sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Caetano Veloso -" Lua e Estrela" e "Você é linda"


Brilho da Lua
É noite, é bem tarde

Esta canção é só pra dizer
e diz

 
 
 

Hospital do Rim (In Art da Vida)


Na madrugada adentro


Vila Clementino amanhecendo (Vista do quinto andar)



Tomada da rampa de acesso à Recepção
  


















Fotos tiradas no dia 16.10.2011

Jairo Ramos Toffanetto

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Espelh'arte Vila Clementino-SP

 
 
 
 
 
 
 
 



 

 

 
 






 
 Fotos tiradas na ruas Borges Lagoa, Leandro e Pedro de Toledo
 
Jairo Ramos Toffanetto

Oscar Peterson - Boogie Blues Etude

Uma das mais importantes virtuoses do Jazz & Blues. 
 

Oscar Peterson (1925-2007)

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A Regina e eu. Na floricultura (crônica + fotos)

 
A Regina não me deixava fotografá-la. Ao passarmos diante de uma floricultura ela se quedou pela vitrine e foi lgo exclamando:
- Foi deste arranjo de dlores que eu te falei agora a pouco. Eu vi a pessoa se maravilhando ao recebê-lo de presente. Flores lindas lindas.
 
 
Pensei surpreendê-la dizendo:
- Pronto, você acaba de ganhá-lo.
- Que pena! Algumas delas já estão cansadinhas, respondeu-me ela.
- Vou entrar na floricultura para fotografar o arranjo.
Na verdade, eu queria que ela continuasse do lado de fora para a fotografar de dentro pra fora através da vitrine, mas qual, ela entrou comigo. Perguntei ao lojista.
 
- Moço, posso fotografar aquele vaso ali?
 
 
- Você pode fotografar o que quiser.
Bem, então comecei a gastar o tempo dentro da floricultura e fiz uma série de fotos.
 
 
Fotografei até um cachorrinho cheirando os arranjos. Não o fotografei mais porque a sua dona saiu logo depois da foto e,
 
finalmente, a Regina saiu da floricultura e voltou para a vitrine. Peguei-a de primeira. Creio que a foto mostra, por si só, um pouco deste momento mágico, eterno de felicidade.
  

 
 
1. As fotos foram tiradas dentro de uma floricultura na Rua Borges Lagoa-SP
2. Sujeiras no vidro (foto da Regina) a serem oportunamente tiradas com o Adobe Photoshop

Jairo Ramos Toffanetto
 

domingo, 25 de novembro de 2012

"Samba Pros Poetas - Diogo Nogueira" e Diogo Nogueira dançando gafieira


VIVA O SAMBA DE RAIZ
..."Eternizado pelos verdadeiros " bambas", renovado por gente da gente"....
Diogo Nogueira samba de verdade.
Não deixe o samba morrer e também a dança da gafieira
 
Composição de Diogo Nogueira
 
 
 
Outra postagem com Diogo Nogueira: 
Samba da Gafieira:
 


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Arte Fotográfica na calçada do Hospital do Rim-SP



















CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAÇÃO
Fotos JRT 23.01.2012

Jairo Ramos Toffanetto

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

São Paulo com as vísceras de fora.


A cidade de São Paulo estava diferente nesta segunda-feira, véspera de feriado. Trânsito desinchado e menos ruidoso. Menos gente na ruas e caminhando mais naturalmente. Não havia o sintoma da pressa em uma cidade que, como dizem, não pode parar.

Às 07:45 h entrei numa fila pela rua lateral de um prédio de esquina com a Rua Domingos de Moraes. Ficar parado sempre mexe comigo. Fiquei brincando com os enquadramentos da máquina fotográfica até me deparar com meus pés na fila. Para onde iria a pessoa que descia a rampa de acesso eu não sei.


Depois achei de fotografar o que estava à minha frente como um registro  do vazio da rua e que me abria um sentimento  velho conhecido meu, o do insólito - esmagador nos meus vinte anos de idade.


Foi ao rever esta foto que notei uma senhora subindo a a rampa de acesso para entrar na fila. De onde ela vinha?


De onde ela vinha eu não sei. Sei que ela chegara sem sair de si mesma. O olhar de uma senhora pré-ocupada. De braços cruzados à frente do peito, ela protegia-se de alguma passagem do filme da sua vida.

