sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Jethro Tull- Back Door Angels


De todas as super-hiper-bandas que povoaram a década de setenta, Jethro Tull talvez seja uma das únicas que ainda hoje cria singular estado de auscultação sonora musical. Curto seus discos também através do meu filho Yuri que sempre está revivendo um ou outro, seja em vinil, seja através dos seus próprios CDs. É a banda que mais me acompanhou por estas décadas todas e ainda roda em meu velho pick-up "Garrard". Depois de ouvir Back Door Angels, p.ex., você pode desligar a aparelhagem de som e não ouvir mais nada. Sentir este som é estar dentro de uma obra prima. Quando assim, você a carrega com você. (JRT)



quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Billie Holiday "You've changed" e "A Fine Romance"





Encontrando-me com Francisco de Assis

FotosJRToffanetto em 29.10.2014
na Igreja São Francisco, R. Borges Lagoa/SP


"...aqueles que se unem a Deus obtém tres grandes privilégios:
onipotência sem poder, embriagues sem vinho e vida sem morte.
 São Francisco de Assis"


Tudo o que eu sabia de São Francisco é que ele foi uma grande mente até que, na semana passada, por não caber flor no quarto do hospital (não que eu não soubesse disto), a Regina me pediu para que eu a deixasse em algum oratório da Igreja São Francisco e lá fizesse uma oração. Até então eu nunca fizera uma oração, ou pelo menos não como aquela. As palavras vinham em minha mente.


Ontem eu voltei à igreja, mas desta vez para me encontrar com o silêncio. Encontrei-o nos vitrais com o santo dizendo que "a chuva é humilde", que "o fogo é lindo", que "as estrelas são claras e preciosas". Sabia que pela sua integração com o Todo, a Poesia Maior passava através dele, mas desconhecia o fato de ele a expressar de forma tão simples quanto generosa.



Enfim, aprendi amar aquele que amou o Amor.

JRToffanetto

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Sarah Vaughan - "You've Changed" e "I Gotta Right To Sing The Blues(w/ The Count Basie Orchestra)"

 "You've Changed" 
Written/Composed 
by Carl Fischer & Bill Carey.

https://www.youtube.com/watch?v=rXBpVctOEVw 


"I Gotta Right to Sing the Blues", 

Harold Arle (Compositor)

 


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Deu Zebra (Subúrbio Jdí-SP em crônica - 4)


Google Imagens (reeditado)
Eu vinha sentado na cadeira de plástico duro ao lado de uma das portas de entrada do subúrbio para São Paulo. Para mim, o camarote de preferência diante do palco de todo vagão. A vida suburbana se passa ali através dos tipos mais diferentes de gente. Muitos entram sonambúlicos, outros estampando cara de sonho, também os indiferentes, enquanto outros correm os olhos em redor, e ainda aqueles como que se entregando ao massacre, ao moer da carne, ao descaderamento dos ossos de cada dia. Mas tem aqueles que vão com todo o vigor para a batalha, à luta.

O trem para na Estação Perus e as portas se abrem. Em uma delas ninguém sai e não há espaço para ninguém entrar. Três negões impedem que elas se fechem e que o trem saia. As pessoas, inibidas pelo tamanho dos "caras" se ajeitam daqui e dali abrindo espaço para eles. As portas estão a um palmo de se fecharem quando um velhinho, tentando embarcar, trava-as com o pé e as portas novamente se abrem.

Ele tenta abrir espaço entre  os negões. Um deles se vira pro velhinho e lhe diz que não cabe mais ninguém. Irritado, o velhinho força abrir caminho entre eles. O negão espana-o pra fora e até com certo cuidado para que ele não caia na plataforma. A porta do trem finalmente se fecha. Do lado de fora o velhinho lhe xinga a mãe e, depois, acrescenta:
- Vem prá fora que eu vou te mostrar uma coisa.

Ao longo da composição de vagões, por algum motivo as portas se reabrem. Pois o negão, postado entre elas, imobiliza o velhinho pegando-o pelo pescoço e com a outra mão lhe dá dois tapas, um com a palma e outro com as costas da mão direita. Vira-se para o lado de dentro do vagão e as portas se fecham às suas costas. O trem parte.

