sexta-feira, 30 de setembro de 2016

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Haicai #173. Maior que o peito


Haicai #173.

Para acolher flores
é preciso um vaso grande,
maior que o peito 
JRToffanetto

FotoJRToffanetto _Trabalhar é preciso

O trabalho é tudo no Absoluto e tudo no Relativo

Monday, September 26, 2016 9:20 AM

Marcos Valle | Samba de Verão (Marcos Valle / Paulo Sérgio Valle) - Instrumental SESC Brasil





Heraldo do Monte _Forrozin


Heraldo do Monte/guitarra, Hermeto Pascoal/flauta;
Edson J. Alves/ Violão; Cláudio Bertrami/Baixo
Ubiraci de Oliveira/percurssão; Dirceu/Bateria



Haicai #541. João-de-barro



Haicai #541. 
Cantou joão-de-barro
meio-dia ao sol da Poesia.
No olfato de um cravo

JRToffanetto

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

JRToffanetto _Ontem, hoje, amanhã



Ontem, hoje, amanhã

Hoje eu estou mais pronto que ontem,
e amanhã estarei mais pronto que hoje. 

(JRToffanetto)


Poema Imagético _Inner Self


Inner Self

A Poesia tanto dá flores quanto poemas.
Leva-se flores para encantar  as casas
e poemas para encantar o eu interior

JRToffanetto

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Haicai #230. Apanhando Haicai


Haicai #230.

Ao apanhar haicai,
o poeta abre as mãos

se nelas batem asas
JRToffanetto



Hay#194Cai. O poeta, o pirilampo e o pássaro













#Hai194Cai.
poeta verseja
pirilampo lume
pássaro gorjeia
Ops!
poeta gorjeia
pássaro lume
pirilampo verseja
                       JRToffanetto

Haicai #222. fotoJRToffanetto


Haicai #222.

Do saco de pão,
poeta derrete verso
em haicai quentinho
JRToffanetto



segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Haicai #29. Poemas são pássaros


Haicai #29.

Poemas são pássaros
cantando do outro lado

no lado de cá 
JRToffanetto

Haicai #28. Das janelas abertas


Haicai #28.

Das janelas abertas
poemas florem da Poesia
que veio cantar dentro
JRToffanetto

domingo, 25 de setembro de 2016

Medley of James Bond - John Barry & London Symphony Orchestra




John Barry, maestro e compositor


Poema imagético _Mar


Mar - Poema Imagético


Do arco-íris o sol bem me disse
das chuvosas nuvens dentre terra e céu.
Pois garoante na face premisse
choverante em mim, ilhéu.

JRToffanetto

Art Farmer & Jim Hall Quartet - Whisper Not

A madrugada é hard bop



sábado, 24 de setembro de 2016

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Thad Jones Billie-Doo The Magnificent Thad Jones 1956

A noite é hard bop



Do álbum The Magnificent Thad Jones (1956)


Crônica de um presente

Ganhei da Regina uma caneta tinteira, e na primeira oportunidade a empunhei escrevendo em três quadrados de um papel sulfit dobrado. Saiu-me assim:

Em sua pena tinteira, há uma ave a pousar em minha caneta.
Eu sei de onde ela vem. Vem de imemoriáveis céus azuis,
desde antes do primeiro e segue ao infinito.
Nunca sei quando ela chega ou parte.
Sei que ela cá está só quando começo escrever.
Se não está, por atraí-la... escrevo.
Sou teimoso nesta parte, mas é ela,
ela quem se encontra comigo.


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Haicai #94. beijada pela mulher


Haicai #94.

Pétala de sol
beijada pela mulher

dourada de rosa

JRToffanetto

Haicai #91. Doente de paixão


Haicai #91.

Doente de paixão,

foi curar-se com o Amor
por toda uma vida 

JRToffanetto

Haicai #98. de lábios e olhos castos


Haicai #98.

Da rima
de lábios e olhos castos
deu rímel 

JRToffanetto

Alberto Nepomuceno _Prece



Alberto Nepomuceno (1864-1920)
Violino, Ludmila Vinecka
Piano, Elza Kazuko Gushikem


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Haicai #218. O poeta e a mulher amada


És poeta, se você, meu caro, 
sofre desta dor:


Haicai #218.