 
A fila andou um passo. Fiquei sobre as marcas da última chuva. Alguém saíra debaixo dágua e encheu de terra o solado de um tênis antes de pegar a integração subúrbio-metrô-ônibus. Ali na fila ele achou de tirar a terra já seca e bateu os pés contra o piso do corredor.
 
Por aquele corredor passava muita gente, muita história de vida, muita realidade de luta e fé na vida. Muita ilusão, pouco fantasias e caprichos, muito suor e pouca brisa, mais sujeitos às determinações do meio que individuação, mais personalidade que identidade livre e feliz.
 
Enfim, a cidade de São Paulo continua a mesma, com as vísceras de fora.
 
 
A cidade de São Paulo foi fundada em 1554 por padres jesuítas. 
É a sexta maior cidade do mundo com uma população
de 19 223 897 habitantes e é a quarta aglomeração urbana do mundo.
 
Jairo Ramos Toffanetto
 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Trazendo o céu pra terra



A flor se abre pra luz.
Dar-se em perfeição é alcançar o céu,
ali mesmo na calçada

 
As flores são presentes da terra.
Trazem o céu para o chão que a alimenta.
 
 
Fotos tiradas ante de ontem, na Vila Clementino-SP
Rua Leandro entre a R. Borges Lagoa e Pedro de Toledo


Jairo Ramos Toffanetto

Viva Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares.

 
O Navio Negreiro - Caetano Veloso & Mª Bethânia,
poema de Castro Alves 
 
 

Anjo no azul do céu


Assim que bati os olhos no céu surpreendi-me com a imagem formada pelos cirros.
À primeira vista imaginei que alguma anja deixara cair um véu em nosso céu, talvez um lencinho.

Mas me pareceu uma asa ao percorrer a imagem com o enquadramento da máquina fotográfica em zoom. Uma asa caída no céu assim como uma pétala ao chão.  

Ocorreu na quinta-feira passada. Depois de algumas fotos, desliguei a máquina e guardei o sentimento gerado.

Ontem, ao lado da Regina, fotografei a Igreja Nossa Senhora da Saúde em São Paulo. Depois me sentei ao lado dela, meu presente de vida, e disparei o botão de recuo de imagens para lhe mostrar a o início da sequência das fotos, e que eram muitas. Ao tirar o dedo a máquina parou numa das fotos imaginada anja.

O que eu não esperava era ver a anja em carne em osso, isto é, fiquei nas nuvens. Poxa, a anja lá estava  o tempo todo. Creio que se eu tivesse ficado mais uns instantes sob aquele espetáculo em azul e branco, agora estaria mostrando a anja em pleno voo mas, pelo movimento dos cirros, seu voo alçaria para o sol e, pela intensidade da luz mais a delicadeza fugaz das nuvens, já não seria possível registrar, fica por conta da imaginação.

Jairo Ramos Toffanetto
Fotos em 15NOV2012
(Clique nas imagens para amplição)

domingo, 18 de novembro de 2012

Tel Aviv versus Palestina, doces e a Era do Atemporal


Imagens de doces sempre aparecem postadas pelos amigos no facebook. Gosto de doce e dificilmente recusaria um destes que apresentam mas não desta instigação virtual ao paladar. Quase uma maldade, quase uma deselegância, quase uma cachorrada, pois, em geral, oferece-se o que se está comendo e é o que nos caracteriza como seres humanos. Já o cão rosna quando está comendo, nada compartilha, crava os dentes naquele que supostamente lhe ameça tomar o osso e, no fim, enterra-o pra ninguém mais saber dele.


Contraponho tais imagens empanturradas de doce com a de frutas sobre o tajer de casa. Afinal as frutas são o único alimento que ingerimos vivo, todos os demais passam pelo fogo da panela ou pelo calor do forno, ou até pelo atrito entre moléculas a gerar calor pelo microondas, o que é deveras cruel para com o alimento ainda vivo (os legumes) ou em hibernação (os grãos).

Será romântico demais dizer que houve um tempo em que comíamos frutas sobre o galho da própria árvore, ou é apenas puro saudosísmo? Pois me cansei de comer em mesa de restaurante de fábrica e ver pessoas que não comiam nenhuma fruta e também nenhuma verdura. Um deles me disse que não chupava laranja porque não gostava de descascá-la. Ora, na minha infância fazíamos um corte na casca e a descascávamos na unha. Quando meu pai viu que minha mãe tentava tirar a faca de de minha mão com medo que eu me cortasse ao descascar um delas, disse-lhe com um sorriso de orgulho no rosto:
- Deixa o menino. Não vê que ele está se tornando um hominho?

