quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Haicai # 540 _Depois da métrica


Haicai # 540
Depois da métrica
Os céus estavam fechados.
Fechei os olhos, os céus estavam abertos
...e meus olhos libertos
JRToffanetto

Haicais #40 e 41 - A cruz flautar


#40.
Poeta fazer
a cruz flautar,
vezes poder
a bruma soprar

#41.
Poeta fazer
a cruz flautar,
vezes poder
a pluma soprar 

JRToffanetto


Hacaicai #32. - Olhe as rosas!


FotoJRT em 02.08.2012

#32.
 “- Olhe as rosas!”

Poetas dão carroças
de rosas do coração,
sem exagero.

“- Roosaas...”
JRToffanetto

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Haicai#30. Tu vês



Haicai#30. Tu vês 

Desvelar do poeta
revira revolve revisa
o revelar verso

JRToffanetto


DEXTER GORDON, Shiny Stockings (Foster)

4th track from Dexter's "Gettin' Around" album.Recorded at the Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, New Jersey on May 28 & 29, 1965. Dexter Gordon (tenor saxophone); Bob Cranshaw (bass); Barry Harris (piano); Bobby Hutcherson (vibraphone); Billy Higgins (drums).




Haicai #11. Coração humano






Haicai #11.

coração humano
o Poeta Maior moldou
do botão de rosa
JRToffanetto


domingo, 28 de agosto de 2016

Vila Arens na Garôa

Em abril de 2013
Vila Arens/Jdí/SP

(Clique na imagem, amplie-a)

#533. Mãos vazias

Mãos vazias. 
Haicai #533
Mãos vazias
roçam versos em folhame.
Oh, o arvoredo
(JRToffanetto)

#532. Mãos Vazias



#532. 


Minhas mãos já não estão vazias.


Sob céu fechado esvoaçam poemas de sonho


JRToffanetto


terça-feira, 23 de agosto de 2016

Chácara Urbana (Jdí/SP) em Quatro Momentos

Em 23.06.2016., com M.a Regina
O céu azul está em todo lugar e ao infinito, mesmo depois da densa camada de nuvens cada vez mais escuras que recobre o planeta. Além do mais turvo céu do interior (self) da humanidade.




domingo, 21 de agosto de 2016

Abstracionando a Fotografia _JRToffanetto/Tábula Rasa _Arvo Pärt

A música Tábula Rasa de Arvo Pärt me inspirou reunir algumas das minhas fotografias de rua editadas por mim até à abstração mais possível, dando costura, sentido, à exposição delas neste vídeo do YouTube. Talvez eu ainda possa melhorar a seqüência. O que eu não poderia imaginar era fazer parceria com Arvo Pärt, ao qual rendo homenagem, assim como a Alvin Lucier em "Sperandeus". As possibilidades criativas no mundo da Web me encantam. Sinto-me privilegiado por interagir com este universo abstrato porque virtual. Há vinte anos que o mundo não é mais o mesmo, e há muito que fazer, em todas as áreas, para o tornar muito melhor. Conhecer, sentir a sublimidade da obra destes artistas estão nesta razão. (JRToffanetto)




Duas irmãs pulando o muro




Na rua da minha casa, finzinho do inverno, diariamente tenho visto a beleza saindo pra rua por cima do muro de duas casas vizinhas. Vizinhas aperaltadas esticando seus braços pra calçada com flores nas mãos.

Encantadoras em sua pureza, formas e cores, vestem-se da luz do sol, da claridade da nudez, da perfeição. O sorriso da manhãzinha é delas. Na doce linguagem do sentir são conversadeiras. 

O ano todo as vejo pulando o muro, mas... hoje... seus braços não se esticavam para a calçada, e a rua ficou sem o vestido roxo de uma e vermelho da outra. 

Mas eu sei, as irmãs da Poesia ainda estavam lá, ao lado de suas flores coração socadas num saco preto. 

