segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Haicai #548. Duas imagens para um poema



Haicai #548. 

O haicai sumiu,
nem piu, psiu ou assobio.
Poeta quem ouviu

JRToffanetto


Crônica do Amor-sem-fim.

Quando criança tinha o costume de assoprar os "cabeças de sopro", era como eu chamava o casal de eternos namorados na foto abaixo. Ainda hoje repito a mesma doce façanha, e só para vê-los soltos no ar e caírem como por paraquedas, um espetáculo para a natureza do olhar. Mas andando com a Regina no espaço lúdico da Cinemateca/SP, encontramos dois cabeças de sopro "in love" entrelaçados, (clict). Pensei juntar e assoprar os dois do fundo (no alto à esquerda) mas eles ainda estavam se conhecendo, platonicamente se amando, e isto também é tocante, a paixão juvenil. Juntar-se-iam? Haveriam de crescer muito, aumentar de tamanho para tanto. O mais provável é que o sabor do vento os dispersaria. Talvez o sabor do vento fizesse o mesmo com o casal de eternos namorados, mas estes já estavam ligados, fizeram aliança com o Amor-sem-fim. (JRToffanetto)



domingo, 30 de outubro de 2016

FotoJRToffanetto _Da torre de observação (3 imagens)

Criando novo sentido para uma imagem congelada da cidade em movimento, afinal, nem tudo é o que comumente aparenta ser, sempre é mais ou de menos, em geral, mais simples e direto do que sofisticado. (JRToffanetto)


Crônica fotográfica _Fundidos na linha do horizonte

Registro de um instante mágico guardado no coração. Ela também tem um, dos grandes, e sei que ela sabe mais destes instantes do que eu. Por ela, ainda estaríamos nos olhando em estado de oração, e estamos. Estamos fundidos na linha do horizonte. (JRToffanetto)

Haicai #31. Versos

Haicai #31

Versos
são pétalas que o poeta recolhe
para aprender com a flor

JRToffanetto


quarta-feira, 26 de outubro de 2016

PhotoPoema-Imagético JRToffanetto 1

Assim como o Haicai gera uma imagem ímpar para cada um que entre em contato com ele, por PhotoPoema-Imagético intento imagens símbolos a criar um sentimento único para cada um que o vê. (JRToffanetto)

Local: Chácara Urbana, Jundiaí/SP (clique na imagem para ampliar)

Haicai #547. Pássaros e a Poesia


Haicai #547
Pássaros e a Poesia

Pássaros nos assobiam
o eterno presente
desde a barra clara do dia

JRToffanetto



terça-feira, 25 de outubro de 2016

Quem nada tem para dar é pobre.







A vida se constitui num rito de passagem.

 
Alguns a celebram no altar, lá onde está a rosa num solitário. Rendem homenagem ao que sentem maior do que si mesmos, e trabalham toda uma vida para aumentar seu próprio tamanho. Outros, agarrados na ponta do nariz, temem cair do chão sob seus pés. Recusam o belo. Morrem de vertigem. Daí o fato de desconhecerem a eternidade nas nuvens do céu. Nada sabem do arco-íris e muito menos do além dele. É pobre quem nada tem para dar. Mas se a escolha é pela miserabilidade da condição humana... 
Quem ama compreende.

Jairo Ramos Toffanetto

Do nada, tudo no pingo

O poema abaixo, aqui publicado em 2012, mas escrito em 1995,
faz parte do "Conto da Pena Vazia" (conto)





Pena Vazia

Do nada, tudo no pingo.
No ponto, um pingo de mergulho.
Mar de tinta e fundo do pingo
Ponto no papel continental
Pingo no espraiado branco.
Baia, porto seguro do ponto.
Do nado antes e depois do pingo

JRToffanetto

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Haicai #425. De salto em salto




Haicai #425.
De salto em salto

Pirilampo guia a volta do grilo
que da estrela se perdeu

JRToffanetto
(05.10.2011)

domingo, 23 de outubro de 2016

"O equilibrista" - Poema sobre painting de Lima Júnior


Painting de Lima Júnior

O Equilibrista


Sereno segredo
Estar leve, muito leve, sem peso
Deixar-se pela atração do Belo
Vencer a crueza, a gravidade dos dias
E, vencendo-a, brincar com ela
Plástico aprumo superando força de tração

