domingo, 30 de junho de 2013

Da lição do dia outonal

FotoJRT230613
Av.Samuel Martins
Jundiaí/SP

                                                                                            Clique para ampliar


Da lição do dia outonal, no silêncio do inverno a árvore projeta primavera e verão.

Porque se cria no outono, o homem vive o inverno no verão porque nada sabe da primavera .

A moto-serra é a versão diabólica do machado.

JRToffanetto

Branco da página


Clique para ampliar (FotoJRT)

BRANCO DA PÁGINA


Quero a folha em branco
Na ponta do compasso
Pauto a página pra que vim
Esquadrejo versos viveiros
Meu traço é do lápis de cor
A rima não é minha


Jairo Ramos Toffanetto
 

sábado, 29 de junho de 2013

Jeff Beck live at Ronnie Scott's - Full show


 
Jeff Beck - Guitar
Vinnie Colauta (Drums)
Jason Rebello (keyboards)
Tal Wilkenfeld (bass guitar)
Guest Artists:
Jass Stone
Imogen Heap
Eric Clapton
2008 Deuce Music Ltda

Jairo-sem-vergonha


FotoJRT7613-09:17h
R.Domingos de Morais-SP
CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR

 


Não há preferência no universo das flores. Cada um delas nos tocam de uma maneira diferente e especial, sempre com perfeição = beleza, integradas ao meio em que estão e ao Todo. Mas este jardim de “maria-sem-vergonha” me fez pensar. Gerou a imagem da humanidade, a imagem do “João-sem-vergonha”, da “Maria-sem-vergonha”, do “Jairo-sem-vergonha”..., enfim, 'sem-vergonha(s)' unidos jamais serão vencidos.

 
Jairo Ramos Toffanetto

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Gilda Nomacce em "Macaca de circo"


ATENÇÃO:
ESTE VIDEO TEM CENAS FORTES E PALAVREADO QUE PODERÃO SER PERTUBADORES À ALGUMAS PESSOAS!!!!!



Clique neste link para assistí-lo:
(Concepção e atuação: Gilda Nomacce.)
 
Tão real que a delicadeza da condição humana só é possível ser transmitida pela interpretação mágica, claustrofóbica, pungente e, sobretudo, brilhante da Gilda. Mostra-nos uma realidade da qual todos nós somos responsáveis. Este vídeo deveria ir pro ar bem no meio do Jornal da Globo. (JRToffanetto)
 

Itamar Assumpção e Banda Isca de Polícia em "Prezadíssimos Ouvintes"


 

Assim comentou no YouTube
o Thiaguinho GrupoNaZoeira:
"o geração miseravel essa minha...
se ñ passar no liquidificador eles ñ consomem"

Voar é voltar para o local de origem


                                                 FotoJRT19052012 (CLIQUE P/ AMPLIAR)


A felicidade está na natureza do voo, o voar de volta para o lugar de origem. Seu voo é emigratório. Quem aprende voar ensina o outro. Só em bando se voa para a Paz. A felicidade se compartilha, pois o contrário não seria justo. Felicidade é sinônimo de algo maior: a Paz. Só criaturas aladas vão para ela, a propósito, como vão as suas asas?
Jairo Ramos Toffanetto

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Robin Trower - Find Me


From the cd "The Playful Heart" - 2010


Robin Trower (guitarra), Pete Thompson (bateria), 
Davey Pattison (vocal), Glenn Letsch (baixo).

Robert Mickelsen e a minuciosa arte em vidro

(Clique na imagem para ampliar)

As esculturas de Mickelsen dizem tudo, condensado num único ponto, no primeiro instante do encontro do olhar. É o belo artístico, ou o que mais se pode dizer sobre o que trancende a vista, o prazer estético, e nos remete à delicadeza, ao equilíbrio de forças, ao surpreendente, ao pleno sentir? Apaixonante. Eis a esculturação do belo. Eu tomo um avião para chegar perto delas e sentir a transposição oferecida pelo artista através do tridimensional.


