quinta-feira, 29 de setembro de 2011

VIVALDI, PRIMAVERA, ALLEGRO e a primavera vista em Jundiaí, Itatiba, Bragança Pta., Guarulhos e São Paulo


Em cada uma das cidades onde estive nesta semana ministrando treinamento corporativo em empresas, a primavera estava presente desde a manhãzinha, mais notoriamente à tarde, no brilho do sol, na sensação espalhada por todo canto. Notório proque as massas de ar polar em todo fim de tarde ainda mostrava a estação que se findou dias atrás. Mas algo diferente estava no ar, na luz do sol, na refração das cores à beira da estrada e nos montes. Uma estação da semente, do broto, dos bons auspícios.

Mas ontem, por volta das 10^00 h à caminho de Jundiaí  para Guarulhos, tudo mudou. Nem bem cheguei ao pedágio e já tive que tirar os óculos escuros. O cinza do céu emendavava-se com o do horizonte. A empresária que estava ao meu lado, ao tirar os óculos que a defendia dos raios de sol contra o olho, exclamou um "Ninguém merece ir prá S.Paulo."

Quando a cidade despontou pela Bandeirantes, não senti a mesma emoção de quando menino, afinal era a minha cidade natal, mas algo pesado, arrastado, meio aborrecido. Felizmente o trânsito fluia rápido pela Marginal do Rio Tietê", e quando chegamos em Guarulhos a sensação de peso já era bem maior. Senti suas ruas cansadas e anêmicas, talvez por causa do cinza. Faltava cores nas paredes, brilho nas pessoas, e excedia o vento gelado que parecia vir do fundo da alma daquela cidade, daquele São Paulo sem dimensão. Não não eram os meus olhos. Muito, muito triste, mas dias melhores virão,  mas meus olhos já não se enganam.

De volta para Jundiaí, o céu já foi se abrindo e ainda faltando uns trinta quilômetros de rodovia, a sensação era a de que já estávamos em casa. Entramos na cidade com num fim de tarde ensolarado. Creio que, apesar de estarmos encostados àquela megalópolis, o que nos salva são as florestas da Cia. Melhoramentos e, por aqui, a cidade é circundada por inúmeras "serras", um privilégio.

Aposto que as barbas do São Paulo (o santo) não estão brancas, mas sujinhas de fuligem.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

São Paulo São Paulo - Premeditando o Breque e São Paulo (Um minutinho por favor)

 

"São Paulo São Paulo" do Premê é para mim um hino da cidade dos tempos modernos, e torna-a ainda mais adorável para quem a ama.


 

Procurando "São Paulo São Paulo", deparei-me com o vídeo abaixo "Um Minutinho Por Favor". São quase dez minutos de imagens, de várias faces de "a cidade que nunca dorme", inclusive seu lado insólito, pesado. Ao final do vídeo, com o registro de imagens áreas e noturnas, as ruas iluminadas e em contraponto com o escuro do topo dos edifícios, revela um olhar futurista. Cheguei ao final do vídeo achando que Gottan City é mesmo por aqui.



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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Brasil: 100 Anos de Imigração Japonesa - One Century Japanese Imigration to Brazil, e a história de Yuka Chan


do YouTube:
PORTUGUÊS/ENGLISH
Yuka Chan, a japonesinha de Nagoya, sonhava muito em dançar samba no Brasil. Estudou e treinou bastante esse rítmo no Japão e um dia viajou para Salvador, na Bahia. Nas ruas de Salvador Yuka Chan dançava com tanta alegria, que chamou a atenção de repórteres das televisões brasileiras. Em pouco tempo foi convidada a participar do desfile da Escola de Samba Vila Maria, em São Paulo, que comemorava 100 Anos de Imigração Japonesa para o Brasil (São Paulo possui a segunda maior população de japoneses do mundo, fora do Japão). Para a alegria do povo brasileiro, Yuka Chan desfilou na frente da bateria da Escola de Samba enchendo de orgulho a colônia de seus ancestrais e ajudando a cidade de São Paulo a comemorar os 100 anos de imigração japonesa para o Brasil. Veja no vídeo a festa de Yuka Chan!
ENGLISH:
Yuka Chan, the japanese girl from Nagoya, dreamed a lot dance the samba in the carnival of Brazil. She studied and trained a lot this rhythm in Japan and a day she tooks the plane and traveled to Salvador, Bahia State. On the streets of Salvador Yuka Chan danced with so many joy, that caught the attention of reporters from somes television stations of Brazil. Soon she was invited by people to participate in the carnival parade of the Vila Maria Samba School from São Paulo capital, that was celebrating 100 Years of the Japanese Immigration to Brazil (São Paulo has the second largest population of Japanese in the world, outside Japan). To delight of the brazilian people, Yuka Chan paraded in front of the School of Samba drums filled with pride the colony of her ancestors and helping the city of Sao Paulo to celebrate the 100 Years of Japanese Immigration to Brazil. Watch the video to see the joy of Yuka Chan!