Sobre um fio seguro
Estado de atenção sem tensão
A beleza de ser e estar pela flor
A possibilidade da delicadeza
Vestida por encanto
Cores em ordenação sob luz
(JRToffanetto)

MARLOS NOBRE, Desafio II, 3 Cantos de Iemanjá, Poema III, Leonardo Altino (cello)

Marlos Nobre é um pianista, maestro e compositor brasileiro




sábado, 22 de outubro de 2016

Quem acredita que o aquário é silencioso? (2)


No meio da turba um passarinho abre meu ouvido no frasco de essências. Faço um alongamento no âmago gargalo. Cumprimento o que canta em mim. Mas logo sou assaltado. Deixo-me abraçar pela doce fragrância de um pequeno manacá. Mas o ronco nervoso de motor vem me alcançando. O monóxido de carbono chega primeiro. Dentro, salvo o manacá que ainda se derrama cheiroso. O caminhão pára para eu passar. Olho pro motorista e agradeço a gentileza. Ele sorri, mas quando percebe que eu vejo seu dedo indicador apontando para mim, aperta o gatilho com o polegar. Mas ele não tinha cara de matador de passarinho. A fumaça preta que saia do escapamento não era dela, era nossa. Então, no meio da travessia, gargalho no gargalo e passo. O motorista buzina pra mim, sorri. Acenamo-nos. “Vai ver” que ele também era um guardador de manacá com passarinho. (JRToffanetto)


René Marie - Sound of Red (Official Video)





sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Haicai #433 _São Paulo "In Love"




Haicai # 433

 

São Paulo “in Love”

co’a Paulicéia Desvairada:

Raspando a b rba

                                                  _

JRToffanetto


Quem acreditta que o aquário é silencioso? (1)


Quem acreditta que o aquário é silencioso? (1)


 Dou bom dia para quem passa olhando para mim, e se fala comigo trocamos figurinhas sem importância, daquelas que fazem um bem danado tanto para o outro quanto para mim, afinal, penso eu, alguém caminhando sem escafandro. Gosto destas conversas que pouco ou quase nada dizem, que se dão apenas por puro prazer do encontro fugidio e que, como peixes, logo se dispersam depois de gostosa irradiação. Gosto do sorriso dos olhos de lentes abertas. Sou mestre em me livrar gentilmente do plâncton. Esqueço-me, reordeno-me no que cumpre fazer. Sigo pelo que posso oferecer de útil ao meio. Sou teimoso nisto, andar no passo da alegria, da felicidade em que vivo, em permanente atenção a tudo, a todos, às oportunidades que se abrem para me tornar  útil no ponto da necessidade. O mundo está gritando demais, demais. (JRToffanetto)

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

"O Voo da Luz" JRToffanetto e Yuri Ulrych


Filmado em Jundiaí, sábado,  dia 15.10/2016.
Música: Terry Riley "A rainbow in curved air"
Corte e Edição: Yuri (Ulrych) N.Toffanetto

"Voo da Luz em Oito Minutos"





Estarei publicando neste meu "Poemas de Sol", mais um filme, o sétimo de JRToffanetto. Nominatei-o "Voo da Luz em Oito Minutos", e com música minimalista de Terry Riley. Garanto surpreender, e a todos, creio eu. Aguardem

FotoJRToffanetto _Pássaros no ninho


(Veja o Sanhaço em movimento e ouça seu canto)

Primavera de 2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Les Parapluies de Chergourg (abertura do filme) e Os Guarda-chuvas do Amor (JRToffanetto)

Poema dedicado ao casal
Lima Jr. e Zorzella


Os guarda-chuvas do amor

Nós guarda-chuvas
amamos sombrinhas,
estas teceduras dos fios de sol e lua 
a carregar arco-iris pingo a pingo de chuva.
Chuva do céu que abre sombrinha,
um jardim de flores no canteiro do coração.
São sombrinhas do amor para
Les Parapluies de Chergourg

JRToffanetto





quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O planeta como prece (Poema Imagético)


Às vezes parece
que o planeta como prece
em um haicai cabe,
ou na mais linda rosa
enroscado ha haste
de espinhos

JRToffanetto


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Duo - "Fotografia" - Cesar Camargo Mariano e Romero Lubambo - Paint de Lima Júnior



Paint de Lima Júnior

Dia da criança eterna; Haicai #110.Amarelinha; Painting de Lima Júnior

Reedição de texto publicado em "Poemas de Sol"
em 12 de outubro de 2011


Haicai #110
criança salta
com passos de música
amarelinha

A criança lembra semente, broto, flor em botão. A criança da natureza bela, intocável, de alma divina e sonhadora. Luz interior a deslumbrar manhãs eternas. Eu natural a vibrar cores em formas tenras e primorosas. Novo olhar, franco e confiante. Entusiasmo pela alegria, pelo bom da vida, pelo alegre e colorido bom-bom.