 
 
 
 
 
 


 
 



 
Robert Mickelsen é muito mais do que um simples artesão. Nascido em 1951 (Fort Belvoir/Virgínia), mas criado em Honolulu/Havaí, cria peças originais em vidro com muita criatividade e complexidade, trabalhando cores e transparências do material. Suas habilidades para esculpir no vidro formas complexas e minuciosas são fruto de sua experiência prática, além da pesquisa em seus incontáveis livros de arte, pois a partir da referência de outros artistas é possível enriquecer o olhar e ampliar as possibilidades na hora de criar.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

A flor em segredo




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Porque o cactus colocou seus espinhos para fora, pôde gestar dentro de si, veladamente, não apenas uma flor tão linda quanto exótica, mas algo maior do que si próprio e, sobretudo, doando-o para a luz, a mesma luz de sol e lua que fez nascer a flor em segredo.


                                                                                 Google Imagens

Jairo Ramos Toffanetto
 

Romero Britto, um convite para ser feliz


Romero Britto é um artista cujos elementos em sua composição estão no prazer das cores e no arranjo estético. Pinta para os olhos, apenas, mas é muito bom no que faz, resulta em alegria, uma festa sensorial. Talvez seja esta a mensagem que ele nos traz: a suavidade em primeiro e único plano. Embora não nos provoque, nem nos desafie, acalma-nos, não bombardeia nossos sentidos. Se há algum impacto em sua obra, ele o é da docilidade, um convite para ser feliz. Enfim, ele é um brasileiro. Orgulho-me dele por isto. (JRToffanetto)




 

 


 

 
 
 

 
 



Romero Britto
Recife, 6 de outubro de 1963.
Pintor, escultor e serígrafo brasileiro.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Romero_Britto
http://www.e-biografias.net/romero_britto/

terça-feira, 25 de junho de 2013

Kaori Muraji plays Villa-Lobos: Etude No.1エチュードNo.1



Kaori Muraji (村治佳 é uma violonista clássica japonesa nascida em 14 de abril de 1978

Orlando Fraga em seu ensaio "OS 12 ESTUDOS PARA VIOLÃO DE VILLA-LOBOS: COMO OS
MANUSCRITOS PODEM INTERFERIR NA INTERPRETAÇÃO (http://www.embap.pr.gov.br/arquivos/File/eventos/orlando.pdf ) escreve:

(...)A revelação ao público em 1992 dos manuscritos dos 12 Estudos para Violão
de Heitor Villa-Lobos, tem levantado algumas controvérsias por conta da inconsistência de texto entre esses mesmos manuscritos e sua versão impressa. Até a presente data, cinco diferentes conjuntos de manuscritos em variados estágios de acabamento são conhecidos.(...)
 
(...) De acordo com Donga, um dos mais influentes chorões do seu tempo

"...Villa-Lobos era alguém que podia sempre improvisar e que também era um
bom instrumentista. Tocava peças clássicas difíceis que exigiam uma boa
técnica e constantemente praticava para melhorar sua execução."
 
(...)Esta habilidade seria determinante mais adiante na maturidade do compositor, pois sua música para violão emergiria justamente desta capacidade de improvisação. Villa-Lobos sempre compôs diretamente no instrumento. Talvez exatamente por esta intimidade com o instrumento ele pôde criar uma música para violão tão original e ao mesmo tempo tão marcante para o mundo violonístico. Entre solos e câmara, Villa-Lobos escreveu mais de 40 peças para violão. Também realizou algumas transcrições, que incluem trabalhos de Chopin e a Chaconne de Bach. (...)
 
(...)A importância dos 12 Estudos para violão de Villa-Lobos
foram as primeiras obras modernas de concerto significantes, antecedidas apenas pela Homanaje pour le Tombeau de Debussy de Manuel de Falla (1920) e se mantém deste então como repertório obrigatório tanto pelo seu valo técnico quanto estético. Os 12 Estudos também representam uma síntese do pensamento estético de Villa-Lobos.(...) 
 