domingo, 25 de setembro de 2011

Pétala a pétala

Google Imagens

Pétala a pétala

se nos poemas meus
das flores perfumes seus
sejam eles de rosas rosa
de todas a mais formosa

se nos poemas meus
da rosa os espinhos seus
de veneno deleite enfeitiçados
lágrimas d’olhos sublimados

estrofe rosácea estrofe
despreenda soneto perfume
como rosa abre secreto cofre

versos pétalas sedosas
sentidos lábios doces
sejam poesia rosa

Composto no ano de 2001 
Jairo Ramos Toffanetto

MAMA ÁFRICA - Chico César

O vídeo mais lindo que já vi.
Chico César é cantor, compositor, escritor e jornalista brasileiro.


sábado, 24 de setembro de 2011

Herbie Hancock

Pena que o vídeo do YouTube (acima) está só com a metade
da faixa, cortando o solo de Hancock. Optei por postagem
das imagens para destacar o clima "dance" da época.


Herbie Hacock - faixas do álbum Feets Don't Fail Me Now e de
lançamento exclusivo no Brasil (1000 cópias) através do romântico "Museu do Disco" - ano 1979, loja na R. Dom José de Barros, centro velho de São Paulo.  Ah, na contracapa vinha uma chancela do Museu do Disco.


Funk altamente dançante e de linguagem desconhecida no formato "funk" dos dias de hoje no Brasil.
Emergido do grupo de Miles Davis, a discografia de Hancock inclui discos voltados para o Jazz assim como algumas incursões pelo mundo Fusion, Funk e Música Clássica..

THE MANHATTAN TRANSFER - Meet Benny Bailey, Rambo, Airegin



Airegin" is a jazz standard composed by Sonny Rollins in 1954
Jon Hendricks is an American jazz lyricist and singer. He is considered one of the originators of vocalese, which adds lyrics to existing instrumental songs and replaces many instruments with vocalists (such as the big band arrangements of Duke Ellington and Count Basie).

Músicas selecionadas do álbum Vocalise (1985 - RCA Eletrônica Ltda.)
 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O homem e o lixo são a mesma coisa?

Não bastasse ter uma clínica veterinária por vizinho de parede, e de todo o estresse que isto pode significar aos moradores em torno de qualquer uma destas ditas "clínicas", agora tenho como vizinho da frente um gráfica. É!!! uma gráfica!!!!!!!

Quanto à clínica publiquei uma crônica gigante que ocupou toda uma página do Jornal de Jundiaí, e que a estarei postanto em partes. Quanto à gráfica...  Vou lá conversar com eles. Mas aqui deixo um relato da minha indignação, e que sei, é a mesma de muita gente do bem.

Não me importo com o barulho das máquinas. Ouço-o como música de mais um dia trabalho dos homens de boa vontade, de pessoas prestando serviço para a vida da sociedade e, com isto, ganhando seu honrado sustento. Pena que no aparente silêncio do comportamento humano as coisas se mostrem abaixo do patamar do que se pode chamar de civilização.

No fim da tarde, antes daquela oficina gráfica fechar a porta, em frente dela sempre colocam um ou dois sacos com  aparas de papel em descarte. Lixo é lixo, reciclagem? que se dane a reciclagem. Parece que aqui é uma questão do "dá ou não dá dinheiro com isto", se compen$a ou não. E pensar em Sustentabilidade do negócio... da vida no planeta... Chegará o dia que porta de certos "negócios" terá de fechar porque ninguém, nenhum cliente ou fornecedor se misturará com quem comete crime contra a humanidade.

Por agora, creio que só obrigando a destinação ecológica deste lixo e a decorrente fiscalização. Se a nossa sociedade fosse mais forte ninguém compraria nada daqueles que ganham na transformação do que a natureza oferece e nada devolvem para ela. E pensar que na minha infância eu me orgulhava quando ouvia dizer que Jundiaí era a cidade mais limpa do interior do estado de S.Paulo, e naquele tempo não se via varredores de rua. O que aconteceu, mudou sua população de gente para porco?