Ninguém arriscava olhar pro negão. Todos estavam apopléticos com o que viram ou, pelo menos, até que um barrigudo espirra e se segue uma voz feminina exclamando com nojo:
- Pronto, lavaram o meu braço.

Risos discretos em redor. Mas alguém, perdido no meio daquela aglomeração de gente, solta esta em bom tom de voz:
- Porque este verme não espirrou no braço do negão.
O riso foi geral e contínuo. Uma catarse. Até os negões riram.
Pra judiar um pouco mais do “cara de verme”, um outro ajunta:
- Aí ele ia ver que bicho ia dar. E outro mais:
- Bicho? Meu palpite é zebra, do primeiro ao quinto prêmio.
O que estava ao seu lado, talvez um colega, adverte-o dizendo:
- Se for tirar por você, vai dar é burro. Olha lá o tamanho do negão, ele não tá gostando nada disto.
O Negão não parava de rir.

JRToffanetto

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Risos retardatários (Subúrbio SP/Jdí em crônica - 3)


FotoJRT - Estação da Luz - 27.02.2014 - 13:17 h


Na Estação da Luz, quando as portas do trem se abrem, as pessoas entram como num estouro da boiada para o vazios dos vagões. Um lugar para se sentar é disputado ombro a ombro, e tudo pode acontecer. Um grito feminino se ouve e é seguido em tom repreensivo:
- Ai meu pé.

Pior quando alguém entra carregando uma caixa grande no meio do estouro da boiada.  Vai ao chão quem não é bom de braços e pernas

Ou quando a bolsa de alguém é levada de roldão. A mulher a procura desesperadamente entre as pernas das pessoas. Alguém a levanta no ar anunciando o achado. A bolsa segue de mão em mão por cima das cabeças. Quando é aberta, a mulher chora de fazer dó.

Da estação da Lapa em diante, os vagões de lata seguem completamente entupidos de gente, atutênticas latas de sardinha sobre trilhos. 

Depois de um dia de trabalho, no suor do fim da tarde, algumas estão azedas, outras de pensamento ácido, e alguma no olhar, mas o trem segue mudo e bem ao contrário nas idas pela manhã quando grande parte conversa e tem até jogo de palitinho. 

Uma mulher quebra o silêncio e, em repreensão a alguém, solta um trem desses em voz alta e, como nunca vi, o vagão explode em riso.
- Você quer fazer o favor de tirar esse seu miudinho da minha bunda!

Risos discretos e retardatárias provocavam novas ondas de risadas, mas aqui eu não ouso dizer descrever o que se imaginou. 

JRToffanetto
Links para "Subúrbio SP/Jdí em crônica":

domingo, 26 de outubro de 2014

XCVI Expo Imagens - Colhendo imagens

FotosJRToffanetto

Colho imagens do que toca em mim. Algumas vem prontas, outras pedem estudo. Sinto o privilégio de nelas laborar. Elas estão por aí, fluindo para o sentir. Às vezes, ao toque das mãos, na escolha da posição do corpo, do movimento em contagem regressisva, da observação meditativa entrando em outro espaço de tempo, das surpresas vistas no instante do disparo ou só na revelação. Enfim uma aventura para além do olhar, para o sentir. (JRToffanetto)



21.10.2014 - 18:20 h - R.Borges Lagoa/SP
12.10.2014 - 11:07 h - R.das Pitangueiras/Jdí
12.10.2014 - 10:13 h - R.das Pitangueiras/Jdí
20.10.2014 - 19:14 h - H.Rim/SP
Hoje pela manhã na feira de hoje na Av.Samuel Martins/Jdí

Alban Berg - Nine Short Pieces


Neoclássico



As três graças ouvindo a canção de Cupido, uma obra exemplar da estética neoclássica 
por Bertel Thorvaldsen, Museu Thordvaldsen, Copenhague

Philip Glass - "Candyman I" e "Akhnaten"


https://www.youtube.com/watch?v=dkBzCOE4g90#t=18


https://www.youtube.com/watch?v=WNtUC7oddNk

Philip Glass -"The Light" e "The Poet Acts"


https://www.youtube.com/watch?v=LXWmLWdm6IM

JRToffanetto
FotoJRToffanetto


Explosão das cores da vida.