"(...)Contudo, um evento que ocorreu muito antes da publicação dos Estudos mudaria para sempre sua história. Em 1936, Villa-Lobos terminou seu casamento com Lucilia Gimarães. Consternada, Lucilia deixou a residência do casal, levando consigo tudo quanto era possível, incluindo uma pilha de manuscritos. Entre estes, um conjunto completo dos 12 Estudos. Em 13 de dezembro de 1991, muito depois da morte tanto de Lucilia quanto de Arminda (segunda mulher de Villa-Lobos) estes manuscritos foram doados ao Museu Villa-Lobos por membros da família Guimarães.
 
O material foi então indexado e disponibilizado em maio de 1992. Ao mesmo tempo, outro conjunto de manuscritos mantidos pela Éditions Max Eschig, veio a público. Nos últimos anos um certo número de artigos, ensaios e teses vem tentando com diferentes graus de sucesso, filtrar os manuscritos em relação à edição oficial. Alguns equívocos foram cometidos como conseqüência de técnicas de pesquisa equivocadas ou a falta de compreensão da vida de Villa-Lobos e as vircunstâncias de sua música.
Outros são quase inevitáveis, como a falta de familiaridade com língua portuguesa por parte dos pesquisadores e do quase total desconhecimento do meio musical brasileiro (para os estrangeiros). São muitas inquietações e não será possível respondê-las todas. O que é curioso, entretanto, é que talvez nem o próprio Villa-Lobos fosse capaz disso. Ele era conhecido por deliberadamente confundir os seus interlocutores.(...)"
 

 

 







 

Villa Lobos - Prelúdio nº 3, Ana Giollo



Ana Carolina Giollo

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Ao mesmo tempo (poema presente)

FotoJRT7613 - Itatiba/SP
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AO MESMO TEMPO

A cidade de Itatiba mudou
O tempo não feneceu
A carroça passou
O arreio bateu
A bodega ficou
A cana brava desceu
O carroceiro não parou
- Eia, eia, cavalinho meu

Pressente
Pra que tal
Cascos no asfalto
Pra que tal
Futuro do passado
Pra que tal
Compasso do tempo
Pra que tal
Presente do futuro
Pra que tal
- Vai com força, cavalinho
Pra que tal
Outros tempos
Pra que tal...
Pa-que-ta-pa-que-ta
Presente

JRToffanetto

Brasil Chocante (Manifestações de rua)

FotoJRT8213
Av. dos Ferroviários, Jundiaí/SP
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Fazem quatro meses que tirei esta foto à caminho da Estação Ferroviária e até ontem não consegui dar texto. 
 
Não vou inventar um conto, criar um poema ou escrever um ensaio. Nem no período paleolítico as crianças viveram assim. Nem as crianças dos hominídeos viveram assim. 
 
A foto não é de uma boneca, mas de um contingente enorme de crianças brasileiras e de outras legiões delas pelo mundo a fora, largadas à própria sorte. 
 
O povo brasileiro saiu pras ruas e se manifestou pelo PADRÃO FIFA para nossa educação, hospitais, escolas, segurança e tudo mais. Por causa deste movimento popular expontâneo - apartidário - pelas ruas do país e pelo campo de guerra aberto pelos mais exaltados arruaceiros, saqueadores e violentos, a president(a) Dilma está com medo danado que a Fifa retire a Copa do Mundo do nosso país e ela perca o poder e o seu partido, o PT, causador de muito mais estragos (irreparáveis) que os tais vândalos de plantão, entre em desgraça eterna. 
 
A coisa pode ficar bem pior e desencadear, por exemplo, a súcia de bandos extremistas com armas na mão. Quem, nos dias de hoje, pode acreditar em alcançar a paz através da guerra? Guerra = Paz? Só os doentes mentais, os de psiquismo deformado, os alucinados podem desejar isto.
 
A oportunidade de mudança global começa agora. Que tal a Fifa pegar o seu lucro e abrir uma "fundação" para cuidar das crianças desamparadas em todo o mundo, a começar pelas do Brasil, como módulo, como PADRÃO FIFA? E não só a Fifa, a Coca-cola, a Nike, e assim por diante.
 
