domingo, 30 de setembro de 2012

Sonho de poeta - Alice Ruiz e Alzira Espíndola

 

Poema de Alice Ruiz
declamado por ela mesma no cd "Paralelas" (2005),
álbum conjunto com Alzira Espíndola.

Sonho de poeta
Poema: Alice Ruiz

quem dera fosse meu
o poema de amor
definitivo.

se amar fosse o bastante,
poder eu poderia,
pudera,
às vezes, parece ser
esse, meu único destino

mas vem o vento e leva
as palavras que digo,
minha canção de amigo.

um sonho de poeta,
não vale o instante
vivo.

pode que muita gente
veja no que escrevo
tudo que sente
e vibre
e chore
e ria,
como eu, antigamente,
quando não sabia
que não há um verso,
amor,
que te contente.

Ladainha, Alice Ruiz & Alzira Espíndola

 

Composição: Alzira Espíndola, Estrela Ruiz Leminski e Alice Ruiz
 
Tetê, Alice e Alzira

Haicais de Alice Ruiz neste blog:
Haicais de Paulo Leminski neste blog:
 

sábado, 29 de setembro de 2012

Simplesmente: Arrigo Barnabé com Vânia Bastos

 
Simplesmente Arrigo Barnabé
e sua expressão musical urbana.
 

Comentário no YouTube:
"Essa é cena cultural brasileira mais original dos anos 80. Ímpeto de fazer arte. Direto da Boca do Lixo. Preciosidade!"



Show Tubarões Voadores de Arrigo Barnabé "Acapulco Drive In" com Vania Bastos - vocal, Bozo Barreti - teclados, Tonho Penhasco - guitarra, Otavio Fialho - contrabaixo, Paulo "Patife " Barnabé - percussão, Duda Neves - bateria. Gravado pela TV Cultura no Sesc Pompéia em 1985

Outra postagem com Arrigo:
http://poemas-de-sol.blogspot.com.br/2011/12/arrigo-barnabe-sabor-de-veneno.html

Eduardo Gudin & Vania Bastos - "Mensagem" e "Conjunto de Baile"


A voz de Vânia Bastos é um luxo na discografia da MPB,
e interpretando as composições de Eduardo Gudin,
um privilégio, um casamento mais que perfeito.



 
 
Outras postagens com Vânia Bastos:
- com Arrigo Barnabé (Sabor de Veneno)
- com Eduardo Gudin - Cidade Oculta
 

Imagem da delicadeza


A flor pousou o passarinho
ou o passarinho quem pousou na haste da flor?
Voe você também
...se for passarinho!
(JRToffanetto)

                                                                                                         Google Imagens

Memories (Original Minimalist Song)

Um som para conhecer:
 
Memories
Original minimalist song, based on a simple pattern
Audio: Direct sound card
Guitar: Jackson PS4 modified - Clean + Reverb

Clique em Martin Murillo e conheça Original Loop Impro

Martin Murilo é de Santiago del Estero (Argentina)

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Angel of the North de Gormley em São Paulo


(CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR)
No alto de um prédio no centro de São Paulo

 

Assim que vi esta imagem no Facebook da minha amiga Keller, impressionou-me ver a escultura acima dos prédios no centro da cidade de São Paulo e por um víés algo insólito. 
 
Apelidei o "Angel of the North" de Suicidal Man, pois é como vejo homem e sua obra nestes grandes centros urbanos.
 
Ao homem acima do seu fazer, resta-lhe construir dentro e acima de si para por os pés no chão e parar de assustar as pessoas.
 
Vendo a mesma escultura em outras partes do mundo, mais uma vez constato que a grande criatividade dos artistas não é posta em uso para expressar o novo, para por facho de luz e apontar caminhos onde ninguém está vendo ainda. A maioria deles apenas "reportam" o que aí está. 
 
O Suicidal Man reporta, pois, a condição atual do homem frio como metal e, como tal, de apertado núcleo atômico aonde nada mais cabe, e despencar ou não de um edifício que diferença ele faria, ou para uma urbe de exageros como São Paulo?
 
