguém me observando. Quando assim, vejo se ela ao menos levanta os olhos para o céu. Como isto nunca ocorre, aceno-lhe com a palma da mão, transmitindo-lhe um raio de sol. Elas se parecem encabular como que se eu invadisse sua privacidade. Sorrio. Desço do terraço e ajudo os meninos esquentando pão na chapa, ou ajudando a procurar alguma coisa de última hora. Às vezes, até abro o portão para lhes facilitar a saída.

Finalmente, diante do computador, faço alguma postagem para o meu blog. Se tenho que dar texto, nem sempre consigo finalizá-lo e o deixo para depois do almoço. Hoje pretendo postá-lo antes de sair. Ocorre-me de inserir alguma foto do amanhecer. O Yung tem um arquivo enorme delas.

Neste domingo, chegando ao terraço – a escada me leva para o norte – e antes de me virar para o leste, observei que no prédio imediatamente à esquerda não havia uma única sacada sem ter alguém diante da alvorada. Nos outros, em cada janelinha dos fundos havia uma cabecinha voltada para leste. Ao fazer a minha costumeira respiração, voltei-me para trás e observei que todos acompanhavam meus movimentos. Fiquei muito feliz. Senti-me um personal-training-do-sol-levante. Corri pra o fosso da área de serviço e chamei pela Regina que estava para dentro de casa. Ela precisava ver aquilo, afinal, parecia-me surpreendente demais.
- Regiiináaa...
- Que foi Jairo?
- Sobe pro terraço rápido.

Rindo, ela me perguntou sobre o que estava acontecendo no terraço.

Ouvindo-a rir, era o sinal de que eu estava sonhando. Olhei pra janela e vendo muita luz sobre ela, certifiquei das horas. Era domingo, sete horas e dez minutos.

As pessoas, sempre tão cheias de afazeres nos dias da semana, podiam mesmo, no domingo, darem-se ao luxo de esperar o nascer do sol, afinal, ele nasce atrás dos montes. Acho que já da primeira sacada dá até pra ver o trenzinho os circundando. No caso de ele apitar, a magia se potencializa. Não, não perderiam os espetáculo de cores e luzes por nada deste mundo, pois para o outro lado do prédio, o crepúsculo se dá para o alto do bairro da Vila Progresso, impedindo-o de ser observado sobre os platôs da Serra do Japi.
Finalmente, este texto já está pronto para ser postado, e em tempo hábil de pegar a minha bicicleta e em sete minutos chegar ao trabalho – considerando o trânsito, levaria o mesmo tempo se eu fosse de carro. Palavra chata esta: carro. Carro ou automóvel, sinto-me melhor de bicicleta, pois ela roda dentro do meu tempo natural. Enfim, desta vez vou postar sem que volte para alguma reformulação de texto, ou acerto ortográfico ou de sintaxe. Sinto falta de um revisor(a).

Jairo Ramos Toffanetto

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Stevie Ray Vaughan - Lenny (Live 83)


Uma obra de arte para o blues.
Stevie Ray a compos para Lenny, sua mulher:


As iniciais S.R.V no escudo da guitarra, foi colocado
pela  "Fender" como marketing comercial.

Cecília Meireles

Não digas onde acaba o dia.
Onde começa a noite.
Não fales palavras vãs.
As palavras do mundo.
Não digas onde começa a Terra,
Onde termina o céu
Não digas até onde és tu.
Não digas desde onde és Deus.
Não fales palavras vãs.
Desfaze-te da vaidade triste de falar.
Pensa,completamente silencioso,
Até a glória de ficar silencioso,
Sem pensar.



"Bem os vejo" - Poema




domingo, 28 de agosto de 2011

Tom Jobim+Vinicius de Moraes+Toquinho+Miúcha

Joel Nascimento e Rogério Caetano - Alvorada


Céu azulzinho,
domingo de manhã 
é sempre de "chorinho".