Se deixar na mão do PT, logo instiuirão "Bolsa Coca-cola" junto a uma alpargata, uma boneca, uma bola de plástico, um torrone, e mais meia dúzia de bexigas vermelhas com a estrelinha do partido para as crianças insuflar. Tudo numa caixinha com a cara do Genoíno, do Zé Dirceu, do Marcos Valério e OUTROS MAIS do famigerado esquema do MENSALÃO. Ah, eles não se esqueceriam a presidencial faixa verde-amarelo na tampa da caixa, é claro. O que fariam com o resto do dinheiro? TODO MUNDO SABE: levariam-no até no meio da cueca.

Que pena, Sr. Joseph Blatter.
Que pena Sra. Exma. Presidente Dilma Rousseff.
Que pena crianças brasileiras.
Que pena crianças de todo o planeta.

 
 
JRToffanetto
 

Poemas "A Bandeira" e "Teorema das Compensações - Murilo Mendes em "A História do Brasil"

 
(Para ler os poemas do poeta Murilo Mendes e entendê-los, é preciso ter em mente que é preciso ter conhecimentos da história do Brasil, pois o humor dos textos se baseia em referências e alusões específicos a períodos ou episódios históricos, cujo desconhecimento pode tornar os poemas sem graça ou ininteligíveis.)
 
Escreveu Antonio Carlos Olivieri:
Em a "História do Brasil" (1933), o livro encara a nossa história com o humor iconoclasta da primeira geração do modernismo (embora publicado dez anos após a Semana de Arte Moderna de 1922). A obra cria, "com irreverência e malandragem lírica, o reverso de nossa mitologia cívica", na definição do grande escritor Aníbal Machado (1884-1964).
 
A Bandeira (1933)

Durante meses e anos
Nós furamos o sertão,
Atravessamos florestas,
Desviamos os cursos dos rios;
Nossas famílias também, vão resolutas com a gente,
galinhas, carneiros, porcos,
Tudo aprende geografia,

... Num só tempo procuramos
As esmeraldas enormes
E traçamos, fatigados,
o mapa deste país.

Esmeralda não achamos
Ou achamos, mas sloper.
Não achamos esmeraldas.
Mas o tempo não perdemos:
No fim deste pic-nic
Desenrolamos no céu
A bandeira do país.
Escancaramento dos bastidores do poder:
 
"Teorema das Compensações"
O bicheiro é vereador.
Depende do presidente
Da Câmara Municipal.
O presidente é meio pobre,
Arrisca sempre na sorte,
Ai! depende do bicheiro.

O bicheiro ganha sempre
Na eleição pra vereador.
E “seu” presidente acerta
Muitas vezes na centena.


O poeta mineiro Murilo Mendes, nasceu no dia 13 de maio de 1901 na cidade de Juiz de Fora e morreu no ano de 1975 na cidade de Lisboa, em Portugal. Na década de 20, publicou poemas nas revistas modernistas "Verde" e "Revista da Antropofagia". Publicou seu primeiro livro , Poemas, em 1930, que lhe rendeu no ano seguinte o prêmio "Graça Aranha". Converteu-se, em 1934 ao catolicismo sendo que a religiosidade é um dos temas marcantes de sua produção poética. Morou na Itália, foi professor da Universidade de Pisa e teve seus livros publicados em toda Europa. Foi um dos mais importantes poetas do século XX.

"Poemas" (1930), "Bumba-meu-poeta" (1930), "História do Brasil" (1933), "Tempo e eternidade" - com Jorge de Lima (1935), "A poesia em pânico" (1937), "O Visionário" (1941), "As metamorfoses" (1944), "Mundo enigma" e "O discípulo de Emaús" (1945), "Poesia liberdade" (1947), "Janela do caos" - França (1949), "Contemplação de Ouro Preto" (1954) são suas principais obras.

domingo, 23 de junho de 2013

Recriando o "Homo Brasiliensis" de Murilo Mendes

Típico poema piada modernista de Murilo Mendes:

Homo Brasiliensis
O homem
É o único animal que joga no bicho.