Poeta não larga
dor no braço onde dorme
a mulher amada
JRToffanetto


Fernando Pessoa _Para viver a dois, antes, é necessário ser um



Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer emocional-mente

Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria slidão,
continuaresmo
a nos buscar em outras metades.

Para viver a dois, antes,
é necessário ser um."

Fernando Pessoa

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Vinicius de Moraes _ Para Viver Um Grande Amor




Para Viver Um Grande Amor
Vinicius de Moraes

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.


Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.


Texto extraído do livro "Para Viver Um Grande Amor", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 130.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Predicado da solidão



"Há coisas encerradas dentro dos muros que, 
se saíssem de repente para a rua e gritassem, 
encheriam o mundo." F. Garcia Lorca

Por mais ruidoso que seja o mundo gritando nos nossos ouvidos, batendo em nossa janela, esperando-nos de esquina a esquina a assaltar nossos olhos, é a Quietude quem nos sussurra, resfria o magma a cobrir o mundo e sopra suas nuvens tóxicas.

Por mais surreal que pareça, as dores do mundo nos fortalece no Amor Maior em que acreditamos porque dele somos aprendizes.

Todos nós estamos desafiados a emendar terra com céu. Predicado da solidão, do silêncio, do andar em bando de pares, estejam eles presentes ou não.

JRToffanetto

sábado, 17 de setembro de 2016

Arvo Part - Bamboo Dream (Cloud Gate Dance Theatre) - 2002


Cloud Gate Dance Theatre of Taiwan


Qual o seu norte,o seu bando?


Poetas são como aves migratórias



Poetas são
como aves 
migratórias

É do branco, o nada, o vazio,
e nele o incidente, o movimento,
a matéria prima do poeta.
'
É como a Poesia vem cantar
dentro, e isto não é prerrogativa
só dos poetas.

Sem isto, desista dos poemas,
esvazie-se, esqueça-se,
abra-se à Poesia.

Lá no fundo,
é do esquecer(-se)
o incidente sentido,
trabalhado,
devolvido ao Cosmo.

Fica no tempo
o rabisco, o poema,
a folha ao vento...

O que sopra sabe
aonde a folha vai
desde a deslembrança,
o sentimento do eterno,
os primeiros traços
do sentir em alcance
das cordas do coração,
pertence da Presença Infinita,
Linguagem do Verbo.

Oh, a folha caiu na fogueira.
Cinza que o vento fragmentou.

Do fogo que o vento alimenta,
a Poesia é irmã solar.

Foi o poema que caiu
 no tempo do fogo.

Deixe-se ir.
Sem isto, esqueça os poemas
presos em livros.
Suas folhas viageiras...
estantes de pó de cinzas.

Quer um poema?
Escreva sem se consumir por ele.

Deixe-se consumir pela Poesia,
não por poemas,
só Poesia,
o dar a mão, as asas,

o voo preciso.
a Poesia vai longe 
do nó umbigal.

Deixe os poemas,
faça terapia e,
depois,
ausente-se.

Abra-se à Poesia
para dizer ou escrever
o que não sabia.

A Poesia, caros poetas,
 é igual ao Poeta Maior,
dEle somos aprendizes.

O poeta tem um norte.
Poetas são como aves migratórias,
voam em bando.
Qual o seu norte?
Qual o seu bando?


JRToffanetto

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Qual o seu norte,o seu bando? (Poetas são como aves migratórias)

DOMINGO, 13 DE SETEMBRO DE 2015

Poetas são como aves migratórias



Poetas são
como aves 
migratórias

Sempre tem alguém dizendo escrever poesia.
Serão deuses? 
Pergunto se  já tentaram escrever um poema.
Porque? Respondo,
posto que  pode dar um branco mental.
Pois, então...

É do branco, o nada, o vazio,
e nele o incidente, o movimento,
a matéria prima do artista.
'
É como a Poesia vem cantar dentro,
e isto não é prerrogativa só dos poetas.

Sem isto, desista dos poemas,
esqueça-se,esvazie-se, 
abra-se à Poesia.