Voltarão com a primavera. Mais uma vez pularão o muro com flores nas mãos. São muito sapecas as irmãs azaléas.

JRToffanetto

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Na Terra do Céu

FotoJRToffanetto
em 22/09/2014,
Rua dos Otonis/SP



Na Terra do Céu

Domingo à tarde, bons ares. 
A cidade descansada, limpa,
ama o Amor

Flores integradas em si, ao meio, ao Todo, 

brindam a primavera em véspera,
fosse ao sol, ao frio, à chuva.

Pétalas lábios / olhos úmidos

Beijo molhado /Selo Eterno
Chão da Terra / pele asfáltica

Louca Paulicéia, efêmeridade.
Quem o beijo viu a cidade sentiu.
Também beijou os pés do altar.

Altar do sempiterno

Céu na Terra,
Terra do Céu...

JRToffanetto


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Bar Recanto Novo - Crônica (Parte 1)


Bar Recanto Novo
(Parte 1) 

Recanto significa canto afastado, retirado, menos à vista, esconderijo, e daí o fato dos botecos serem, quase todos, mau iluminados, cheirando à llingüiça, ovos cozidos, torresmo e  a... azedo do  indefectível mictório.

Lugar da pinga, da “mardita” com a qual muitos “matam o bicho” e todas as coisas que o comum dos mortais não consegue lidar, a começar consigo próprios.

Se você passa por uma porta aberta de um salão escuro, sem nome de identificação, e se depara com um cachorro coçando pulgas sob a soleira de entrada, pode identificar como um destes  “esconderijos” de pequenos e grandes pecados. Suas vistas precisarão se acostumar com o breu para ver o que ali se encontra.

Encostado ao balcão, alguém resmunga ao outro o seu mal-estar para com a vida. Dize-o sob a profundidade do palco de luz bruxuleante, e se der bobeira, é provável que te convide para “tomar uma”, beber do mesmo  fogo. A tirar por que o ouve, imagine-se com cara de cachorrão e de olhos mortiços qual o de sardinha frita.

Do outro lado do balcão, não será difícil ver aquele que, num extremo de delicadeza, nem tira o palito de dente do canto da boca ao bebericar a “branquinha”, a maldita. Depois se arrepia todo. A culpa é dela, né?!, deve ser, e depois joga no chão um pouco do aguardente para o santo. Pra quem tiver curiosidade para saber do santo protetor destes, basta imaginar.

De repente um gigante toma conta da porta de entrada e o boteco fica ainda mais escuro. Quem salivava a pinga dentro da boca não ousa engoli-la. Só se vê o branco de olhos sobressaltados. Econômico nas palavras, o brutamonte não faz questão de saudar seus comparsas da “aguardência”. No lugar de “bom dia”, apenas diz a última sílaba “dia”, seca, entre os dentes escuros, avisando que apenas está marcando presença, e que veio pra beber não pra conversar.

O mais fraquinho dos convivas, um magrinho cozido pela pinga, e com a barriga pronunciando cerveja, reverencia o grandão com a cabeça, mas no canto da boca e nos olhos emendados à sobrancelha, sorri com mil demônios, os ditos cujos a quem chamam de santo. E assim ele responde o cumprimento:
- Diabão (leia-se dia bom), mas não se engane, é mesmo o “coisa-ruim”.


Outro dia eu continuo esta crônica, a Parte 2.