(O poeta se referia ao "jogo do bicho")

Um poema ralo bairrista
de Jairo R. Toffanetto:
Homo Vilarense
O homem
É o único animal que mata o bicho
com o copo na mão.
(O poeta se refere ao bicho homem,
Vilarense por Vila Arens, e copo
como aguardente)

JRToffanetto
 

Não se acostume com o que não o faz feliz (Poema de Fernando Pessoa)


O poeta fala do temperar para que a vida tenha sabor.  A conquista do reinar sobre si mesmo é sinônimo de felicidade expandida ao meio e para todo o universo. Por-se em movimento é partir para a conquista de existência verdadeira, real. Felicidade é integrar-se à Paz Maior, e no tanto em que Ela pode caber em nosso espaço interno já/agora. Viemos para ser felizes. (JRToffanetto)

 
Não se acostume com o que não o faz feliz,
revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!


Fernando Pessoa foi um poeta e escritor português nascido em Lisboa. É considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa e da literatura universal

O gigante estava acordado


Brasil x Itália pela televisão, muitos gols (6) e nenhum rojão hoje à tarde. Porque será? Emoções não faltaram. Jogo disputado. Futebol bonito e... silêncio. Tentei buscar razões, afinal, o futebol sempre foi euforia nacional, e nada! Gostaria de saber se o mesmo ocorreu em outras cidades. O Brasil mudou? O povo já não é o mesmo? Entendo que ele deverá mudar pra melhor se realmente quer que o Brasil mude para melhor. Como disseram centenas de milhares de pessoas em manifestações pelas ruas de quase todo país: O gigante acordou?

Aqui em Jundiaí, cidade que conta com a grande e festeira colônia italiana, talvez a maior do estado de São Paulo e... nada de foguetório nem nos gols da sua Squadra Azurra! Pra se ter uma ideia deste sentimento italiano, meu pai, neto de italiano padovês, brincava comigo - quando eu menino -, dizendo que eu era tão italiano quanto ele. Quando as duas seleções se enfrentavam eu o cutucava com a pergunta “Pra quem o senhor vai torcer?” Respondia ele "que vença a seleção que jogar o melhor futebol". Ora, estávamos na era Pelé, e a nossa seleção era aplaudida como a melhor de todos os tempos.

Bem, eu ficava assistindo o jogo olhando para ele, decifrando suas expressões faciais. Com a seleção brasileira ele sorria, aliás, ele sempre torcia discretamente, seja pela seleção ou pelo seu Corinthians. Mas quando a seleção italiana perdia um gol ele exclamava “Oh puxa-vida”. Isto me confundia um pouco, mas eu gostava disto. Meu pai era uma grande atração para mim. Tinha algo de matuto, algo do interior do estado a noroeste, algo emigrante rural, algo apaixonado pela capital, a cidade de São Paulo aonde morou, trabalhou, casou-se e teve seus filhos. Enfim, um cosmopolita como os de antigamente.

1x0 - 1x1 - 2x1 - 3x1 - 3x2 - 4x2 para o Brasil, significando uma eletrizante partida de futebol entre tradicionais e históricas seleções que algumas vezes decidiram a Copa do Mundo. Um taco a taco sempre presente entre seleções campeãs e... nada de rojão ou caramurú! Nenhum "chibum".
Vila Arens (Google Imagens)
Uns quarenta minutos após o jogo deixei a Regina no supermercado e fui ao caixa eletrônico de um banco. Passando em frente ao portão de entrada para o salão paroquial da Igreja de Vila Arens, vi um homem de calça social, paletó e gravata ocupando a entrada, fechando-a com o corpo, e que me mediu dos pés à cabeça.

Há mais de quarenta anos na Vila Progresso, um bairro estendido da Vila Arens, dá-me a liberdade de transitar por aqui de bicicleta, camiseta, bermuda e chinelo de dedo se preciso for. Mas tinha saído com minha mulher e a deixado num supermercado aonde estacionei o carro. Fui com a roupa do corpo: calça azul escuro, de elástico na cintura com uma larga faixa branca na lateral da perna e camiseta da seleção sob uma jaqueta de frio. Algo assim... à vontade, livre, com as cores da seleção brasileira, poxa!