Abro a internet para ver minha caixa de entrada de e-mails e vejo a foto abaixo em "imagens da semana".




Tudo bem que não há como ignorar os fatos, mas tudo tem uma razão de ser e, obviamente, enquanto produto da mente humana.

A Paz é uma conquista daqueles que mudam o homem para mudar o meio. Para mudar o homem é preciso começar por si próprio. Não existem milagres quanto a isto. Começa-se por esvaziar suas verdades pessoais para caber novos conhecimentos. Como esvaziar tais verdades que dizem respeito a um povo de mente engessada e o coração de pedra? 

E olha que isto não é privilégio da gente do oriente médio. Por aqui, uma facção da torcida do Palmeiras conhecida como Mancha Verde matou dois santistas na saída de um jogo de futebol do campeonato brasileiro. Fanatismo por bestialidade. Por outro lado, conheço muito palmeirense que jamais sairia com pedaço de pau caçando santista, corintiano ou são-paulino pelas ruas.O que é preciso é quebrar o gesso da própria cabeça. 

Aí pensei "eu também tenho imagem pra mostrar", mas uma imagem que vale, no mínimo, para o trimestre, a estação da primavera: Ei-la:

FotoJRToffanetto em 14.10.2014
A mídia usa e abusa de imagens ou fatos de impacto para lucrar com isto. Isto ocorre porque há predominância da mente negativa. Não há interesse de ela mudar isto. A toda hora cria-se uma onda danada por coisas sem juízo de valor. No caso da imagem da semana, tanto poderia ser a acachapante imagem daquela explosão na Turquia, como o trazeiro da mulher melancia.

Da imagem que denominei como a do trimestre, é, pelo menos para mim, mais relevante do que a da explosão veiculada por todo canto do mundo.

Quero a explosão das cores da vida que é linda... ainda. Que é linda, sim. A generosidade das flores se espalha pelo ar e ganha ruas e calçadas, mas o homem enche sacos de lixo com elas. Reparem no topo da imagem acima. Pois no topo tem um saco de lixo cheio de flores, mas não é por causa disto que eu vou atirar pedra no meu vizinho incomodado com flores caídas em "sua" calçada. Coitado, ele ainda nada sabe da beleza, do encanto, da delicadeza, da perfeição. Quem sabe da árvore são os pássaros. Nesta árvore da foto, por exemplo, mora um bando de maritacas. Creio que vizinho que não gosta das flores também não gosta das maritacas tagarelando o dia inteiro sobre o seu telhado, coitado.

Foto JRToffanetto em 14.10.2014
Dizia meu velho e bom pai que não existem coitados. Assim dizendo, seguia-se uma máxima popular de outros tempos "Coitado é filho de rato". Então eu lhe perguntava:
- Por que o filho de rato, pai?
- "Por que ele nasce pelado e não tem roupa para se vestir"
- Mas se não tem roupa para se vestir ele pode morrer de frio, pai?
- Pra que o filho não morra de frio, o pai deles, coitado, cava um buraco bem no fundo da terra, e lá é bem quentinho.
- Então se é quentinho é bom, né pai.
- Mas lá só é quentinho porque fica perto do inferno, meu filho.
- Então isto não bom, paiê.
- Acho que não, mas deve ser bom para eles. Talvez seja por isto que se diz que o rato é um bicho do inferno.
- Coitado, né pai.
- Isto mesmo, só que rato não é gente. E repetia o axioma:
"Coitado é filho de rato que nasce pelado e não tem roupa para se vestir".