Arvo Pärt - Tabula Rasa





quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A morte lado a lado com o renascer




Com folhas avermelhadas, o dia invernal em crepúsculo também anuncia, com folhas tenras, o da primavera que brotejando se avizinha. Espetáculo miraculoso para nossos olhos, grandioso para o sentir. Delicada transcendência. Uma realidade para além da calçada, da rua, da cidade aonde a árvore fincou raízes em meio a urbe. Diz-nos, enquanto terráqueos, que somos mais belos do que pensamos que somos. Uma essência, uma poética: a Poesia em nosso plano. A morte lado a lado com o renascer. A beleza. O movimento das estrelas, do sol em nós. No coração entrando e partindo, eternamente. Eis o que somos todos os dias e quão pouco disto somos. (JRToffanetto)


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Peggy Lee - He's a tramp







Leftover Cuties - Game Called Life - The Big C Theme Song (Official Music Video)




Sperandeus (JRToffanetto) - Música de Alvin Lucier "Nada é Real"

Quase todas as fotografias - julho/2015 - foram tiradas em Jundiaí/SP no viaduto Sperandio Pelliciari que liga o bairro da Vila Arens com o da Ponte São João e publicadas em meu blog "Poemas-de-Sol". 

A ideia de reuní-las em um filme ocorreu-me depois de ouvir Alvin Lucier "Nothing is Real" (Strawberry Fields Forever), editando suas adoráveis intervenções musicais como trilha sonora. Feche os olhos e ouça a música e, depois, veja o filme, ou vice-versa.




A Sombra e a Pomba - Um Filme de JRToffanetto






sábado, 13 de agosto de 2016

LOU DONALDSON _Dapper Dan

Final track from "Midnight Creeper" album. Recorded at the Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, New Jersey on March 15, 1968. Originally released on Blue Note (84280). Lou Donaldson (alto saxophone); George Benson (guitar); Blue Mitchell (trumpet); Dr. Lonnie Smith (organ); Leo Morris (drums).

Rivotrill _Chuva Verde

The group - Eluízo Junior (flute, saxophone and keyboards), Rafael Duarte (bass) and Lucas dos Prazeres (percussion) - take their influences from jazz, progressive '70s rock , Latin and Afro-Brazilian beats and traditional folk music from the Northeast of Brazil. The group's debut album, "Curva de Vento," included collaborations with Nana Vasconcelos, Maestro Spok, Renata Rosa, Fabio Costa and Yuri Queiroga


sexta-feira, 12 de agosto de 2016

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Haicai #235. Assombra trevas




Haicai #235.
Assombra trevas
 Fio de luz


assombra trevas, expulsa vento,


cala trovão

JRToffanetto



O fim da sombra


Google Imagens

Do corpo que afigurava, a sombra se livrara sem ir com ele a sete palmos debaixo da terra.

Tão densa ela ficou que mau conseguia se locomover ao rés do chão.

Procurava alcançar uma fenda nas pedras para se esconder por tempo indeterminado, uma eternidade, talvez.

Mas, algo a prendia.

Enroscara-se no espinho de um rosa largada ao chão.

Desesperada, debateu-se por toda madrugada lunar.

Arrepiou-se com a chegada da barra clara do dia.

Desapareceu sob o primeiro raio de luz.

Moldasse-se ela à rosa...


(JRToffanetto)


terça-feira, 9 de agosto de 2016

Mozart - String Quartet No. 19 in C, K. 465 "Dissonance" (completo)

Os quartetos "Haydn" (K387, K421, K428, K458, K464 e K465) foram escritos por Mozart durante os primeiros anos da amizade deles, e foram publicados em 1785




The String Quartet No. 19 in C Major, KV. 465 by Wolfgang Amadeus Mozart, nicknamed "Dissonance" on account of its unusual slow introduction, is perhaps the most famous of his quartets. It is the last in the set of six quartets composed between 1782-1785 that he dedicated to Joseph Haydn.