Enfim, nesta terça-feira o caminhão do lixo passou pouco depois dos sacos de lixo serem postos na calçada e, certamente, porque um deles estava mau fechado, um monte de aparas caiu no asfalto. Geralmente os "lixeiros" pegam o que cai no chão, mas catar uma infinidade de aparas, nem pensar. O vento, mais os carros que passam pela rua, cuidaram de espalhar o "lixo" pela rua abaixo e trazer todo o resto para o meu lado. Ontem (quinta-feira) o caminhão passou de novo, e outra carga daquelas aparas se espalhou no asfalto e se endereçaram para a frente da minha casa, e até por cima da calçada.

Mês passado ocorreu a mesma coisa. Nesta semana a repetição disto se tornou inaceitável para mim. O que vou dizer ao dono da gráfica? O que ele faz de conta que não vê? É o seguinte: e se não fosse um saco com aparas de papel que se espalhasse pro meio da rua, mas um saco do cesto do banheiro, aquele que fica do lado da privada? Significa que eu que teria de pegar pá e vassoura para juntar o papel que deixa de ser higiênico após o uso? Meu amigo, não vejo diferença se o papel vem borrado ou não. Pô!!! Vai ver o braço é curto e daí o medo de sujar as mãos... o dedo... sei lá!!!!!

Apesar do município manter os varredores de rua passando duas vezes por semana, o que se vê é o maior descaso da população, inclusive da grande maioria dos meus vizinhos em relação à manutenção da limpeza da frente de suas casas. Pôxa o lixo da gráfica, por justiça, deveria ir pra frente da casa destes. Mesmo assim eu continuaria me importando com minha rua, querendo-a mais limpa, decente, mais aceitável para gente civilizada morar, e não com cara de moradores de pardieiro. Quero ver se o lixo ficasse espalhado em frente da porta comercial da gráfica (na Av. Fernando Arens) ou diante da oficina (na Rua Senador Bento Pereira Bueno) se eles catariam ou não o lixo!!!!

Nota:
1 - Acabei de escrever a crônica e subi ao terraço para de lá tirar uma foto mais impressionante, mas os varredores de rua já tinham passado. O "grosso" ficou debaixo dos carros. Em se confirmando a previsão de chuvas para este fim de semana o "grosso" seguirá para o bueiro. Se fosse eu o dono da gráfica limparia a sujeira que, de toda forma, originou-se da minha oficina. Não me permitiria se ver nesta sujeira, publicamente, no meio da rua.
2 - Esta foto é de Yung Gautama Toffanetto, e tirada no fim da tarde de quarta-feira. A seta está a indicar os sacos de lixo que no dia seguinte causariam mais transtorno (acima descrito).

Jairo Ramos Toffanetto

De um índio norte-americano - Curta e sábia

Uma noite, um velho índio falou ao seu neto sobre o combate que acontece dentro das pessoas.

Ele disse: - Há uma batalha entre dois lobos que vivem dentro de todos nós.

Um é Mau - É a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, má vontade, deslealdade, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, orgulho falso, superioridade e super-ego

O outro é Bom - É alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, boa vontade, lealdade, desejo de ser útil, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.

O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô: - Qual lobo vence?

O velho índio respondeu:

Aquele que você alimenta!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

The Who - Uma banda que ficou rodando no meu velho pick-up

Uma bela canção para começar o dia.

"Who's Next"


https://www.youtube.com/watch?v=BfuWXRZe9yA

Entre as superbandas de rockn'roll que haviam no começo da década de sessenta para setenta, como Frank Zappa, Jethro Tull, Led Zeppelin, King Crimson, Yes, Grand Funk Railroad, Jimi Hendrix,The Doors, Uriah Heep, Iron Butlerfly e tantas outras com expressão original, composições superelaboradas e muitas a causar alto impácto, sempre vinha alguém dizendo que o "The Who" era  a melhor banda de rock do mundo. Eu não achava isto, mas gostava de ouvir dizer. Eles criavam belas canções, aquelas que você ouve e guarda, carrega-as nos sentidos. Eram o melhor espírito da época. Antes que te agitar, aturdir-se, o som deles faziam contraponto com o espírito indômito daquela época.