 JRToffanetto

sábado, 25 de outubro de 2014

Aerosmith - Flesh

Pura expressão do rock and roll




Cannonball Adderley - Dancing in the Dark


Elegância em sentimentos sonoros. (JRT)



Miles Davis with Cannonball Adderley One For Daddy-0






Canção de Amor da Floresta do Amazônas (Heitor Villa-Lobos) - Antonio Carlos Barbosa Lima




Executada ao violão, dá pra sentir em Canção de Amor o ambiente musical das ruas do Rio de Janeiro no início do séc.XX aonde (assim como em São Paulo e em outras cidades) eram percorridas por grupos de seresteiros e choristas, dos quais Villa-Lobos se compunha e, daí sua grande inspiração em sua obra musical que viria mais tarde. Abaixo segue Canção de Amor do trecho operístico de The Forest of Amazon, com Bidu Sayão. Também vale citar que Villa por muito tempo relutou compor The Forest Amazon para a Metro Golswin Mayer, Um belo dia ele aceitou compô-la mas livre do enredo do filme e que depois gerou atrito na adaptação. Pena que no YouTube não há o regristro completo desta obra, apenas pequeno trechos, aliás, talvez só a encontre em disco vinil, o que é de se lamentar em se tratando de uma das mais belas obras musicais já escritas pela humanidade. (JRT)

Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar

As asas da noite que surgem

E correm no espaço profundo
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar

Quisera saber-te minha

Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor

Acorda, vem olhar a lua

Que brilha na noite escura
Querida, és linda e meiga
Sentir meu amor e sonhar


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Victor Hugo e a Moça da Bolsa - Subúrbio Jdí/SP em crônica - 2)


Estação da Luz (Google Imagens)

Nem me dou conta, mas o vagão do trem está quase lotado. Meus olhos caem no piso sobre sapatinhos pretos de cadarço, formato masculino. Detenho-me sobre curiosas meias pretas de bolinhas brancas em vertical. Subo os olhos. Pequenas e femininas mãos cansadas se soltam sobre o colo, mas logo se cansam.

Sobre uma surrada calça preta de vinco as palmas das mãos viram-se como o desabrochar de uma flor já exaurida, como uma oração pro alto. Os joelhos juntos... era uma mulher, uma pequenina mulher. À frente do seu rosto havia uma mochila de alguém agarrado ao balaustre.

Horário de verão: 14:30 h. Trinta graus lá fora. Camiseta de vermelho desbotado e com manga até o punho, aliás, tudo o que ela vestia era de reaproveitamento de uso.”Tadinha”, sentia eu ao pensar que talvez ela nem se lembrasse da última peça de roupa que comprara para uso próprio.

Duas paradas adiante e vejo uma bolsa da última moda sobre o seu colo. Certamente ela estava acompanhada, e por sua filha, pois segurava a bolsa como se fosse a coisa mais importante da vida dela. Pensei: seria aquela senhorinha um anjo que andava no subúrbio?

O trem segue e depois de algumas estações alguém sai de frente da moça. Ela era grande, forte, com brilhos nos olhos e vendia beleza e saúde - talvez uns dezoito anos de idade. Vestia-se impecavelmente como à uma entrevista para emprego. A bolsa combinava com os demais tons em pastel que ela vestia com descrição e elegância.

Sua perna esquerda cruzava à frente da senhorinha e o braço direito circunda-a em descanso sobre o banco. Toda em sorrisos conversava com alguém sentado depois da mãe, um tipo de malandro já sambado.

Ele, de compleição física semelhante à de um jogador de bola ao certo,  segurava a mão de uma outra moça sem predicados de qualquer tipo de beleza a não ser volumosos seios e que parecia não se importar com o que acontecia ao seu lado ou da indiferença do tal malandro para com ela.

Estações adiante e já não havia ninguém impedindo minha visão da senhorinha. De cabelos secos, lavados a sabonete, carregava nas mãos e no rosto as marcas do massacre pela vida. Certamente ela teria uns vinte anos a menos dos sessenta que aparentava.

O celular toca dentro da bolsa. Abre-a e dá o aparelho para a filha que o desliga devolvendo para ser guardado na bolsa. Desta vez ela segura a bolsa com as duas mãos sobre as alças. Novamente vejo-a como em oração. Apesar das agudas e lancinantes discrepâncias, ela era, sem dúvida, a mãe da moça.  
Finalmente o subúrbio chega à última estação. Desço primeiro que eles. Quando saem do trem vejo que a namorada do malandro escafedeu-se. Do alto da escada rolante, acompanho-o descendo de mãos dadas com a moça e sua bolsa. E a senhorinha? Esperei, esperei, e não a vi passar.