Estrela-sol. Raios doces como o da lua. Flores da relva. Livres. Leveza do ser pairando no ar. Brisa cálida. Sonhos vivos, mente limpa, toque mágico. Amiga da beleza, dos sons, dos brilhos, dos reflexos fugidios.

Lida do sonho encantador, dos gestos da beleza, do amor à flor da pele, do sorriso despretencioso. Alimenta-se de sensações, transbordam emoções, cheias da vontade do bem-querer.

Ama o céu logo acima do telhado, o paraíso na sombra de uma árvore, o pedacinho de chão sob seus pés descalços. Um laço de fita, uma tampa de lata, um balão colorido. Gosto de glacê na ponta do dedo, o mesmo que tira um naco do bolo.

A criança lembra a vocação humana para a felicidade. Ensina-nos que a verdade está no peito aberto. Remete-nos ao encontro da simplicidade, ao vôo livre, ao vento sentido no rosto, nas palmas da mão, nas asas da imaginação em extensão das têmporas. Vozes da doçura, do espírito que fala, mexe-se, pula, brinca, abraça, encanta.

Pequenas e sábias, levam-nos a dizer coisas gentis, expressas ao momento vivido. Remete-nos à contação dos contos de fadas, as mais belas histórias, esses tesouros da humanidade. Mostram-nos como parar o tempo e manter a harmonia. Vivem a coragem de ser o que são, sem restrições.

Painting de Lima Júnior
(clique na imagem para ampliá-la)
Diante da beleza divina, que mais dizer ou fazer, senão, qual apóstolo da beleza, render homenagem ao sentimento do belo que há na criança e nos desperta para ele? Pois elas glorificam a nossa origem: a dimensão do infinito num mundo de todas as possibilidades, o Mundo Bem Melhor. Com elas, de mãos dadas, sublimaremos, enfim, nossa grande viagem.

Jairo Ramos Toffanetto


Celebrando o Dia da Criança / Lima Júnior(Paint) & JRToffanetto(Haicai)


Haicai #116. Criança
Verso com cereja
o bocado de doce
do teu coração
JRToffanetto

Theme: Memory of Childhood - II
Techique: Oil on Canvans Testured, Dimensions: 70x40


terça-feira, 11 de outubro de 2016

Homenagem ao Dia da Criança (Conto do meu pai)

(Reedição do post de 23 de agosto de 2011 
"Acordando com as estrelas do céu – 2") 

O Dia da Criança é comemorado, acho eu, em todo o planeta, mas penso que é dia dos pais (pais e mães ), pois eles, na primeira infância de todos os pequeninos, são vitais para o crescimento emocional da criança. Celebro este dia do encanto, da magia da vida, do milagre da existência de seres tão delicados quanto belos, narrando uma experiência real que tive com meu pai, o "seu" Orlando. Um Homem, um gigante que gostava de sonhar comigo. Foi com ele que conheci a Poesia da Vida. Sou-lhe eternamente grato por ele ter me apresentado a lua, o sol, as estrelas, as contos e fadas... (ah, fiz o mesmo com os meus pequeninos)

Acordando com as estrelas do céu – 2

       - Vamos, filho, acorda. É domingo, lembra? Você me pediu para te acordar com as estrelas no céu?
       - Eu quero ver a minha estrela.
      - Então pula da cama porque... venha olhar, você está acordando com as estrelas no céu.
       Ao sentar-me na cama, o Sr. Orlando, meu pai, enrolou-me num cobertor e me levou pro quintal de casa. Deitado nos braços dele, perguntei-lhe:
       - Cadê a Lua?
       - A Lua só volta amanhã. Atravessou o céu e foi embora.