Eu gostava de maçã argentina a ser comida sem descascar e só para sentir o doce da casca. Esta é a melhor concepção de doce que posso compartilhar.

Voltando ao "sugar blue" e aos "tempos de antão", doces eram oferecidos como luxo após o almoço de domingo, como os mousses postos em taças de champagne,  o manjar branco com calda e ameixa preta, o sorvete caseiro... também era dia de turbaína à mesa, guaraná, cruch ou grapete. Durante a semana podia sair um doce de abóbora com raspas de côco, curau, doce de mamão verde, doce de leite, de amendoim... Por falar em amendoim, "pé de moleque" era daqueles que ao ser mordido puxava fio. A goiabada que comíamos na casa da vizinha era feita em tacho de cobre... chupávamos bala de banana que saía da forma do forno em choque térmico contra a pedra fria da pia de cozinha. Maria-mole era feita de baciada e a criançada da vizinhança era convidada a compartilhar, e o mesmo se dava com as rodas de bolo de fubá - uma festa. Se íamos à casa de alguém, sempre saía uma roda de bolo caipira, ou se oferecia canjica com amendoim moído que se guardava na geladeira. Os doces de batata doce e de abóbora eram cristalizados ao sol. Aos domingos também era dia de sagu, o qual sempre vinha com sabor diferente ao da outra vez, ora de laranja, ora de limão, ora de vinho, e até com groselha. Delícias sem fim e impagáveis por que simples, por que... havia amor como ingrediente mais importante. Dar doce ao outro era sinônimo de bondade, das mais caras intenções entre as pessoas.

Tá, tô a dizer de doce, doces de uma época doce. A novidade era bossa-nova, rockn'roll e música romântica italiana, patinete e bambolê, matinê de cinema, gente acompanhada de doces assobios de alguma modinha da época. Cantava-se nos bares e nas casas,  nas ruas, declamava-se quadrinhas populares, contavam-se "histórias do tempo do onça", e as de Pedro Malazarte eram muito populares. Época em que todo acontecido dava samba.

As mulheres usavam laquê nos cabelos e a nova moda era o formato exú de abelhas. Elas começavam usar calças compridas e a dirigir automóveis. Usavam vestidos tubinho e nas cores dos papéis de balão, cílios postiços, fumavam em piteiras, mascavam chicle... Tudo isto era muito doce, imensamente doce, intensamente doce, irreverentemente doce. As pessoas sonhavam e deixavam o outro sonhar. Viviam como obra de arte.

Enfim, hoje não vivemos tempos heróicos ou poéticos, mas a era do abstrato, do atemporal, do adimensional. O estado de encanto é em néctar, mas a Poesia que o move ainda foi decodificada nem pelos propalados aos quatro ventos pelos avatares da vez. Ingressamos numa nova era, e de puro movimento ascensional a exigir interatividade multidisciplinar e não mais especialidades, a exigir conhecimento no lugar da informação, a exigir o novo inteiramente novo, o moto-perpétuo do movimento da inação. A maior novidade que esta Era Atemporal traz é a mais antiga de todas: o amor, a bondade, tudo do que gera paz, o equilíbrio, a delicadeza.

Hoje (sábado) um mísiel palestino foi interceptado no céu de Tel Avive. As nuvens que pude ver nos céus da reportagem televisiva contavam outra coisa para além da fumaça escura deixada pelo choque entre bombas. Elas diziam da eternidade, da Paz em seu significado de harmonia, mas este céu ainda é um continente desconhecido sobre as cabeças.

Ainda se faz guerra pela paz porque nada se sabe da Paz. Fatos nefastos, de grande estrago em nosso aziago universo humano. Imagino estes dois povos atirando bombas contra o outro, e de maior número de megatons possível. A de Israel explodiria de modo a cobrir  a Palestina com rosas e o seu doce perfume no lugar do cheiro de pólvora. A Palestina devolveria tal gesto com outra bomba. Uma que ao explodir oferecesse uma chuva de doces árabes sobre toda a Israel. Tantas rosas e doces que seriam compartilhadas com os povos vizinhos, e tudo viraria festa, acabava em samba. Eu mesmo rumaria pra lá só para provar o doce sírio, e também lhes compartilharia a nossa mais singela rapadura ao som de um maracatu atômico.

Jairo Ramos Toffanetto