Se o Suicidal Man me desse a mão, mostrar-lhe-ia o viés romântico da cidade, assim como lhe ensinaria colocar no "pictório" tudo que nos causa espécie e, quem sabe, ele se apaixonasse por ela ela assim como por Nova Iorque, Londres ou Birminghan. É isso... dar a mão ao outro, contagiá-lo com um pouco de fé na vida, porque só os que amam encontram sentido no viver e trabalham na criação e conquista da felicidade independente do meio em que vivem. Viver sem o processo do amor torna as pessoas desalmadas, desesperançadas, despencadas. 
 
O Anjo do Norte de Antony Gormley e sua colocação nas urbes do mundo é uma charge sem humor, e cabe mais como reflexão sócio antropológica do que arte própriamente dita, e está mais pra projeção do cabeça mole, o fraco, que pra um coitado. 

Anjo do norte rima com anjo de morte. "De morte", para nós brasileiros, é alguém travesso, gazeteiro. O Antony nos pregou uma peça, e quem prega peça é, para nós, "arteiro". Não fosse o interessante conjunto do seu trabalho que pude constatar no Google Imagens... (clique no link ao rodapé)...
 
Enfim, o trabalho de Gormley na antropofágica "Paula Desvairada" não passou de estátua como disseram os paulistanos na rua ante à sua... digamos, arte de impácto.
 
Crosby Beach, perto de Liverpool
 
Em Crosby Beach (England), o Anjo do Norte nos remete a uma reflexão um pouco mais delicada ao "reportar" a condição do homem vazio de sentido diante do seu crepúsculo existencial fundido a ferro e a fogo apocalíptico. O Belo passa ao lado e sob seus pés. Uma imagem da indelicadeza do homem diante da Grandiosidade sempre em doação. Uma verdade num mundo de relativos. A arte está na transcendência do objeto em si. A linguagem artística de Gormley parte da indiferença para falar de diferença, da grande diferença nas vidas das pessoas desde que estas venham construindo um olhar próprio e universal.

Novamente é uma questão de arte fotográfica. Se a foto mostrasse um céu tomado por densas nuvens escuras talvez despertasse outros sentimentos. O fato de uma inserção artística no plano físico - meio ambiente onde se vive - com tanta possibilidade aberta para o sentir, é realmente notável. 

Quanto ao travesso, gazeteiro e arteiro como classifiquei o Anjo do Norte em S.Paulo, faz juz ao artista, pois toda a arte se faz através do brincar, um exercício do prazer, e nisto o Antony é mestre.
 
Jairo Ramos Toffanetto

Imagens dos trabalhos de Gormley:
https://www.google.com.br/search?num=10&hl=en&site=imghp&tbm=isch&source=hp&biw=1280&bih=644&q=antony+gormley&oq=Antony+&gs_l=img.1.0.0l9j0i10.2315.5253.0.12789.7.6.0.1.1.0.318.1538.1j0j4j1.6.0...0.0...1ac.1.0oZCGkTPugM
O artist Anthony Gormley's:
http://en.wikipedia.org/wiki/Antony_Gormley
Suicidal Man:
http://www.dailymail.co.uk/news/article-2145820/Anthony-Gormleys-suicide-statues-Brazil-Fire-service-called-false-alarm-Sao-Paulo-jumper.html

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Ella Fitzgerald - "A Fine Romance" e "Summertime"


 Composição de Jerome Kern e Dorothy Fields

A Fine Romance (1936) vem de uma das mais importantes trilhas sonoras que Kern fez para o cinema, um sucesso eterno.

Composição de George Gershwin
Um clássico da música norte-americada
de todos os tempos

Amor eterno enquanto dure?


Dizer que o amor é eterno enquanto dure é dizer da paixão, não do amor verdadeiro, para toda a vida. A felicidade está no aprendizado dele, dia após dia. É ele quem garante a felicidade.