       Enfim, depois de acompanhá-lo em inúmeros preparativos matinais, saímos pra rua de mãos dadas .
       - Papai, já tá ficando dia, vou perder de ver a minha estrela.
       - Te garanto que você verá a tua estrela.
       - Prá onde estamos indo?
       - Indo pra nos encontrarmos com a tua estrela.
       - Aonde ela está?
       - Virando a rua, e depois de contornarmos o Matão (um pequeno bosque).
       - Eu não entendo, papai. Ontem a Lua estava em cima do telhado. 
       - Olha, meu filho, a tua estrela vai nascer atrás do Matão.Vamos apertar o passo para chegarmos à tempo de ver a sua estrela nascer?      
       - Papai, porque o céu está tão colorido?
       É porque a sua estrela está chegando. É a estrela mais linda que tem no céu.

       Contornamos o Matão em silêncio. Lembro-me de ter tropeçado algumas vezes. Eu não me cansava de olhar para os desenhos do céu colorido. Ao chegarmos diante de uma área aberta, meu pai soltou a minha mão e, pondo-se de cócoras, disse-me:
       - Agora é só esperar.
       Eu queria falar com o meu pai, mas estava estupefato por ver uma única estrela no céu. Admirava-a em silêncio.

       - Papai que estrela é aquela?
       - É a Estrela Matutina, a estrela que só vai embora quando o sol nasce.
       - É a minha estrela, papai?
(continua)



segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Haicai #95. Batom


Haicai #95.
Batom

Face do mundo,
com batom a mulher
vem marcando
JRToffanetto

Theme: Rio 40º (Rio de Janeiro City) by Lima Júnior
Technique: Oil on Canvas Textured
Dimensions: 50 x 40 cm

Haicai #546. Reencontrando Lima Júnior, um velho amigo

Haicai #546.
Reencontrando Lima Júnior,
um velho amigo

A arte não machuca
ninguém. Sem saber a quem,
dá-se qual pé de uva

JRToffanetto

Theme: Rio 40º (Rio de Janeiro City) by Lima Júnior


domingo, 9 de outubro de 2016

Blubell • Vida em Vermelho • Clipe Oficial

"Vida em Vermelho" é o primeiro single no novo disco da Blubell, Chamado Confissões de Camarim". 
Filmado com smartphone, o clipe é o primeiro de uma série de clipes artesanais que a artista pretende fazer para as canções do disco, com lançamento internacional programado para 19/08/2016.




elenco: Blubell e seu cão, Zé
câmera, direção e edição: Celso Reeks

Musica: Blubell
voz: Blubell
guitarra: Estevam Sinkowitz 
Wurlitzer: Daniel Grajew
bateria: Carlinhos Mazzoni 
baixo elétrico, guitarra e samples: Marcio Arantes



Há uma borboleta em cada mariposa (Reedição de post 2010)




Enquanto cativos da escuridão e portadores de raiva, nenhum morcego conhecerá o sabor das borboletas porque estas vivem na radiação luminosa. Se as cores da poesia sinalizam grave indigestão – algumas espécies de borboletas também vagam na noite escura. Por temerem o arco-íris, cativos da escuridão acreditam que as belas borboletas lhes envenenem o sangue, alterando sua natureza.

Pois caçam mariposas por causa da atração destas por radiação luminosa. Mariposas preferem queimar-se na lâmpada ou morrerem exaustas tentando entrar no globo do que cair nas garras de cavernosos disseminadores da raiva, ainda que imunes a ela, não permitem que lhes machuquem o eu.

Enfim, em ensolaradas montanhas nasce uma borboleta para cada mariposa que escapa da boca das trevas ou tomba tentando passar para a luz. É de lá que elas vem até à cidade para nossos olhos se encontrarem com elas.

JRToffanetto


Habitando nos Quatro Elementos


FotoVisão

Sempre gostei de desenhar. Uma diversão. Mas quando fui para a tela de pintura, de pronto percebi algo sério, maior que eu. A partir dali tudo mudou, p.ex., parei de brincar de escrever, mas não de brincar, nem de escrever. Se a minha pintura ia de encontro aos cânones da arte ou não, digo que isto não tem importância alguma para o estar em movimento criativo. 

Comecei a fazer pintura sobre tela em 1978. A tela acima foi uma das primeiras, criada no carnaval de 79. Eu tinha em casa um tecido chamado amorim, daqueles que eram usados para se confeccionar faixas que se colocava nas ruas da cidade, hoje sáo os ditos "banners". Passei o serrote numas ripas, preguei-as, estiquei o pano e nele passei cola que fiz com farinha de trigo, de secagem rápida, coisa que aprendi na meninice.