"Alvorada" por Carlos Cachaça

Composição de
Cartola, Carlos Cachaça,  e Hermínio Bello de Moraes.


O belo, assim tão belo brota lágrimas. Neste samba com Carlos Cachaça é difícil ficar sem elas. O belo se chama Poesia.


"Alvorada

Alvorada lá no morro, que beleza
Ninguém chora, não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo
E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo
( a alvorada )
Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida
E o que me resta é bem pouco
Ou quase nada, do que ir assim, vagando
Nesta estrada perdida."

sábado, 27 de agosto de 2011

Manuel de Falla - "El amor brujo" (Danza ritual del fuego) - Barenboim


Bela música. A alma humana descrita pelo viés mágico.
 

Villa-Lobos: Bachianas Brasileiras No. 5, Aria (Cantilena) com Bidú Sayão

Quando - em algo celestial - o belo sobrepuja uma dor incalculável
"Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente.
Sobre o espaço, sonhadora e bela!
Surge no infinito a lua docemente,
Enfeitando a tarde, qual meiga donzela
Que se apresta e a linda sonhadoramente,
Em anseios d’alma para ficar bela
Grita ao céu e a terra toda a Natureza!
Cala a passarada aos seus tristes queixumes
E reflete o mar toda a Sua riqueza…
Suave a luz da lua desperta agora
A cruel saudade que ri e chora!
Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente
Sobre o espaço, sonhadora e bela! "


Para esta música, Bidu Sayão (1902-1999)
é a referência de todas as sopranos .
 Toscanini, seu admirador, referia-se a ela como
la piccola brasiliana.

Copenhagen Central Station. Ravel's Bolero.


Orquestra Filarmônica de Copenhagen (Sjællands Symfoniorkester), , na Estação Central de Copenhagen, Dinamarca, durante uma "apresentação relâmpado" gravado no dia 02 de maio de 2011.

Um gesto poético...
...destas coisas belas, de pacificar o espírito,
e com a força em crescente desta música.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

"O Belo nos vê quando o vemos"

Foto: Gustavo Tonolli - gentilmente cedida para esta postagem.
"O Belo nos vê quando o vemos"

                                        Jairo R. Toffanetto

Os Cariocas - Samba do Avião (Tom Jobim)


Ouvir este clássico da bossa nova com Os Cariocas
é de um prazer indescritível. O belo!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Stevie Wonder with Jeff Beck: 2009 Concert: Superstition


Um show de talentos e feeling musical.

"Nem criado-mudo”

"Nem criado-mudo”


não há canto mudo
nem Criador ausente
o planeta segue rumo
do sempiterno presente

a dor ferida
expirou perdida
sobeja terna alegria
entusiasmo, Poesia

o Eterno quem quiz
o teu abraço feliz
se criado pelo Belo
o teu gesto poético

estar no grande sentido
Selar, eis o que quero

                             Jairo R. Toffanetto

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Centro Cultural Tao Sigulda - Venha visitar

*A arte é a caligrafia da alma"
(Tao Sigulda)


25 ANOS - CENTRO CULTURAL TAO SIGULDA
ESTRADA DO MIRANTE, 1440 FIGUEIRA BRANCA
DIVISA DE CAMPO LIMPO PAULISTA COM JARINU (SP-BRASIL)
ENTRADA DA ROD.MAXIMO ZAMBOTTO KM 63,5
CAIXA POSTAL 88 - CEP 13230-970- CAMPO LIMPO S.P
TEL/FAX: XX11/ 4038-7658 (com Tama Sigulda)
www.taosigulda.com.br
tao@taosigulda.com.br

A estrela mais linda do céu

(Acordando com as estrelas do céu – 2)

       - Vamos, filho, acorda. É domingo, lembra? Você me pediu para te acordar com as estrelas no céu?
       - Eu quero ver a minha estrela.
      - Então pula da cama porque... venha olhar, você está acordando com as estrelas no céu.
       Ao sentar-me na cama, o Sr. Orlando, meu pai, enrolou-me num cobertor e me levou pro quintal de casa. Deitado nos braços dele, perguntei-lhe:
       - Cadê a Lua?
       - A Lua só volta amanhã. Atravessou o céu e foi embora.