Quem escolhe o "estar contente" nada sabe do amor porque teme a vida, vive reclamando da própria sorte e culpando no outro pelos seus maus estares. Nada sabe da felicidade e muito menos do amor.

Quando a vida te põe a cara no chão, o amor te levanta, aumenta o teu tamanho para subir um novo degrau evolutivo. Põe teus pés num patamar mais alto. 

Quem ama, pela Grandiosidade vai ao encontro do outro. 

Quem não ama sofre pela sua desarmonia a algo maior que si próprio, anda sofrivelmente sem os pés e com a cabeça fora do lugar, vive arrastando a vida com seu coração cada vez mais duro, e tudo o que encherga é através dos seus olhos de vidro.

Quem aprendeu Amar este Amor busca compartilhá-lo no meio em que vive, ampliando-o, portanto. Só o amor mais-que-perfeito nos religa à Grandiosidade, a maior força do universo.

O Amor Maior é a maior força do universo


Jairo Ramos Toffanetto

domingo, 23 de setembro de 2012

"Canção Mínima" de Cecília Meireles e o Rubem Alves




CANÇÃO MÍNIMA

No misterio do Sem-fim
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim um canteiro,
no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-fim,
a asa de uma borboleta.



No livro "O Retorno e Terno"*, Rubem Alves escreve sobre este poema da Cecília:

"É pequeno, mas diz tudo. Nada lhe falta. Uni-verso". Ela "sabia o que era essencial".

Mais adiante, ele diz "Os poetas são aqueles que, em meio a dez mil coisas que nos distraem, são capazes de ver o essencial e chamá-lo pelo nome. Quando isto acontece, o coração sorri e se sente em paz." 

"Posso imaginar um mundo sem as maravilhas da técnica, sem que eu sinta, por isto, nenhuma tristeza especial. Mas não posso pensar um mundo sem a chuva que cai, sem regatos cristalinos, sem o mar misterioso..."


*  "As coisas essenciais", texto na íntegra:
 "O RETORNO E TERNO" - Editora PAPIRUS - www.papirus.com.br

Jethro Tul l- Songs from the Wood - Bungle In The Jungle - Benefit - to cry you a song - Locomotive Breath


Aos que não conhecem Jethro Tull,
escolho "Song fron de Wood" para apresentá-lo:



"Bungle In The Jungle" ficou especialmente marcada em mim ao ouví-la num "TKR" descendo a Serra do Mar para concorrer a uma vaga de emprego numa indústrica química em Cubatão-SP. Neblina intensa, farol alto, 30 km/h, tudo muito idêntico ao som que eu ouvia. Sentia-me indo para Birmingham. 


O LP "Benefit", o terceiro da banda, foi o primeiro a ser lançado no Brasil. Escolhi "to cry you a song" para representá-lo, mas bem poderia ter sido "with you there to help me"


Poderia ser "Aqualung" ou "My God", as que mais marcaram época mas, sempre que eu ouvia o disco todo, o gosto que ficava era o de "Locomotive Breath".

Depois de "Song from the wood", as demais músicas escolhidas foram as que, pelos títulos, evocaram-me antigas emoções ao vê-las entre as opções de escolha do You Tube.

Notas:
1. O disco "Song from the wood" pode ser ouvido do começo ao fim ("full") através do YouTube
2. Ah, a banda ainda está viva e sempre se apresentam em São Paulo.

sábado, 22 de setembro de 2012

Led Zeppelin - "Immigrant Song" e "Babe I'm Gonna Leave You"


Jethro Tull é a banda com a qual eu mais me identifico,
e Led Zepplin é a cara da década de setenta.



Nota:
"Immigrant Song" é do terceiro álbum, 
e "Babe I'm Gonna Leave You" do segundo.

A propósito de Procol Harum em "A Whiter Shade Of Pale"



Quando adolescente, ao ouvir nas rádios esta música do "hit parade" daqueles tempos, dava-me um inexplicável sentimento de saudade, a melancolia em beleza.