Ainda me lembro do som do serrote, do martelo sobre os pregos, assim como da explosão lux sobre o terraço da casa de meus pais. Pois foi daquelas iluminação, que achei de cobrir a tela com um profundo tom roxo em tinta a óleo, e era sob aquele sol magnânimo que ela deveria ficar para secar, em pé, para a tinta escorrer indelével, pois ali imaginei que, das micro rachaduras sem tinta, algo como "craquelê",  poderia escapar luz se a tela fosse adaptada numa caixa com uma lâmpada dentro. Na fim da tarde de segunda- feira de carnaval, ela já estava totalmente seca.

Com a tela entre as mãos, o desejo de estar entre tintas e pincéis começou a me pegar mais forte. Não daria tempo de construir a caixa e, depois, pareceu-me incerto reproduzir o efeito do sol que eu via por traz da tela, o que demandaria muitos experimentos técnicos. O processo preparatório, a criação do estado da criação estava em transformação, em curso. Exigia novas soluções. Uma coisa era certa, eu sentia que ainda naquele dia eu teria a tela finalizada. Estreitava-se o momento de fechar o ciclo, o ciclo do velado substrato para o mundo das formas. Estar no meio daquele processo dava-me um sentido, o da aproximação extraordinária. A conclusão dele só poderia se dar da mesma forma, sentia eu. A idéia viria na hora. Preparava-me para expressar o que não sabia, e com absoluta certeza de a expressar.  

 Faria, pois, do meu quarto uma caixa escura para lâmpada. Pois, então, abri um buraco no fundo de uma lata de palmito vazia e nela adaptei uma lâmpada de vinte e cinco velas. Coloquei-a sobre o guarda-roupas, junto ao ângulo reto formado pelas paredes. O foco de luz voltado para a confluência dos cantos das paredes e teto. Tudo pronto para começar a pintar, mas o estado de criação artística, pronto para a execução, ainda não acontecia. Nada mais eu tinha que fazer para construir aquele estado. Era só esperar. De vez em quanto eu abria a porta e lá ficava por um pouco, sem nada pensar a respeito, apenas sentindo.

Depois da meia-noite,finalmente entrei no quarto e tranquei aporta. Notei o silêncio da casa. À meia-luz, e que só não bruxuleava porque não era de velas, percebi que não daria para usar tinta a óleo. Sai pela casa à cata de folhas de jornal com as quais forrei o assoalho e coloquei a tela descansando em cima. Como eu tinha uma porção de frasquinhos de tinta acrílica para tecido usados em outros experimentos, escolhi-os através do que a fraca iluminação me permitia, algo meio intuitivo. Só faltavam os pincéis, mas preferi deixá-los no escuro, e pintar com o que me viesse às mãos.

Foi assim que pintei a tela à cima e, depois de trinta anos deste feito, o nome que ficou para esta tela é "Habitando nos quatro elementos".

Obs. 1.: Se alguém clicar sobre a tela, poderá ver a minha assinatura. Nas telas daquele tempo eu assinava Oriaj, e que é Jairo de trás para frente. Para vê-la, clique na foto e, depois, no canto inferior direito.
Obs. 2: Em 1980 eu pintei uma tela com tinta acrílica executada com iluminação por traz, o que me levou a construir a tal caixa com iluminação em seu interior. Onze anos depois eu pintei uma outra tela à óleo e que depois de pronta pode ser vista como uma releitura daquela. Esta tela à óleo é a que está estampada na página inicial deste meu blog.

Jairo Ramos Toffanetto

Olmir Stocker (Alemão) - Samba Jazz




sábado, 8 de outubro de 2016

Ray Brown - Summertime

Ray Brown, Gene Harris, Jeff Hamilton



Da ponte que se dissolve, fotopoema de JRToffanetto





Da ponte que se dissolve

Tantas coisas já não me servem...
a ponte se dissolve quando atravessada.
Vou por um par de asas.
Há um bando passando para o infinito
de um só coração

E quando se complementar...
outros virão sem passar
pela que ponte que se dissolve
Eu vou?
E você, irá?

JRToffanetto

Haicai #216.


Haicai #216.
 Soneto perfume
abre secreto cofre.
Oh, uma rosa azul
JRToffanetto

Jaco Pastorius - Opus Pocus