Meus pensamentos se voltaram para o lado cruel da sociedade humana e, de repente, na Estação da Luz me encontro com Victor Hugo. Em “Os Miseráveis” ele cita três problemas do século XIX:  “a degradação do homem pelo proletariado, a prostituição da mulher pela fome, a atrofia da criança pela ignorância.”

Em pleno século XXI, o anjo do subúrbio era apenas uma sobrevivente da fome, ela e a filha. A moça da bolsa era o seu maior investimento, e suas orações se transmutaram para um extremo conflito interno. Enfim... quanta dor...

JRToffanetto

Led Zeppelin - Out on the Tiles e Celebration Day






quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Maria Regina e eu - A propósito de Vivaldi

FotoJRToffanetto


A Regina e eu/















Enamorava-me por ela, cada vez mais, dia após o outro. Cada vez mais, um instante após o outro. Cada vez mais, ano após ano, todos os anos, anos inteiros, e ainda é assim, cada vez mais.

Este meu blogue foi um desejo dela manifestado quatro anos atrás. Um veículo onde materializo meu gosto pela escrita. Nele também posto músicas que estão tocando-nos algum sentimento.

Quando namorados, certa vez ela me telefonou da casa dela com um fundo musical. "A Primavera" de Vivaldi tornara-se, então, eterna para nós. 

Perguntei-lhe sobre Vivaldi, e ela me contou ser ele um homem piedoso. Ensinava música para crianças rejeitadas pelas famílias, ou por serem muito feias, ou por terem algum defeito físico. 

Com elas Vivaldi se apresentava publicamente com as cortinas cerradas. Como ele também estava à serviço da música, se as descerrassem, certamente a plateia se esvaziaria. 

A humanidade evoluiu muito desde o período barroco de então, e eu também ao lado de Maria Regina, desde o período barroco, desde a pedra e o tacape, desde o pó das estrelas. (JRToffanetto)


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Robert Plant 'Rainbow' (Live)




A Sra. do Orwell - Subúrbio SP/Jdí em crônica (1)

FotoJRToffanetto 
Estação da Luz
em 27.02.2014


Há três semanas levei três horas para percorrer dez quilômetros da avenida 23 de Maio. Seguiu-se trânsito lento na Marginal Tietê. Um massacre, mas não para mim, pois aproveitei a oportunidade para meditar e até para fotografar o viés paulistano que, como flash, vez por outra avultava em meus sentidos. O rush da boca da noite não me engolfara. 

Segunda-feira optei pela conexão trem-metrô. Já no subúrbio de volta pra casa, no alto falante do vagão ouvia-se a cabine de operação anunciar o lado do desembarque. As portas se abriam e muita gente entrava e quase ninguém saia. Apoiava-me com as costas em uma destas portas automáticas. Chamava-me atenção uma senhora que lia um livro mantendo o equilíbrio do ombro a ombro com os demais e bem à minha frente. Um livro assustador para mim, pelo menos há quarenta anos:  “1984” (George Orwell). Pensava eu que aquela mulher com idade não muito acima dos trinta chegara a Orwell depois de Matrix.

Passaram-se duas ou três estações abrindo e fechado as portas opostas à qual eu me recostara e, assim, perdi atenção nos avisos sonoros. Pois fui surpreendido com a porta se abriu às minhas costas. Ao me recompor do rápido desequilíbrio, a senhora do Orwell me enganchou o braço numa tentativa de eu não cair na plataforma ou até no fosso ao lado depois do encosto do vagão, mas eu já estava seguro sobre meus pés. Agradeci-lhe pelo cuidado prestado. Sua resposta foi um sorriso aliviado de que o pior não me ocorrera.

Seguido ao incidente, ela que estava meio de lado, posicionou-se frontalmente à mim. Ganhei uma  guardiã, pensava eu quando, de repente, ela interrompe a leitura e por cima dos óculos de leitura volta os olhos para mim e examina minha sanidade. O olhar dela, saído do livro, e em contraponto àquele vagão matrixiano, denotava ver alguém da realidade comum a todos. Foi a conta para mim. 