Lá no fundo,
é do esquecer(-se)
o incidente sentido,
trabalhado,
devolvido ao Cosmo.

Fica no tempo
o rabisco, o poema,
a folha ao vento...

O que sopra sabe aonde a folha vai,
desde a deslembrança, do traço do sentir,
da vibração da corda do coração,

Sentimento do eterno,
pertence da Presença Infinita,
Linguagem do Verbo.

Oh, a folha caiu na fogueira.
Cinza que o vento fragmentou.

Do fogo que o vento alimenta,
a Poesia é irmã solar.

Foi o poema que caiu
 no tempo do fogo.

Deixe-se ir.
Sem isto, esqueça os poemas presos em livros.
Suas folhas viageiras...
estantes de pó de cinzas.

Quer um poema?
Escreva sem se consumir por ele.

Deixe consumir-se pela Poesia,
não por poemas, não por papel.

Sinta a Poesia,
equilíbrio de Céu e Terra.

De-me a mão,
as asas,
o voo preciso.

a Poesia vai longe 
do nó umbigal

Deixe os poemas,
faça terapia,
ausente-se.

Abra-se à Poesia
para dizer ou escrever
o que não sabia.

Para ser ao infinito
o que não sabia

A Poesia,
caros poetas,
sarças e eras,
 é igual ao Poeta Maior,
dEle somos aprendizes.

Poetas são como aves migratórias,
voam em bando.
Qual o seu bando?
Qual o seu norte?

JRToffanetto
Jundiaí, 17 de setembro de 2015

terça-feira, 13 de setembro de 2016

BatCinto na Pechincha


- Ah, dona, tô vendo 
que a sra. está precisando de um "batcinto" urgente,
e a preço módico. Amanhã te trago uma sapatilha, tá!
Tuesday, September 13, 2016 11:09 AM - Rua J.J.Rodrigues, Jundiaí/SP


Pat Martino Trio - Lotos Jazz Festival 2014


Pat Martino - guitar
Pat Bianchi - organ Hammond B3
Carmen Intorre - drums


Hibisco no P.A. da Ponte - Brasil na UTI


Em primeiro socorro a um colega de trabalho, mais uma vez constatei o clima pesado pairando destes locais sobre a cabeça, a fisionomia das pessoas. Ninguém a conversar com o outro. O silêncio lembrando a morte. Parecia-me que todo mundo, cada um consigo próprio, assistia o filme da própria vida. Tanta dor... lembrando a morte? Os velórios são mais animados.

Mas lá estava o hibisco. Alguém entrara com ele e, depois, deixara-o debaixo do banco ou foram os ventos ululantes?  Meu colega era o único que sorria no alto de sua pressão arterial de 26x16, mas não sorria de espírito tranquilo, bem o sei. Lá ele ficou em procedimentos até melhorar.

O dia continuava Brasil, doente, gigante impávido colosso em UTI.

(JRToffanetto)


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Flagrante Dia de Sol, Jundiaí/SP

FotosJRToffanetto





Pássaros na Eterna Manhã

Voando em Harmonia, 
agradeçemos por mais uma oportunidade de evoluirmos.


Do olho da câmera

Por um estado criado em reverência ao azul que somos, 
a imagem congelada o interpreta.


Thursday, September 8, 2016 2:28 PM
Bairro da Chácara Urbana, Jundiaí/SP

Quarto e último dia anual da árvore (inverno)

Despedida e renascimento
Inverno, véspera da primavera.
Saturday, July 16, 2016 4:43 PM
Av.São Paulo, Jundiaí/SP

domingo, 11 de setembro de 2016

Emily Remler - How Insensitive ("Insensatez" de Tom Jobim)




O impacto do ensino da arte (ou da falta dele) na percepção do mundo

Para ler o texto na íntegra, >clique aqui<

(...)“O olho sofre com anúncios piscando na rede. Para se defender, o cérebro fecha avenidas inteiras de observação e intuição. A experiência digital é chamada interativa, mas o que eu vejo como professora é uma crescente passividade dos jovens, bombardeados com os estímulos caóticos de seus aparelhos digitais. Pior: eles se tornam tão dependentes da comunicação textual e do correio eletrônico, que estão perdendo a linguagem do corpo."(...)
(...)A civilização é definida pelo direito e pela arte. As leis governam o nosso comportamento exterior, ao passo que a arte exprime nossa alma. Às vezes, a arte glorifica o direito, como no Egito; às vezes, desafia a lei, como no Romantismo.