Longe daqueles dias primaveris e da nostagia daqueles tempos lindos, da poética que se respirava, do sentimento do belo que a tudo impregnava e se eternizava, hoje ainda sinto a saudade primordial. A diferença é que a sinto com mais razões, uma Razão Maior na qual posso-me ver no Todo. 


O belo está sempre se despedindo da gente assim como esta música que logo chega ao seu fim. 

Ouvindo-a, e depois de tanto tempo, mais uma vez reconheço que somos seres assim: sempre recarregando o sentimento do belo, custe o que custar, e até nos fundirmos nele.

Jairo Ramos Toffanetto

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Chuva mansa - Haicai



                                                                                                               Foto/JRT














Poética de céu e terra

servindo a vida. Chuva

mansa sobre a cidade

Jairo Ramos Toffanetto

Primavera em teu coração

Viemos para trazer e compartilhar o belo.

Do íntimo do inverno seco,
eis a primavera.

Ipê Branco (Foto JRT)



Tudo são cores brilhantes, preciosidades ao vento gelado. Céu azul, nuvens passantes sob cirros, desenho animado do eterno presente.






Teu coração veste o manto verde da campina. Em oferenda, flores se abrem e a intimidade do cosmo se revela no ar.

É primavera em teu coração. É a natureza divina que bate em teu peito. O inverno só garantiu as flores. A primavera as abriu e já apronta os frutos para o verão.

No agora estão todos os dias que se foram e os que chegarão. Estamos sob a luz do dia eterno. A Terra é uma promessa, a garantia de uma nova estação. Resta-nos trabalhar o belo.


Jairo Ramos Toffanetto

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

José Paulo Paes - Haicaistas brasileiros (7)





APOCALIPSE

O dia em que cada
habitante da China
tiver o seu volkswagen


LAR

Espaço que separa
o volkswagen
da televisão


À BENGAlA

Contigo me faço
pastor do rebanho
de meus próprios passos


TEORIA DA RELATIVIDADE

Devagar se vai longe

mais perto de Deus o ateu
do que o monge


HACAISTAS BRASILEIROS APRESENTADOS NESTE BLOGUE:
1. Alice Ruiz
http://poemas-de-sol.blogspot.com.br/2012/09/alice-ruiz-haicaistas-brasileiros-1.html  
2. Paulo Leminski:
http://poemas-de-sol.blogspot.com.br/2012/09/paulo-leminski-haicaistas-brasileiros-2_14.html
3. Millôr Fernandes
http://poemas-de-sol.blogspot.com.br/2012/09/millor-fernandes-haicaistas-brasileiros.html  
4. Mário Quintana
http://poemas-de-sol.blogspot.com.br/2012/09/mario-quintana-haicaistas-brasileiros-4.html  
5. Lêdo Ivo
http://poemas-de-sol.blogspot.com.br/2012/09/ledo-ivo-haicaistas-brasileiros-5.html
6. Afrânio Peixoto
http://poemas-de-sol.blogspot.com/2012/09/afranio-peixoto-haicaistas-brasileiros-6.html

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Rubem Alves (poética)



A alma é um cenário.

Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca,

inundada de alegria.

Por vezes ela é como um pôr do sol...

triste e nostálgico.


(Rubem Alves)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Lêdo Ivo - Haicaistas Brasileiros (5)



SABEDORIA

Viva o riso!
Só sabe rir quem tem
dente do siso


NOITE DE DOMINGO

Acabou-se a festa.
Resta, no silêncio,
o rumor da floresta.


O LAGO HABITADO

Na água trêmula
freme a pálida
anêmona.