       Enfim, depois de acompanhá-lo em inúmeros preparativos matinais, saímos pra rua de mãos dadas .
       - Papai, já tá ficando dia, vou perder de ver a minha estrela.
       - Te garanto que você verá a tua estrela.
       - Prá onde estamos indo?
       - Indo pra nos encontrarmos com a tua estrela.
       - Aonde ela está?
       - Virando a rua, e depois de contornarmos o Matão (um pequeno bosque).
       - Eu não entendo, papai. Ontem a Lua estava em cima do telhado. 
       - Olha, meu filho, a tua estrela vai nascer atrás do Matão.Vamos apertar o passo para chegarmos à tempo de ver a sua estrela nascer?      
       - Papai, porque o céu está tão colorido?
       É porque a sua estrela está chegando. É a estrela mais linda que tem no céu.

       Contornamos o Matão em silêncio. Lembro-me de ter tropeçado algumas vezes. Eu não me cansava de olhar para os desenhos do céu colorido. Ao chegarmos diante de uma área aberta, meu pai soltou a minha mão e, pondo-se de cócoras, disse-me:
       - Agora é só esperar.
       Eu queria falar com o meu pai, mas estava estupefato por ver uma única estrela no céu. Admirava-a em silêncio.

       - Papai que estrela é aquela?
       - É a Estrela Matutina, a estrela que só vai embora quando o sol nasce.
       - É a minha estrela, papai?
(continua)

Jairo Ramos Toffanetto

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Poema de Fernando Namora - Noite

Ó noite, coalhada nas formas de um corpo de mulher
vago e belo e voluptuoso
num bailado erótico, com o cenário dos astros, mudos e quedos.

Estrelas que as suas mãos afagam e a boca repele,
deixai que os caminhos da noite,
cegos e rectos como o destino,
suspensos como uma nuvem,
sejam os caminhos dos poetas
que lhes decoraram o nome.
Ó noite, coalhada nas formas de um corpo de mulher!
esconde a vida no seio de uma estrela
e fá-la pairar, assim mágica e irreal,
para que a olhemos como uma lua sonâmbula.

Fernando Namora (1919 - 1989) foi um romancista e poeta português dotado de uma profunda capacidade de análise psicológica, a que se aliou uma linguagem de grande carga poética.

JEAN-PAUL SARTRE (frase)



O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós. (Jean-Paulo Sartre)



domingo, 21 de agosto de 2011

Carlos Malta - Upa Neguinho - Heineken Concerts - 2000

 Teatro Alfa - 07/04/2000 - São Paulo
 Gravação: TV CULTURA - São Paulo
 Canção de Edu Lobo - Upa Neguinho.

Uma concepção musical extremamente criativa, original.



Pru Que? de Pompilho Diniz (R. Boldrim)


Pompilho Diniz, um grande poeta, um poeta matuto que inseriu a liguagem caipira no meio da literatura de cordel.
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Oscar Peterson - Summertime

Composição: Dubose Heyward / George Gershwin / Ira Gershwin


Desta composição de Gershwin, duas interpretações me fascinam, e porque são insuperáveis para mim:  a vocal com Janis Joplin e o piano de Oscar Peterson. A da Janis, especialmente ao vivo, é embriagante, toma o seu ser, levando-o para o sentimento do Blue (Hush, baby, baby, baby, baby, baby,No, no, no, no, don't you cry.Don't you cry!), e de um contexto que vem desde as plantações de algodão. Por outro lado, com Peterson, é um requinte sonoro musical, um gosto de felicidade, de realização pessoal, humana, em equilíbrio. A virtuose posta pelo prazer e a serviço da generosidade. Nas notas mais agudas, a síntese da linguagem jazzística que me apaixona. Recomendo que se ouça as duas versões, de Janis para Peterson.