The Who é uma das únicas bandas que depois de ouvi-la você pode transitar naturalmente para a MPB, para a Bossa-nova, o Chorinho, e até para o Samba. Creio que, assim como "Thes Beatles" - comparações à parte -, o "The Who", é um som sobretudo "legal", de pureza irradiante, cheio de entusiasmo. Tantos anos se passaram, e eles são uma das poucas bandas que ainda hoje visitam o meu velho pick-up.

https://www.youtube.com/watch?v=kxoO5yrabfc

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Disse Charles Claplin, um artista até à medula dos ossos:

"As melhores e as mais lindas coisas do mundo não se pode ver nem tocar. Elas devem ser sentidas com o coração.

E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma...

É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.

Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por levarem a poluição.

O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser.

Tudo depende de mim.


VÂNIA BASTOS & EDUARDO GUDIN & HERMETO PASCHOAL

Para canto divinal, um som musical de gosto apurado:
Eis Vânia Bastos.
Site dessa imagem

Stanley Clarke - "Concerto Jazz/Rock Orchestra" e "Scholls Days"




segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A morte das abelhas (Postagem reformulada)

                                                          (Desenho extraído da Internet)



 Não é a primeira vez que encontro uma abelha solitária à espera da morte. Andam, andam e depois param. Vendo-as imóveis no chão ou na parede, basta um pisar, uma chinelada e... pronto, eis uma execução rápida e, como dizem, por bondade. Bondade? A abelha e seus olhos de centenas de campos de visão focados um a um, certamente, veria o objeto fatal em lenta, lenta aproximação até, finalmente, ver-se esmagar. Todo inseto tem consciência do que está a ameaçar sua vida. Elas não vieram à luz para, ao final dela, sofrerem desajuizado pisoteamento, mas pra quem gosta de brincar de deus...

Na rua da minha infância passava o mundo. Os meninos diziam a seguinte frase quando alguém ameaçava matar uma abelha encontrada em estado terminal "Não presta matar abelha". Meio dogmático, meio supersticioso, não acham? O fato é que eu, incapaz desta crueldade, e antes da predita temeridade que pudesse advir na vida de quem ousasse tal gesto, perguntava-me sobre o triste fim daquela criatura depois de ela trabalhar tão laboriosa e intensamente por toda uma vida, agora rejeitada e expulsa da colméia, sem forças porque faminta, abandonada à própria sorte. Não me bastava a razão de ela nos ter sido útil para produzir mel, eu queria saber dela, da abelha, da sua experiência, enfim, esperava encontrar significado para aquilo.

Por outro lado, eu via como crueldade o gesto do menino que a matava com uma pedra, e lamentava saber desta escolha pelo lado impiedoso, como a da competição no estilingue para acertar o passarinho pousado na fiação elétrica entre postes. Aí eu repetia "Não presta matar passarinho". Respondiam que iam levar pra mãe conzinhar, e davam risadas com ares de mais espertos.

Como na époda da minha infância todos andavam descalços pela rua de terra, sempre tinha um a dizer que se não a matássemos alguém poderia pisar em cima e ficar com o ferrão enterrado no pé, doendo muito, muito. Tinha-se que matar preventivamente pelo medo da dor que ela poderia nos infligir. Eu sempre as  carregava para o mato com ajuda de uma folhinha. A questão que me passava era o porque de elas terminarem sozinhas, cara a cara com a morte, e depois de vivido num enxame de suas iguais. 

Anos se passaram, e ainda encafifado com a morte das abelhas, imaginava que elas poderiam morrer como alguns de nós: fulminados por um ataque cardíaco. Eu ainda não tinha encontrado o real sentido da vida, ainda tinha medo do triste fim, ainda tinha medo do sofrimento, ainda tinha medo da morte. Morte?

Lembro-me do "Mito de Sísifo". Ele empurrava uma enorme pedra montanha acima para, depois, vê-la rolando montanha abaixo, e voltar empurrá-la até o topo para, depois... Só se for isto: tragédia e mais tragédia para todas - todas - as formas de vida. Aqueles meninos que executavam abelhas com uma pedra acreditam que assim seja, piamente. Bom pra eles que, desde cedo se condenaram empurrar a pedra que se agigantou em suas mãos no decorrer dos anos.