Como sempre me sinto de bem com a vida e não sobrelevando circunstâncias ou contingências no meu modo de ser, cumprimentei o indivíduo, um segurança em seu trabalho. Mas “o cara” me respondeu com silêncio opressor, olhos discriminatórios, pregados em mim. Ôrra, já ando meio careca e meus cabelos brancos estão tomando conta do telhado. Cara de arruaceiro? Sou uma ameaça à ordem dos ilustres provincianos aqui do lugarejo? Não achei que lhe deveria questionar isto, pois aprendi que com brucutu ou ignorante não se dialoga, ignora-se.

Enfim, se as mudanças pretendidas pela moçada em passeata nas ruas está dando também nisto... mio Dio!... muitas águas haverão de rolar. Muitos ainda estão no jardim da infância civilizacional para se incorporar ao gigante.

Jairo Ramos Toffanetto

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Marulhos de Guarulhos na manhã dos barulhos. Hoje, às 07:10 h


Na esquina da Av.C.F.Endres com a Av.Guarulhos ocorreu-me estar de frente para o mar, mas não em relação ao mesmo sol que, por aqui, insiste em não aparecer nesta manhãzinha de sexta-feira, ou ao céu aberto, livre para as “voanças” das gaivotas, mas ao clima pesado, rente ao chão, denso de carros passando apressados ocupando cada centímetro de espaço.

Chegam abruptos como uma onda a quebrar na praia e, ao contrário de um descansado marulho, avançam pela avenida com nervosas arrebentações sonoras. As motocicletas mergulham no meio dos veículos como um golfinho no meio de cardume de sardinhas.

Não ouço o romântico apito de navio, ma uma apreensiva sirene de ambulância forçando caminho no meio de cações. Ouço troca de xingos, algo feroz, vomitado. Não sabia que tubarões gritavam.

Nas calçadas, ninguém está a caminhar pela manhãzinha. Por um pesadelo se anda quase sem pernas, correndo. Mochilinha nas costas e olhares fixos num ponto esquisito.

Passo por uma lanchonete. Não sinto cheiro de pão na chapa. O do café se mistura como o da pinga no hálito do balcão. Cito em bom tom o nome do maço de cigarros que fumo, mas estão todos de gargarejo na frente da televisão. O balconista me aborda se mostrando apreensivo com a notícia que acabara de ouvir, e arrota-a para mim.

Paro de escrever. Dou-me conta que não ouvi um único passarinho cantando. Penso “se esta manhã não é boa para os passarinhos, também não o é pra ninguém.” Os carros, caminhões e ônibus passam roncando. Os motoristas passam acelerando nervéticos, gritando com suas buzinas. As rodas dos veículos passam esperneando pela curva.

Hoje, a partir das 14:00 h, o povo daqui começa se juntar nas ruas para manifestações marcada para as 16:00 h no centro da cidade de Guarulhos. Não me surpreenderia se reivindicassem a volta do canto dos passarinhos, os bons ares, a vida com “V” maiúsculo. Creio que isto tudo está engasgado, enroscado no duto dos ouvidos, da garganta, e travando e evacuação. O povo está cheio, cansado da vida agressiva, dos aproveitadores e bandidos de plantão em toda esfera da sociedade.

Ah... os arruaceiros... os infiltradores... os mau elementos... o pomo da discórdia... a maioria das cidades brasileiras os merecem, juro que os merecem. Já passou da hora das cidades serem repensadas. Vivemos um tempo pós-desenvolvimento a todo custo. Custa mais que vinte centavos. Qual o custo de vidas massacradas? É o fim da revolução industrial. O tecido social se esgarçou e não cabem remendos novos.

Jairo Ramos Toffanetto

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Paulinho da Viola interpreta "Filosofia" de Noel Rosa

 

 

Composição: Noel Rosa

O mundo me condena, e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome
Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim
Não me incomodo que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba, muito embora vagabundo
Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava dessa gente
Que cultiva hipocrisia

Noel de Medeiros Rosa (1910 - 1937) Carioca (Rio de Janeiro).  foi um sambista, cantor, compositor, bandolinista, violonista brasileiro e um dos maiores e mais importantes artistas da música popular no Brasil. Teve contribuição fundamental na legitimação do samba de morro e no "asfalto", ou seja, entre a classe média e o rádio, principal meio de comunicação em sua época - fato de grande importância, não só para o samba, mas para a história da música popular brasileira.2 3 
(Fonte http://pt.wikipedia.org/wiki/Noel_Rosa)

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Manifestações de rua no Brasil e a estrutura do engano


Charge de Henfil








Não estou surpreso, apreensivo, indignado, à favor ou contra isto tudo. Mas não vou ficar em cima do muro. Vou dizer apenas o que sinto.




