sábado, 9 de julho de 2016

SP/SP-11 _Sabiás Param a Cidade de São Paulo (crônica)


O sabiá laranjeira se modificou para manter sua espécie. Agora ele canta na madrugada. Assalta o sono do paulistano que já não vinha dormindo de espírito tranquilo.

Sonharia antes de dormir se, por primeiro, esvaziasse a cabeça, ou ao menos rezasse... certamente não se sobressaltaria nem com o “TÉÉIN” metálico gritado por uma araponga junto à sua janela.











Sabia que só o atormentado sente calafrios com sudorese pelas notas de harmonia do canto do sabiá? Saiba que este canto na antemanhã não é praga não, é benção dos auspícios. Melhor lavar a maledicencia da boca com pedra de sabão.

Pois acordar com a vibração canora desta criaturinha da luz, despertá-lo-a na dimensão dos anjos em coro da eternidade sob a batuta de São Paulo.  

Pois, então, já que o sabiá se modificou, que o homem também se modifique.  Mude seu relógio biológico. Fique acordado às madrugadas, trabalhe(-se). Quem sabe respeitando o divinal canto do “laranjeira” vislumbre um dedinho que for da linguagem da pureza, do encanto, da inocência perdida, e, por fim, remodele seu conjunto de ideias e se recrie.

Se pelos nossos defeitos causamos uma explosão demográfica de sabiás, é de se imaginar o que atrairíamos pelas nossas faculdades, o princípio do respeito a todas as formas vivas. Pois, saibam, demanda responsabilidade e não incompreensão que leva à aversão e ao ódio.

Entenda-se isto para seu coração se pacificar, bater tranquilo, sem sobressaltos noturnos. Comece praticando a compreensão, a paciência que leva ao silêncio. Mas se ninguém quer saber disto, desejo madrugadas adentro com um sabiá laranjeira cantando para cada janela de apartamento.

 Na cidade que sempre se orgulhou de não poder parar, antevejo manchetes nos jornais: SABIÁS PARAM A CIDADE DE SÃO PAULO.

Enfim, o que é bom pro “laranjeira” é bom para o ser humano. Seja como um passarinho você também.

Ou tome mais destas manchetes nos jornais do mundo inteiro: SÃO PAULO, A CIDADE DO “LARANJEIRA” e do triste povo vagante pelas horas mortas.


JRToffanetto

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