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sábado, 20 de agosto de 2011

Aquarela en español - Toquinho




Paulo Leminski - Haicais


Paulo Leminski (1944-1989)
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“Nesta vida, pode-se aprender três coisas de uma criança: estar sempre alegre, nunca ficar inativo e chorar com força por tudo o que se quer."



"Só uma nuvem
te separa
das estrelas"

"tudo dito,
nada feito,
fito e deito"

"jardim da minha amiga
todo mundo feliz
até a formiga"

"soprando esse bambu
só tiro
o que lhe deu o vento"


Desde muito cedo, Leminski inventou um jeito próprio de escrever poesia, preferindo poemas breves, muitas vezes fazendo haicais, trocadilhos, ou brincando com ditos populares.

Heitor Villa-Lobos - Prelúdio n.o 1 (Turíbio Santos)


Uma interpretação da essência da alma brasileira.

A universalidade da criação do Villa parte da sua absorção do contexto musical brasileiro, tão grande e profundo quanto o nosso território. Ao fundo de Turíbio, justifica-se a imagem do Rio de Janeiro, afinal, o Heitor, como era costume dos "chorões", andava, quando jovem, com seu violão pelas ruas de sua cidade. 
A dimensão do Prelúdio n.o 1 transcende a cidade do Rio.


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Boca Livre - Quem tem a viola

Magia no ar.

Composição:
Zé Renato, Juca Filho, Cláudio Nucci e Xico Chaves

SIMONE - Jura Secreta

Jura Secreta
Composição: Sueli Costa e Abel Silva

"A pedagogia do caracol" - Por uma escola lenta e não violenta


Escrito e ilustrado por
Gianfranco Zavalloni

Edição Brasileira:
Ed. Adonis
Fone: (19) 3471-5608


A Regina ganhou este livro da nossa amiga Lígia Wild, tradutora de uma das partes dele. Entusiasmada com a leitura dos primeiros capítulos, e dizendo que nele tudo era como ela sempre havia pensado, correu mostrá-lo para mim, e já foi lendo as frases que antecedem o prefácio. Enquanto ela lia, já fui abrindo uma nova postagem em meu Blog e pedi para que as lesse novamente, só que ditando.

Pelo que ouvi da minha mulher, este é um livro essencial, de primeiríssima necessidade ante a educação destes tempos "fast food", e que vale a pena ser descoberto por todos aqueles que, de algum modo tem crianças sob seus cuidados.

 
Criativa é aquela pessoa
que sabe olhar de maneira sempre nova
 e original o mundo em que vive.


"É um convite à lentidão. Vamos com pressa demais.
É preciso ter a possibilidade de parar, olhar as coisas belas,
meditar, pensar em nós, olhar os anoiteceres.
Mas pergunte a alguém que anda pela rua:
'Quando foi a última vez que você parou para admirar um anoitecer?'
É uma pergunta muito importante."
(Tonino Guerra)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Marcos Valle (som tropical)

Música de verão

A XUXAnização de nossas crianças

Décadas se passaram e a "rainha dos baixinhos", com cara e comportamento de mocinha, continua passando a imagem de retardamento do processo de amadurecimento cronológico e psicológico, e que se explalhou como praga, antingindo até a Argentina.

A televisão que é a maior contadora de histórias de todos os tempos, prossegue em sua senda de emburrecimento das pessoas. Chupam os olhos das crianças e derretem os seus cérebros. Estas, pulando as fases da vida, e sem nunca encontrar significado, que tipo de adultos elas se tornarão? Do tipo daqueles que põem fogo em mendigos?

Por todo o globo temos fartos exemplos de que a socidade humana encontra-se fraca e débil.