ESCONDERIJO

A palavra-chave
sempre se esconde
atrás da porta


A VERDADE DA NOITE

No copo d'água
a dentadura postiça:
o riso no aquário

Próximo haicaista brasileiro: AfrânioPeixoto

Haicaistas brasileiros apresentados neste blogue:

1. Alice Ruiz http://poemas-de-sol.blogspot.com.br/2012/09/alice-ruiz-haicaistas-brasileiros-1.html
2. Paulo Leminski: http://poemas-de-sol.blogspot.com.br/2012/09/paulo-leminski-haicaistas-brasileiros-2_14.html
3. Millôr Fernandes: http://poemas-de-sol.blogspot.com.br/2012/09/millor-fernandes-haicaistas-brasileiros.html
4. Mário Quintana: http://poemas-de-sol.blogspot.com.br/2012/09/mario-quintana-haicaistas-brasileiros-4.html

domingo, 16 de setembro de 2012

Mário Quintana - Haicaistas Brasileiros (4)

Quintana é o meu poeta favorito, seja pela delicadeza,
seja pela eternidade em suas obras.

 O livro de Haicais de Mario Quintana (Editora Globo) reúne tercetos (alguns não apresentam a forma tradicional do haicai)que o próprio autor denominava livremente de haicai. Foram organizados para a publicação por Ronald Polito e as ilustrações são de Roberto Negreiros. Este é um daqueles livros para guardarmos como uma obra de arte dado que o conjunto poesia e ilustração são harmoniosos e de muita beleza. Quanto ao ilustrador vale a pena conferir o blog dedicado ao seu trabalho:
http://ilustra-negreiros.blogspot.com/

 

 Anoitecer
Da chaminé da tua casa
Uma por uma
Vão brotando as estrelinhas.......


Hai-Kai
Silenciosamente
sem um cacarejo
a Noite põe o ovo da lua...

Mário Quintana

Guinga - Choro pro Zé (Guinga) - e João Bosco & Guinga

As primeiras
notas musicais do dia


Do YouTube:
O compositor e violonista carioca Guinga apresenta show inédito junto com Lula Galvão, em que faz homenagem aos mestres que inspiram sua obra. No repertório, obras clássicas e muitas vezes esquecidas da música brasileira, além de canções do próprio Guinga, com influências que vão do baião ao erudito. Guinga acompanhou e fez parcerias com artistas como Clara Nunes, Beth Carvalho, Cartola, João Nogueira, Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc e Chico Buarque, entre muitos outros. Data da apresentação: 01/11/2010:


Luiz Galvão (esquerda do vídeo) e Guinga (direita)



sábado, 15 de setembro de 2012

Teco Cardoso & Ulisses Rocha em "Caminhos Cruzados" de Tom Jobim


Para rimar com esta tarde ensolarada:

 



Millôr Fernandes - Haicaistas Brasileiros (3)



Tem cautela;
ajuda o sol
com uma vela
 

Mestre, respeito o Senhor,
Mas não a sua obra;
Que paraíso é este, que tem cobra


O pato, menina,
É um animal
Com buzina


na poça da rua
o vira-lata
lambe a lua


Eu sofro de mimfobia
Tenho medo de mim mesmo
Mas me enfrento todo dia


Solialistas imundos
Querem acabar
Com os vagabundos


POEMA EFEMÉRICO

Viva o Brasil
Onde o ano inteiro
é primeiro de abril



- Antecedentes do haicai no Brasil e
a contribuição definitiva de Millôr Fernandes na
popularização do haicai no Brasil:

Já em 1919, o poeta Afrânio Peixoto fixa a forma do haicai brasileiro (5-7-5). Em 1922, o haicai e sua forma poética japoneza era discutido e praticado pelos poetas da "Semana de Arte Moderna". Oswlad de Andrade o adota em Pau Brasil (1925). . Waldomiro Siqueira Jr. lança em 1933 o primeiro livro de haicais no Brasil. Guimarães Rosa em 1936 recebe prêmio da Academia Brasileira de Letras com "Magma". Guilherme de Almeida lhe dá, na década de quarenta, a forma de rima adotada por muitos outros poetas. Mas foi Millôr Fernandez que, na revista semanal "O Cruzeiro", popularizou, entre milhares de leitores por todo o país. Seus haicais eram seguidos por charges refinadas, e da mesma verve humorística e irônica dos primeiros modernistas.
Fonte: "boa companhia" de Rodolfo Witzig Guttilla. Editora: Companhia das Letras


