domingo, 31 de março de 2013

Neste domingo de Páscoa.


Uma imagem marcou um certo domingo de Páscoa da minha infância. Minha mãe me dissera para eu encher uma bacia com água para ver o Cristo no céu.

O céu era azul como o desta manhã, límpido como a água na bacia, mas nela o céu não se refletia.

- Manhê... não estou vendo nada. Nem o céu azul aparece.

Da cozinha ela me responde:

- Continua olhando que Ele já aparece.

Eu devia ter oito anos de idade. Sei disso porque foi o ano em que mudamos do Jardim Pitangueiras para a Vila Progresso. Por fim, com as mãos eu ia jogando a água para vê-la escorrer pelo quintal como um rio a separar formiguinhas e ilhar outras. Só faziam a passagem se o fio de água cessasse de escorrer

Agora fiquei sabendo que lá no Rio Grande do Sul se fazia a mesma brincadeira com as crianças. Coisa da mente coletiva da época.

Hoje o céu amanheceu azul e límpido como o daquele domingo de antigamente. Pois enchi  um balde com água e nela dissolvi um pouco da pedra de anil. Enfiei a cabeça dentro e me vi refletido na superfície da água.
 
Quem me dera a transparência da água límpida.
Bem que tento.
Quem me dera ver Jesus, o Cristo em mim.
Bem que atento
mas...
desatento à atenção
a passagem acontece
 
Eu Sou o Cristo que há em mim
desde as pequenas ações?

 


Jairo Ramos Toffanetto

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