Jovens cheios de esperança, de sonhos, estão inconformados com a estrutura do engano que há muito tempo grassa por todo país, especialmente na esfera dos donos do poder. Gritam por direito ao estudo, à moradia, à saúde, ao emprego, ao salário decente. Gozado, este não era o discurso do PT de Lula?!!!

Se gritam por vinte centavos, o caixa do banco não recebe boleto de qualquer imposto se faltar vinte centavos.

A mídia é burra. Criticam o vandalismo mas... vejam bem, ainda que sejam atitudes condenáveis (prisão neles), não estão pichando as paredes do poder, mas a cara do poder. Não estão botando fogo nos carros, mas no poder que aí está, na corrupção solta das grades, naqueles que levam dinheiro do povo escondido na cueca, nos vampirizadores da boa vontade daqueles que lutam pela subexistência mesmo com diploma de faculdade na mão.

Ocorre-me a arrogância dos donos do poder e a Revolução Francesa. Ocorre-me Joana D'Arc. O que mudou? É clássico dizer "quem está no poder mete a mão".

A presidenta veio hoje a São Paulo se assuntar com o Lula. Pois eu digo pra ela: Revogue as leis que deram liberdade aos políticos corruptos. Ponha-os de volta às grades. Moralize! Seja exemplo! Esqueça o Lula. Faça um, dois, três plebiscitos.

Estamos sem um primeira dama. A última só fez plástica, usou roupas de grife e pousou para a revista "Caras". Nenhum projeto social, mas dorme tranquila enquanto milhares de crianças estão sujeitas a toda sorte de exploração.

A propósito: os bens políticos de todos que entrarem no poder, desde a mais simples prefeitura, câmara municipal, devem ser contabilizados com registro em cartório, inclusive o de todos os seus familiares. Ao saírem, uma auditoria deverá ser instalada nos mesmos. Os jovens clamam por transparência, e isto é um direito.

Seja justa, Exma. Presidente, ajude a nação crescer. Leve a sério tudo o que está ocorrendo nestas manifestações. Já ouviste bastante, é hora de ação. Chega de manipulação.

"Quem sabe faz a hora não espera acontecer" (Geraldo Vandré)

Jairo Ramos Toffanetto


segunda-feira, 17 de junho de 2013

"Filosofia do Samba" - Paulinho da Viola


Amar
"Pra cantar samba."

Do disco "Paulinho da Viola" de 1971.

 

"Filosofia do Samba -
Paulinho da Viola"

Pra cantar samba
Não preciso de razão
Pois a razão
Está sempre com os dois lados

Amor é tema tão falado
Mas ninguém seguiu
Nem cumpriu a grande lei
Cada qual ama a si próprio
Liberdade e Igualdade
Aonde estão não sei

Mora na filosofia
Morou, Maria!
Morou, Maria?
Morou, Maria!

Pra cantar samba
Veja o tema na lembrança
Cego é quem vê só aonde a vista alcança
Mandei meu dicionário às favas
Mudo é quem só se comunica com palavras
Se o dia nasce, renasce o samba
Se o dia morre, revive o samba

Mais Paulinho da Viola:
"Sarau para Radamés"
http://poemas-de-sol.blogspot.com.br/2013/06/paulinho-da-viola-sarau-para-radames.html
"Prima Luminoso"
http://poemas-de-sol.blogspot.com.br/2012/01/paulinho-da-viola-prisma-luminoso-e.html
 

Hoje é outro dia - Mário Quintana



Hoje é outro dia - Mário Quintana
(em "A cor do invisível")

Quando abro cada manhã a janela do meu quarto
É como se abrisse o mesmo livro
Numa página nova...