É preciso deixar a pedra, mas se esta ficou de tamanho semelhante à do Sísifo, porque não quebrá-la para o calçamento de um novo caminho, mesmo porque já são muitos os que trabalham na construção de um mundo bem melhor do que é para os Sísifos.

Jairo Ramos Toffanetto

domingo, 18 de setembro de 2011

Ecos de uma madrugada com Jazz & Blue rodando no velho Garrad 6300 (Miles Davis - Billie Holliday - Thelonious Monk)

"Mr. Cool"
"A gente pode se cansar de tudo, até de ter medo"
Frase dita em seu ressurgimento após quatro anos de dias dramáticos em sua vida, e quando parte para uma renovação do jazz - do cool ao hard bop, da improvisação modal à controvertida fase eletrônica. Enfim, Miles Davis foi um artista que nos deu, com simplificação de meios, uma imagem de pureza, de sensibilidade, e de incomparável lirismo. (montagem a partir do texto de Pino Candini)


sábado, 17 de setembro de 2011

Poética desta manhã

Leia o texto abaixo ouvindo o piano da Virgínia Lisítsa:




O sol está para nascer. Nuvens douradas espalham-se pelo céu como espumas do mar. Só há o admirar. Só há o ver de novo denovo denovo... Um eterno presente, de presente.

Desponta o primeiro raio de sol. Silênio absoluto. Percorro a abóbada celeste à procura do vôo dos pássaros. Um gavião voa em círculo. Abaixo dele, um casal de passarinhos voam de modo incerto. Por trás deles, no azul do céu, a Lua em semi decrescente. Tiravam a atenção do gavião, pois este não pairava no ar a bater asas em ajuste do mergulho final. O gavião partiu dali. Rumou para a região entre o rio e a linha do trem. Haveria de contentar-se com algum rato do brejo.

Tendo deixado o computador ligado, depois do café fui me conectando à Internet. Impressões carregadas com cores ainda vivas, mas não me ocorre a menor idéia de como expressar estes sentimentos, mas tudo é tão intenso e suavemente belo que não tenho dúvida alguma de poder fazê-lo.

Na tela aparece a postagem de ontem, e lá está a bela Valentina Lisítsa debruçada sobre a coluna do piano.  Ela olha para mim e uma das mãos solta sobre o teclado está a indicar a música. Abaixo desta foto eu escrevera "A virtuose a serviço do belo". Soltei o vídeo e ao abrir nova página para editar este texto, ouvi as primeiras notas musicais do  "Prelúdio em sol menor op. 23" . Pronto, aí estava o elemento supra poético para emoldurar o sentimento que latejava dentro do meu peito. Bastava descrevê-lo como um vídeo. Assim feito, já não cabe mais palavras ou versos, apenas o compartilhar desta emoção com todos os amigos deste meu fazer em exercício do belo.

Jairo Ramos Toffanetto

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Сергей Васильевич Рахманинов ( Rachmaninoff), por Valentina Lisitsa


A virtuose a serviço do belo.


Valentina Lisitsa é uma pianista clássica Ucraniana, nascida em Kiev em 1973. Recentemente ela esteve em nosso país com a Orquestra Sinfónica de S.Paulo.



Sergei Rachmaninoff.

Rachmaninoff (1873-1943) é tido como um dos pianistas mais influentes do Século XX. Seus trejeitos técnicos e rítmicos são lendários, e suas mãos largas eram capazes de cobrir um intervalo de uma 13ª no teclado (um palmo esticado de cerca de 30 centímetros). Ele também possuía a habilidade de executar composições complexas à primeira audição. Muitas gravações foram feitas pela Victor Talking Machine Company, com Rachmaninoff executando composições próprias ou de repertórios populares.

Tutti Baê - Se você chegar


Um gostinho de verão no finzinho deste inverno.
Para ouvir, curtir e dançar, com swing total brasileiro
e a voz marcante e inconfundível de Tutti Bae.


Lupa Mabuze faz parte do álbum Ginga - Tutti Baê -
cantora, compositora e autora paulistana

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Cora Coralina - Saber Viver

                                                                                   Site dessa imagem

Não sei se a vida é curta ou longa para nós,
mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silencio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que acaricia,
desejo que sacia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta,
nem longa demais, mas que seja intensa,
verdadeira, pura enquanto durar.
Feliz aquele que transfere o que sabe
e aprende o que ensina.
 