segunda-feira, 8 de agosto de 2016

HAICAIS DO CÉU E DA TERRA - Poemas de Sol #538



HAICAIS DO CÉU E DA TERRA
Poemas de Sol #538

Haicai #538
O silêncio
gera cosmos
ainda não visíveis
JRToffanetto


domingo, 7 de agosto de 2016

Adalgisa Nery _Mistério




Mistério

Há vozes dentro da noite que clamam por mim,
Há vozes nas fontes que gritam meu nome.
Minha alma distende seus ouvidos
E minha memória desce aos abismos escuros
Procurando quem chama.
Há vozes que correm nos ventos clamando por mim.
Há vozes debaixo das pedras que gemem meu nome
E eu olho para as árvores tranqüilas
E para as montanhas impassíveis
Procurando quem chama.
Há vozes na boca das rosas cantando meu nome
E as ondas batem nas praias
Deixando exaustas um grito por mim
E meus olhos caem na lembrança do paraíso
Para saber quem chama.
Há vozes nos corpos sem vida,
Há vozes no meu caminhar,
Há vozes no sono de meus filhos
E meu pensamento como um relâmpago risca
O limite da minha existência
Na ânsia de saber quem grita.

Haicais #537 e #163 (JRToffanetto)


Haicai #537

APoesia canta

A rima de céu azul e passarinho

JRToffanetto


#163.

 Do ninho de poemas


pássaros afugentam gavião.


Ah... ele foi caçar cobras

JRToffanetto



sábado, 6 de agosto de 2016

Poema do Velho Buk _As Massas




Charles Bukowski
As Massas




todas as pessoas solitárias, 
amargas e miseráveis 
que se sentem menosprezadas, 
traídas pelas forças, 
culpam a vida, 
as circunstâncias, 
culpam os outros quando,
de fato, elas são totalmente insossas, 
obedientes à sua falta de originalidade. 
Covardes e plácidas, 

seguem se sentindo enganadas, 
infestando a terra com suas lamúrias, com seus ódios,

embotadas no centro de lugar nenhum.
Esses milhões de erros humanos, 
indo dia após dia e noite após noite 
através de seus movimentos castrados, 
acabam por ferir a própria terra, 
ferir todas as coisas.
Este desperdício,

o horror de todo esse 
desperdício.



Johnny Griffin - Isfahan




Brasil Olímpico




Ontem, na abertura das Olimpíadas, houve tanta energia da beleza criativa - igual consciência planetária, do micro ao macrocosmo - que pudemos sonhar, deveras, com este nosso Brasil varonil, por mais de uma década, tão arrasado político sócio econômico cultural como foi, escalafobeticamente dilapidado como nunca por bandidos lesa-pátria de toda ordem, do Arroio ao Chuí, e ainda ouvir o estádio do Maracanã cantar alegremente um samba do Jorge Bem em uníssono. Emocionante

Qual enredo de escola de samba, fica difícil destacar a força da sutileza das mensagens para todos os povos da terra, como, p.ex., o plantio das sementes pelos atletas. Elas se tornarão um pequeno bosque, tornando o nosso país, o planeta, um pouco menos careca. Todo mundo, cada um de nós, não só pode como deve fazer uma coisa. Mais que uma lição, um dever de casa todos, o da responsabilidade pela vida que merece ser vivida. 

Esta é a humanidade, linda, em que eu acredito, pois reúne em si todas as possibilidades, infinitas, aprontando-se para Um Mundo Bem Melhor. UM SENTIMENTO DE JUSTIÇA QUE COMEÇA PELO SABER COM A CORAGEM DE ACIONÁ-LO, do contrário, o voo da liberdade não abre suas asas. É como se voa para a PAZ.

Sem deixar de destacar, e por dever, a presença de índios do meio da nossa floresta amazônica, em coreografia de fundo histórico-didático por meio de longos elásticos eu não conseguiria encerrar este meu manifesto de fé e esperança em algo maior, e não só para nós, mas para todos os povos da Terra. Ainda estou com nossos silvícolas, dançando no meio do Maracanã.


Jairo Ramos Toffanetto

JOHNNY GRIFFIN "If I Should Lose You"




sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Sperandeus - 26



Haicai #535 Barquinho


Haicai #535
Barquinho
 Com anzol não pesco
em águas profundas ou rasas,
salta-me haicai fresco

JRToffanetto

Google Imagens