Olhando em redor, os mais próximos me olhavam de modo parecido, de olho branco. Assustei-me novamente. Eu poderia entender que isto fosse natural, afinal, o que mais aquelas pessoas poderiam fazer dentro do vagão apinhado de gente senão correr com os olhos, mesmo porque pelas vidraças só passava o escuro da noitinha. Pois então olhei para os lados até os fundos do vagão e tive outra surpresa:

Não encontrei uma única cabecinha branca naquele mundaréu de gente. Eu era o único de cabelos brancos em proeminência. Foi assim que pude, finalmente, entender o perscrutar do olhar da minha guardiã. “Pô!!! Ela não só salvara um velhinho como também cuidava dele. Um conforto para mim, pois isto não era Matrix, afinal, pelo que lobservei, não havia um com óculos escuros.

JRToffanetto 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Robert Plant - Rainbow | Official Music Video


Eu estou alcançando as estrelas
Do céu acima
Oh, eu vou trazer a beleza delas para casa
As cores do meu amor


Ooh, ooh, ooh
Ooh, ooh, ooh
Ooh, ooh, ooh
Ooh, ooh, ooh, ooh, ooh, ooh


Led Zeppelim - Thanl you
Robert Plant escreveu esta canção, 
uma declaração de amor à mulher de sua vida: Maureen. 

Íntimas das flores

FotoJRToffanetto
















Muitas mulheres são a materialização da Delicadeza, do Amor, da Bondade.

Tudo dão de si. Primeiro é sempre o outro, afinal, este precisa mais do que ela.

O egoísmo nada lhe diz respeito. Ele é de um conturbado mundo paralelo.

Deixam uma marca de batom no planeta. Estão sempre o embalando no colo.

As mais caras orações são as delas. A própria ação da magnitude, do Amor incondicional.

É fácil encontrá-las, basta seguir o rastro do perfume da intimidade do cosmo, mas para alcançá-las é preciso estar leve, muito leve.

São íntimas das flores e seu encanto, mas com um elemento a mais: a graça que nos alcança como uma estrela luminosa, terna e meiga.

Elas não são raras. Raros os olhos que a podem ver sem se ofuscar.

São fluídos siderais materializados em mulher a nos ofertar joias do Divino.

Pertinho de uma delas, não me canso de contemplá-la do meu lado esquerdo.

Quis morar em sua pupila e ela veio morar em meu coração.

Depois ela me levou até o Jardineiro e dEle me tornei aprendiz.

De mãos dadas seguimos o Caminho.

O Jardim é grande. 

Vai até os confins do cosmo.


Jairo Ramos Toffanetto

segunda-feira, 20 de outubro de 2014


Indios tupi-guarani cantando em aldeia de Bertioga, visita efetuada pelos alunos do 6° semestre do curso de Geografia do 6° Semestre em 14 de Novembro de 2009

domingo, 19 de outubro de 2014

Índia Tikuna Weena Miguel - Maracanade - Canto Indígena gravado em Ribeirão Pires/SP





Índia Tikuna We'e'ena Miguel é Cantora, Artísta Plástica,Presidenta Nacional das Mulheres Indígenas e esposa do Cacique Violonista Robson Miguel, que juntos realizaram a versão do canto tradicional indígena 'MARACANADE"que quer dizer "Grande Festa". A Letra diz: Vai começar a Grande Festa, onde todos os povos vão se reunir para contar e cantar a sua propria historia. Esta obra homenageia o povo Brasileiro, fruto da miscigenação de Indios com Brancos e Negros, e está no "DVD NOSSO ROBSON MIGUEL - AMO RIBEIRÃO PIRES" à venda no site www.robsonmiguel.com.br

Francisco Alves - Adeus Mocidade


Indicação musical de
Fernando José Colin














Francisco Alves - Adeus Mocidade
Gravação Colúmbia - 1941
Samba de Roberto Martins e Benedito Lacerda.
lançado um pouco antres do carnaval

Dizzy Gillespie - Bebop


O dia, cheio de energia, acorda com todas as trombetas
Que esta energia alcance a todos que dela precisam,
e que se levantem a saudar algo maior que vem cantar
dentro de todos nós.