Mário Quintana






In Memoriam - Franz Schubert: Impromptu Op. 90 No. 4 (Sokolov)


Para
Sandra Maria Chiaramonti Cravo,
sempre presente em nossos corações.

domingo, 16 de junho de 2013

Impromptu Op.90 n. 3 de Franz Schubert e descrição aproximada do meu sentir


O Impromptu Op.90 n. 3 de Schubert já ninou meus dois filhos. Era só colocar o disco (LP) para rodar no pick-up que a farra chegava ao fim e, rapidinho, pegavam no sono. Certo dia descobri uma possível razão para isto.

Eu dormia. Acordei com os chiados da agulha quando toca o disco vinil. Acordado(?), ficou o gosto, o sentimento daquela dimensão musical conhecida por Schubert e, então, também por mim. Trago-a até hoje em meu espírito.

Conto estas coisas para compartilhar com os amigos deste blog este sentimento de Céu na Terra, da Terra no Céu. (JRToffanetto)

Aleksandr Borodin "Um compositor aos domingos" - "Sinfonia No. 2" (1879) -


A história da vida de Borodin me impressionou muitíssimo na mocidade quando, passando por uma banca de jornal, comprei um facículo que vinha com o disco mais a biografia do compositor. Desde então me tornei fã tanto da músico como do indivíduo. Ontem à noite, ao chegar em casa e ligar a TV Cultura(SP) a Segunda Sinfonia estava sendo interpretada por uma orquestração brasileira. Um grande espetáculo. Tão forte quanto rico e sutil, que eu não deixaria de compartilhar com os amigos deste meu Poemas de Sol:

Koninklijk Concertgebouworkest o.l.v. Karel Mark Chichon /
Royal Concertgebouw Orchestra


O texto da Wikipédia (abaixo) descreve suscintamente esta história:

Filho ilegítimo do Príncipe georgiano Luka Gedevanishvili (ou Gedianov, em russo), teve sua paternidade atribuída a um servo do nobre, Porfiry Borodin. Apesar de ter recebido lições de piano quando criança, sua educação foi direcionada às ciências. Formado em Medicina, interessado pela Química, aperfeiçoou-se em Heidelberg, Alemanha (1859-1862).


Em toda sua vida, Borodin dedicou-se quase inteiramente à Química, escrevendo muitos tratados científicos e fazendo importantes descobertas, notadamente no campo do benzol e aldeídos. Também foi professor de Química Orgânica na Academia Militar de São Petersburgo (1864-1887). Considerava-se apenas "um compositor aos domingos".

Vítima da cólera, morreu em 1887, de insuficiência cardíaca, durante um baile de máscaras na Academia de Medicina de São Petersburgo. Aleksandr Borodin está enterrado no Cemitério Tikhvin, Monastério Aleksandr Nevsky, em São Petersburgo.

Apesar de já ter noções de música, tendo inclusive escrito um dueto para piano aos nove anos de idade, foi só ao conhecer Mily Balakirev, em 1862, que passou a compor com seriedade. Balakirev convenceu-o a integrar-se ao Grupo dos Cinco, com cujas idéas nacionalistas se identificava. Também o ajudou a compor sua primeira sinfonia, a qual regeu na estréia, em 1869.

No mesmo ano, começou a compor a segunda sinfonia, que não foi bem recebida na estréia, em 1877, sob a batuta de Eduard Nápravník. Após uma pequena re-orquestração, foi elogiada pelo público em sua nova apresentação, desta vez conduzida por Rimsky-Korsakov, em 1879. Em 1880, na Alemanha, Franz Liszt regeu esta mesma sinfonia, dando a Borodin fama fora da Rússia.

Em 1869, começou a compor sua obra mais importante: a ópera O Príncipe Igor. Trabalhou nela por 18 anos até sua morte, deixando-a incompleta, e foi terminada por Nikolai Rimsky-Korsakov e Aleksandr Glazunov em 1890.

Borodin também escreveu numerosas peças para piano, melodias, música de câmara, entre outros.

Veja o conjunto de sua obra:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aleksandr_Borodin