 - Próximo haicaista brasileiro neste blog: Mário Quintana

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Pixinguinha & Benedito Lacerda - "1 x 0" e "Aguenta, seu Fulgêncio"


 Composição de Pixinguinha e Benedito Lacerda homenageando o gol de Friedenreich no Campeonato Sul-Americano de Futebol de 1919

Pixinguinha é o segundo da direita para a esquerda. Este choro foi lançado pelo próprio à flauta, em 1930. Nesta gravação o dueto de seu sax com a flauta de Benedito Lacerda, em gravação RCA Victor de 4 de abril de 1949, só lançada em junho de 50

Alfredo da Rocha Vianna Jr., o Pixinguinha (1897-1973, Rio de Janeiro)

Foto PixinguinhaPixinguinha foi um menino prodígio, tocava cavaquinho com 12 anos. Aos 13 passava ao bombardino e a flauta. Até hoje é reconhecido como o melhor flautista da história da música brasileira. Mais velho trocaria a flauta pelo saxofone, pois não tinha mais a firmeza e embocadura necessárias. Aos desessete anos grava suas primeiras instrumentações e, no ano seguinte, as suas primeiras composições, nada menos que as pérolas Rosa e Sofres Porque Queres.

Benedito Lacerda (Macaé/Rio de Janeiro, 1903-1958)

Compositor, flautista e maestro brasileiro.  Com o seu Conjunto Regional Benedito Lacerda, acompanhou nomes como Carmen Miranda, Luiz Barbosa, Mário Reis, e Francisco Alves, além de atuar com êxito como compositor. Os arranjos e contrapontos executados pela dupla Pixinguinha e Benedito Lacerda revolucionaram a instrumentação brasileira e influenciam até hoje os novos talentos musicais.

Paulo Leminski - Haicaistas Brasileiros (2)



esta estrada vai longe
mas se for
vai fazer muita falta


roupas no varal

deus seja louvado
entre as coisas lavadas


duas folhas na sandália

O outono
também quer andar


cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença


Outra postagem com haicais de Leminski:
http://poemas-de-sol.blogspot.com.br/2011/08/paulo-leminski-haicais.html
- Próximo haicaista brasileiro: Millôr Fernandes (neste blog)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Alice Ruiz - Haicaistas brasileiros (1)


primavera
até a cadeira
olha pra janela


rede ao vento
se retorce de saudade
sem você dentro


ouvindo Quintana
minha alma
assobia e chupa cana


cerimônia do chá
três convidados
e um mosquito


See full size image



Alice Ruiz
com o haicaista
Paulo Leminsky


Próximos haicaistas:
- Paulo Leminsky
- Millôr Fernandes

Na rua de casa (Haicai)





Na rua de casa
passa até o que não passa
pela garganta.

Jairo R. Toffanetto


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Sentimento do belo *

* Reedição da postagem de 08/08/2010


O sentimento do Belo é essencialmente poético
porque nele mora a eternidade.

                                                                   JRToffanetto (foto)
Jairo Ramos Toffanetto

OBS: Esta foto é de quando a Regina e eu,
num aprazível fim de tarde, camimhávamos pelo bairro

terça-feira, 11 de setembro de 2012

"Lá" no contratempo" (Reedição)


Google Imagem

Finado toda forma de vida no planeta,
a última folha de árvore a cair
emitiria um som musical: a nota “lá”.

Se pudéssemos sentir
o rastro de luz deixado por esta folhinha...
ouviríamos uma sinfonia,
e não a do fim do mundo,
mas a do Belo.

Nota:
Através dos neutrinos, as vibrações emitidas
por cada um de nós vão até os confins do universo. 


Jairo Ramos Toffanetto