FotoJRToffanetto



Game of Thrones Theme - Daniel Miranda (violão 7 cordas)


Yung Gaurama (19), está o dia todo estudando esta música e anda com o violãao pela casa toda, e até no banheiro - creio que testando a sonoridade. Entro no YouTube e verifico que a música é quase uma epidemia, dezenas de vídeos. Ouço também a original, com orquestra. Mas fui seduzido pela sonoridade do violão. Só me falta conferir o seriado de televisão e saber um pouco mais deste fascínio, Parece-me algo bom.





sexta-feira, 17 de outubro de 2014

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

John DOWLAND - Galliards por Paul O'DETTE





Alaúde

Heinrich Schütz - In lectulo per noctes - Motet - Guercino

Heinrich Schütz (1585-1672), 
considerado o "pai da música alemã"






Sylvia Plath - Espelho



Espelho

Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engulo imediatamente
Do jeito que for, desembaçado de amor ou aversão.
Não sou cruel, apenas  verdadeiro -
O olho de um pequeno deus, de quatro cantos.
Na maior parte do tempo medito sobre a parede em frente.
Ela é rosa, pontilhada. Já olhei para ela tanto tempo,
Eu acho que ela é parte do meu coração. Mas ela oscila.
Rostos e escuridão nos separam toda hora.

Agora sou um lago. Uma mulher se dobra sobre mim,
Buscando na minha superfície o que ela realmente é.
Então ela se vira para aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
Vejo suas costas, e as reflito fielmente.
Ela me recompensa com lágrimas e um agitar das mãos.
Sou importante para ela. Ela vem e vai.
A cada manhã é o seu rosto que substitui a escuridão.
Em mim ela afogou uma menina, e em mim uma velha
Se ergue em direção a ela dia após dia, como um peixe terrível.

Traduzido por André Cardoso

Sylvia Plath (1932 - 1963) 
Poetisa, romancista e contista norte-americana.



quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Um Mundo Inteiramente Novo


                                                                             Google Imagens


Não falo do mundo bem pior que aí está, afinal, como dizem por aí, cada povo tem o governo que merece. E não há o contrário disto. Aliás, pouca gente sabe o que, de fato, é um Mundo Bem Melhor. Aprendi que há de se melhorar o homem: eu, você, nós e eles.  Haverá um governo de algum povo no planeta que saiba melhorar o homem? Aqui no Brasil, p.ex., reconstrua-se o país inteiro dando a “todos” as condições de primeiro mundo e isto melhorará o homem? Melhorará as condições do meio, mas não o homem. 

Não há no mundo uma nação de homens melhores. Tomemos meia dúzia de nações consideradas no topo da civilização, ainda assim, ali não haverá psicopatias de toda ordem? Nenhum megalomaníaco? Nenhum egoísta? Nenhum alcoólatra? Ninguém povoado de desejos mórbidos ou de interesses escusos?

Há que se pensar num mundo inteiramente novo. Em UM MUNDO INTEIRAMENTE NOVO prevalece a gentileza, a delicadeza nas relações, a não agressividade, a compreensão. Nele se reconhece o objetivo da nação em cada um. A liberdade em decorrência da sabedoria e da justiça. A Paz igual Bondade Maior estará no princípio de cada ação, bastando coragem para acioná-la em favor da vida. O valor do dinheiro não está acima do homem. Quem aprende a se entender melhor vai ao encontro do outro e lhe presta ajuda verdadeira no ponto em que possa ser-lhe mais útil. Anda-se de mãos dadas com ele, isto é, vai junto enfrentar o problema.

Enfim, há que se pensar em UM MUNDO INTEIRAMENTE NOVO, e ele começa modificando o homem para que este possa modificar, melhorar o meio. Desta vez não será pelo revolver, isto é, pelo revolver o que aí está. Desta vez será pela evolução e pelo poder compreendido como o do Amor, o Amor Maior.

Sonhador louco, utópico ou idealista, chame-me como se queira. Não sou o primeiro e muito menos o último.


JRToffannetto