Cora Coralina

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Milton Nascimento - Comunhão (Participação: Simone / Tadeu Franco)



Composição: Milton Nascimento e Fernando Brant.
O disco "anima" é de 1982 e é uma felicidade de
energia estonteante. Algo para se carregar no coração.


Requeijão tem preço, a orquídea, apreço.



“Oh! a delícia dificílima de ser inútil.
Os homens dividem-se em dois grandes grupos:
os que levam para casa, de tarde,
um requeijão de 8$000, e os que levam uma
orquídea de 8$000...”
(Guilherme de Almeida)


                                                                                                                FotoJRToffanetto


Op. 129
se dentro de si
tire o papel da bala
na boca do mundo
(JRToffanetto)



Muito antes do homem e seu processo de evolução até a escrita, ou da poesia transformada em confete à mesa do requeijão, os vegetais, na lentidão dos tempos, vieram trabalhando sua essência evolutiva voltada para o equilíbrio e a harmonia, razão de sua permanência diante das perturbadoras mudanças geológicas, cataclismos, males e nocividades de toda ordem. Foram da química orgânica à maturidade dos frutos e sementes. Uma das mais simples formas de vida terrena, finalmente, chegara ao topo dos seus ciclos ascensionais. Criara algo em tudo diferente de si própria, tanto na forma como nas cores, temperatura, olores, sistema reprodutivo, néctar... Prosperara seu poema de fé. Alcançara a perfeição. Desabrochara a beleza imortal – ars longa. Chegaram as flores – vita brevis (A arte é longa; a vida, breve – provérbio latino).

Com eles, o planeta verde nunca mais foi o mesmo. De sutileza semelhante ao arco-íris do céu, a Terra vestiu-se com cores e formas engenhosas, sobretudo elegantes. Perfumou-se de pureza. Abriu-se a delicadeza de sua essência íntima. Irradiou beleza e poética harmonia como evidência da sutileza do espírito da bem-aventurança, equilibrada e generosa. Promovida a natureza do belo, também surgiram outras formas de vida mais apuradas que as da era mesozóica, como os inocentes pássaros, as delicadas borboletas... A Terra despertou um outro mundo. À beleza das flores, o planeta ganhou exuberância paradisíaca.

Faltava uma criatura indispensavelmente sensível para dar sentido e paixão a tão divinas providências... O espírito divino, finalmente, doara-se a um seguimento das espécimes dos primatas, o qual, assim como as flores, destinava-se a despertar a beleza espiritual em harmonia com o meio e evolucionar às alturas da sua origem: as estrelas. Ao sentir a Grandeza da Grandiosidade, o homem dobrou seus joelhos ao chão, manifestando, através deste gesto poético, que se punha à disposição daquele sentir de dentro que se expandia ao redor.

Todavia, ao dominar o meio, os primeiros poetas-homem foram-se julgando senhor dele. Cuidando das flores daquele planeta, esqueceram-se da poesia que cantava dentro de si próprios. Ocupavam-se, agora, em fazer requeijão, pois a sua inteligência o criara cozinhando o leite misturado à coalhada, e tanto o cozinhou, tanto andou de baixo pra cima com o tal requeijão debaixo do braço, que não só perdeu o olfato como as demais sensibilidades além das dos cinco sentidos. Alegavam falta de tempo para tocarem a mágica lira que desabrochava a beleza neles latente. Seus botões velados foram esquecidos, e as próprias flores foram se tornando abstratas demais para eles. Chegava a verdade da longa noite escura. No alvor da criação benfazeja, passou a ver o seu próprio crepúsculo. O breu mental se instalou.

Mas nem todos se ocupavam apenas do requeijão e, de tanto cultivarem a rosa, chegaram às orquídeas. Por aí compreende-se sua beleza rara, mesmo naqueles tempos. Pois a turma do requeijão nelas encontrou um novo negócio. A sua lira caiu no la-lira-lai, depois vieram os pagodeiros. Entraram no mercado editorial dos poetas da rosa. São estes os atuais poetas do apocalipse.

                                                                Lírio
Ainda hoje é muito fácil ser poeta da primavera da humanidade! Como no princípio, tudo está escrito nas pétalas das flores, é só lhes dar nome. São os mesmos poemas eternos. Lírio é o nome dado pelos poetas-homem, ao poema da pureza no meio do lodo. Tulipa para a poesia da simplicidade, a propósito, ô poeminha difícil de ser encontrado, mas na falta destes, não faltam os poemas-margarida, verso a verso, pétala a pétala. Os poemas-maria-sem-vergonha também são assim, só precisam de um pouco de luz direta do sol e muita água. Flor-de-cacto ao canto da delicadeza entre aridez e espinhos, mas estes são poemas que só podem ser declamados com a alma lavada por olhos úmidos. Onze-horas foi o nome dado para o canto da fé, o encanto do doce mistério, do desabrochar da delicadeza sob sol do dia luz.