(...)O problema com abordagens marxistas que hoje permeiam o mundo acadêmico (via pós-estruturalismo e Escola de Frankfurt) é que o marxismo nada enxerga além da sociedade. O marxismo carece de metafísica – isto é, de uma investigação da relação do homem com o universo, inclusive a natureza. O marxismo também carece de psicologia: crê que os seres humanos são motivados apenas por necessidades e desejos materiais. O marxismo não consegue dar conta das infinitas refrações da consciência, das aspirações e das conquistas humanas. (...)
Para ler o texto na íntegra, >clique aqui<

Harvey Mason, Pat Martino e Tony Monaco / fotoJRToffanetto



Thursday, September 8, 2016 2:21 PM
Chácara Urbana, Jundiaí/SP

sábado, 10 de setembro de 2016

Manoel de Barros "Uma didática da invenção", 1.a Parte, XIX

As coisas que não existem 
são mais bonitas
Felisdônio

XIX
O rio que fazia uma volta atrás da casa era a 
imagem de um vidro mole que fazia uma 
volta atrás da casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta que o
rio faz por trás da sua casa se chama enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que
fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem
(Manoel de Barros)

Leia o livro


Caminho à Paz, o Belo


O que te atrai?



Georg Friedrich Haas - Cello Concerto (2004)

Sua estética é guiada pela ideia de que a música é capaz "de articular emoções e estados de alma de um ser humano, de tal forma que outros seres humanos podem abraçar essas emoções e estados de alma como a sua própria" (Wiki)





sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Mário Quintana _Das Utopias














Das Utopias

Se as coisas são intingíveis... ora!
Não há motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

Mário Quintana

Haicai #9 _Do bico do passarinho



#9

Cantar sempre quis

do bico do passarinho

na ponta do lápis

(JRToffanetto)


A rotina do poeta Manoel de Barros

Numa entrevista concedida a José Castello, do jornal "O Estado de São Paulo", em agosto de 1996, Manoel de Barros ao ser perguntado sobre qual sua rotina de poeta, respondeu:

"Exploro os mistérios irracionais dentro de uma toca que chamo 'lugar de ser inútil'. Exploro há 60 anos esses mistérios. Descubro memórias fósseis. Osso de urubu, etc. Faço escavações. Entro às 7 horas, saio ao meio-dia. Anoto coisas em pequenos cadernos de rascunho. Arrumo versos, frases, desenho bonecos. Leio a Bíblia, dicionários, às vezes percorro séculos para descobrir o primeiro esgar de uma palavra. E gosto de ouvir e ler "Vozes da Origem". Gosto de coisas que começam assim: "Antigamente, o tatu era gente e namorou a mulher de outro homem". Está no livro "Vozes da Origem", da antropóloga Betty Mindlin. Essas leituras me ajudam a explorar os mistérios irracionais. Não uso computador para escrever. Sou metido. Sempre acho que na ponta de meu lápis tem um nascimento."

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Quando Manoel de Barros

Quando Manoel de Barros, suas letras tem gosto de fruta que você encontra andando distraído por uma trilha mateira. Um passarinho te avisa dela. O mundo ganha gosto, paladar de rio, sentimento de árvore, acerto do silêncio. (JRToffanetto)


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Manoel de Barros _Bernardo é quase árvore.














Bernardo é quase árvore.
Silêncio dele é tão alto que os passarinhos
ouvem de longe
E vêm pousar em seu ombro.
Seu olho renova as tardes.
Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho
1 abridor de amanhecer
1 prego que farfalha
1 encolhedor de rios - e
1 esticador de horizontes.
(Bernardo consegue esticar o horizonte usando 3
fios de teias de aranha. A coisa fica bem esticada.)
Bernardo desregula a natureza:
Seu olho aumenta o poente.
(Pode um homem enriquecer a natureza com a sua
incompletude?) 

Manoel de Barros ('Livro das Ignorãças')