Jairo Ramos Toffanetto

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Carmina Burana, de Carl Orff (André Rieu) - Tão bela a pondo de ofender os deuses?

Carmina caiu do pássaro em que voava para além do céu azul.


Seria Carmina Burana tão bela ao ponto de ofender os deuses? Bela, sim, mas não ao ponto desta ofensa. Quem ofende é Carl Off e a sua falta de humildade, de reverência a algo maior que si próprio, a algo maior que a própria arte.  É o  que sobra com Bach, Vivaldi, Beethoven e tantos outros. A exuberância musical que vem através destes, decorre da bondade, da generosidade. Carmina Burana - linda de morrer - é fruto da vaidade, do egoísmo, da prepotência. É uma paixão, um vício e não uma virtude.

Mesmo sentindo isto, por anos eu a ouvi sem querer saber da letra - um poema medieval. Ouvia o "cd" do mesmo modo como ouvia meus velhos e adolescentes discos de blues e de progressive-rock: era melhor não saber da letra, porque assim eu poderia criar as minhas próprias imagens mentais dentro dos sonhos mais lindos, cheios de uma entusiasmente confiança pela vida. As letras estragariam a música, isto é, não me permitiriam sonhar.

Um dia fui saber da letra, e Carmina Burana caiu do pássaro em que voava para além do céu azul. Hoje eu a vejo como música de fundo em comercial de televisão aonde um rapaz galante mergulha num precipício para salvar um biscoito que caíra das mãos de uma beldade. Também a ouvi ao fundo de Arnaldo Jabor enquanto este espicaçava, com justa razão, o texto da PnDH-3 - Programa nacional de Direitos Humanos. A música criou contornos apocalípticos.

Acredito que "tudo cabe quando a alma não é pequena", todavia, não creio recomendável ouvir Carmina Burana para aqueles que ainda passam pelo jardim de infância da vida.

Letra da composição de Carl Off:

Jairo Ramos Toffanetto

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Poesia & Pintura

Desenho de Elvio Santiago
Recortes e montagem: JRToffanetto

"Afãs"

poesia e pintura
transpessoais irmãs
doutras artes, sem ruptura
primas, confraria, afãs

                                             Jairo Ramos Toffanetto

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Adagio in G Minor (Albinoni)

Uma experiência sonora meditativa

O Adagio em Sol menor para violino, cordas e órgão continuo, é uma composição neo-barroco popularmente atribuído ao veneziano do século 18 mestre Tomaso Albinoni, mas na verdade composto quase que inteiramente pelo musicólogo século 20 e biógrafo Albinoni Remo Giazotto.

Oh Terra Querida



São várias as ruas da minha vida
tudo ocorria na primeira delas
demais por demais sentida
eterno domingo, camélias

(...)
reformulei-me tanto neste ir e vir...
sempre ao gosto de uva, morango e figo
hoje não há rua nenhuma, só o meu sentir
que vai por todas elas e se encontram comigo

quero as crianças nas calçadas, e com elas brandir:

que ninguém se feche para uma outra mão
que a janela esteja sempre aberta
para chegar a tempo de ver o avião.
A mesma novidade redescoberta

(...)
o sentir é seu, alcança o céu
nada esconde o transparente véu
é bonito, baila com o vento
vá  a favor da vida,  correndo

a aurora dos teus dias ocorre agora
venha saudá-la sem demora
são tuas as cores do horizonte
venha beber, eis a fonte

venha correndo andar bem de mansinho
aprendendo a voar como o passarinho
sentindo o verde, a terra linda, o seu jardim
vá pelas cores da sua vida ao olor de jasmim.

Cantemos, o ontem foi tão antigo...
o amanhã, presente do admiravelmente hoje
você, de brotos ou já prá semente, venha de chofre
para o novo em passos firmes, descortinados e com amigos

                                   Jairo Ramos Toffanetto