                                    Flor de abóbora
Um dos poemas mais lindos e animados é o da flor-de-abóbora que, rente ao chão, canta a natureza dadivosa. Trata-se de um copioso poema que o poeta-homem já não o visita mais. Uma lenda contada pelos poetas mais antigos dizia que chegaria o dia em que somente as borboletas, o espírito das flores, conheceriam aquele poema por inteiro. É verdade, está escrito nas asas delas, mas não é visto por olhos comuns, e a ciência, apenas hoje, constata que está em luz ultravioleta, embora não saiba o que. Só os poetas do fogo (espírito) e da água (sentimento) o conseguem traduzir, é que estão compactados na forma de haicais cujas imagens variam ao sabor do néctar de cada flor ao pouso lepidóptero.

Oh! a delícia dificílima de ser inútil. Não é sem razão que os poetas são conhecidos como caçadores de borboletas, o que não se sabe é que os homens é que são caçados por elas. São as borboletas que, pela Bondade, pousam no coração do poeta-homem. Arte dificílima, sim, mas sem esforço. Então ele sente a reza poética versificada, ora como orquídea selvagem, ora como crisântemos, ora como simples copos-de-leite. São poemas borboletas, que os poetas, cuidadosa e artisticamente espetam com seus bicos da pena nas páginas de livros tão inúteis que grandes sábios, em todos os tempos, nelas – fontes – foram beber. Tais poetas são os chafarizes da filosofia. Por Bondade, o que jorra nos seus poemas são fluidos siderais, ou tão somente quando o poeta torna-se a poesia que veio cantar dentro de si.

Nenhum outro poema é mais longo que o da vitória-régia, tão exuberante quanto a selva amazônica em sua solidão. Uma lenda indígena, que se perdeu no tempo, contava que seu final é surpreendentemente mágico, e que custava uma vida chegar-se até a sua última estrofe, quando, então, o poeta transformavam-se em tucanos. A utilidade daqueles pássaros era tanta para a comunidade “indígena” daqueles tempos que seus poetas trabalhavam integralmente sobre aquela flor majestosa. Os demais poetas-homem cuidavam de não lhes deixar faltar o requeijão.

Finalmente, as orquídeas. Poemas de rara beleza que se perderam das vistas poéticas. Estão salvos, em segredo, no fundo da alma humana. Cada indivíduo, “com” ou “sem” o sentimento do belo, o tem em estado latente. Os poetas de hoje, os da primavera, estão autorizados a revelar esse segredo. É que nas funduras da alma humana, tem lá um vídeo que conta tudo. Fala de uma rosa que nasce no coração. Ela, a rosa, é o botão de sintonia, um “dial” em vertical que passa por todas as flores até chegar às orquídeas, e que apenas pode ser acionado aos que souberem tocar naquele botão de rosa do coração. É preciso ser um apóstolo da beleza para retirar esta flor do peito.

Muitos poetas-homem não o fazem por medo de se ferirem nos seus espinhos, mas isso é porque o botão ainda encontra-se velado. A Bondade o colherá livre da dor para que o poeta-homem possa colocá-lo na mão do outro, do amigo, do desconhecido, e de todo aquele que necessita de um gesto de amor com a sabedoria da rosa que desabrocha livre dos espinhos. Poema espírito do amor verdadeiro. Pura doação.

Nem o coração, nem as rosas são nossos, são pertences da Bondade, assim como o sentimento do belo, a pureza gentil, os gestos poéticos. É preciso voar na luz, leve como uma borboleta, para beber do néctar da Bondade preparado pelo Poeta Maior. Entretanto, muitos preferem ficar voando como moscas sobre a relatividade do requeijão.

Se pomo-nos em movimento até à completude de nossa natureza divina, transubstanciar-nos-emos em rara beleza. Caminharemos no jardim da harmonia, dos sabores, do saber em néctar. Todos nós sabemos no que um requeijão se transubstancia pouco além do estômago. Só proteínas!

Visto do firmamento, a beleza rara do nosso planeta é que sua humanidade pode chegar à excelência das orquídeas. Todo o Universo está atrás desta flor. Já teríamos virado pó das estrelas se esta poética não fosse cultivada em muitos corações. A rosa é o poema de todos nós, o tamanho do homem é a chave para todas as flores.

Uma récita absoluta diz que, quando o último terráqueo receber em suas mãos o derradeiro botão de rosa, e que esta desabroche em suas mãos, então ele também poderá retirar semelhante botão do seu coração, e como na Terra não  haverá mais ninguém para ser ofertada, o Poeta Maior a receberá, e a humanidade terá cumprido seu propósito. Seremos um poema do saber, vitórias-régias por extenso, delicados haicais como os beija-flores, poemas luz como os girassóis e, nas estrelas do céu, estaremos fundidos em versos do Poeta Maior. A humanidade, assim como a infinita espécie de orquídeas, será a mais nova e bela obra de arte do Universo, tão real quanto pão e vinho. Dificílimo? Pode parecer inútil, mas todo o Cosmo espera por isto.

Jairo Ramos Toffanetto

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A única peneira de Sócrates

A postagem "A única peneira de Sócrates" de 15.01.2011, foi uma das mais acessadas neste meu blog "Poemas de sol". Volto compartilhá-la com todos e, especialmente, com os novos amigos deste meu fazer network:

Há uma parábola chinesa que diz estarmos numa ponte rasa junto à superfície de um rio. Um rio que traz muitas coisas, e que ali você pode pegar o que mais precisa. Todavia, nesta ponte rasa pegamos quase tudo que chega às nossas mãos, inclusive os desafetos, por exemplo. Tem gente que, pegando tudo o que pode, junta tanta tralha que não consegue mais sair dali porque o peso sobre as costas é muito grande.

Sócrates gostava de ir à feira só para constatar o tanto de coisas que ele não precisava para viver, e quando vinham com conversa mole prá cima dele, usava a metáfora das três peneiras (veja-a na Internet). Ele conhecia a tal ponte mas, naquele rio entrava com o nível da água não além da altura das canelas, ou até onde pudesse ver seus pés no chão, e ali passava a única peneira que tinha. Afinal, a verdade está em águas calmas, calmas e claras.
Ele sabia o que retirar do rio:
a Verdade que ele ainda não conhecia.

A Verdade não está nas profundezas ignotas dentro de uma arca recoberta por musgos e com um tesouro dentro, mas em seu movimento desde a fonte até o mar, renovando-se sempre. Absoluta e fluídica como a Verdade é, ela sempre passaria por sua peneira, assim como a sempiterna Bondade.

Você não pode pegar a Verdade para ficar só com você. Ela não passaria pela por aquela metafórica peneira: as nossas verdades pessoais, e Sócrates era um filósofo, não um sofista. Se a peneira pegasse algo muito igual à Verdade ou muito igual à Bondade, não poderia ser nenhuma das duas, porque elas estão integradas uma dentro da outra. A Verdade é lei universal até os confins do cosmo. A Bondade a plenifica, é a Paz. Uma é o uno, a outra é o Todo.

Dar Utilidade a estes princípios eternos significa cumprir a razão do porque viemos à vida na Terra. Uma questão de conduta filosófica. Enfim, Sócrates, de tanto bater peneira no rio, tornou-se o rio: puro espírito que dança.

Mas se você está sobre a ponte rasa, é preciso, pelo menos, saber porque ainda lá estás.


Jairo Ramos Toffanetto

Cruz e Souza - Monja (soneto)

MONJA


Ó Lua, Lua triste, amargurada,
Fantasma de brancuras vaporosas,
A tua nívea luz ciliciada
Faz murchecer e congelar as rosas.


Nas flóridas searas ondulosas,
Cuja folhagem brilha fosforeada,
Passam sombras angélicas, nivosas,
Lua, Monja da cela constelada.


Filtros dormentes dão aos lagos quietos,
Ao mar, ao campo, os sonhos mais secretos,
Que vão pelo ar, noctâmbulos, pairando...


Então, ó Monja branca dos espaços,
Parece que abres para mim os braços,
Fria, de joelhos, trêmula, rezando...





João da Cruz e Sousa (1862-1898)
considerado o mestre do simbolismo brasileiro,
nasceu em Desterro, hoje cidade de Florianópolis - SC.
Sofreu intolerância e preconceito.